XIV ENANPEGE
XIV ENCONTRO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM GEOGRAFIA

A Geografia que fala ao Brasil: ciência geográfica na pandemia ultraliberal

10 a 15 de outubro de 2021 - Online

Conheça nossos grupos de trabalho

Coordenadorxs:
Maria Adailza Martins de Albuquerque (UFPB)
Willian Simões (UFFS)
Ana Carolina de Oliveira Marques (UEG)
Luiz Eugênio Pereira Carvalho (UFCG)
Maria de Fátima Almeida Martins (UFMG)

Educação e Neoliberalismo: mercantilização, privatização, financeirização, empreendedorismo, meritocracia, tecnicismo, controle ideológico dos conteúdos e práticas docentes. A Base Nacional Comum Curricular, a Reforma do Ensino Médio e a produção de livros didáticos, plataformas, softwares e programas educacionais, cursos de formação (inicial e continuada), planos de ensino entre outros produtos alinhados às políticas curriculares neoliberais. O Programa Nacional do Livro Didático (PNLD): propostas hegemônicas e resistências. A Pedagogia das Competências, os modelos de ensino, os “especialistas” dos currículos e a alienação do trabalho docente. A relação entre currículo, natureza e trabalho no Neoliberalismo. A Base Nacional Comum para a Formação de Professores e as licenciaturas em Geografia: esvaziamento da densidade filosófica-epistemológica da formação, reducionismo da pluralidade teórico-metodológica da Ciência Geográfica e demais aspectos formativos comprometidos por políticas de regulação e controle de todos os níveis de Ensino (Educação Básica e Superior). Autonomia escolar e Universitária. Indissociabilidade entre pesquisa, ensino e extensão. Experiências educativas e curriculares contra hegemônicas: quilombolas, indígenas, camponesas, periféricas entre outras. A pauta antirracista, antissexista, anticapitalista, anticapacitista na Geografia Escolar: resistências concretas. As alianças entre a luta política e epistemológica no âmbito da Geografia Escolar e Acadêmica. Conceitos, abordagens e categorias geográficas mobilizadas na contramão às políticas curriculares neoliberais.
Coordenadorxs:
Helena Copetti Callai (UNIJUÍ / UFFS)
Lana de Souza Cavalcanti (UFG/UFJ)
Sônia Maria Vanzela Castellar (USP)
Carolina Machado Rocha Busch Pereira (UFT)
Vanilton Camilo de Souza (UFG)

O ensino de Geografia é uma prática social complexa e com diferentes demandas. A efetivação dessa prática tem revelado, de um lado, muitos limites de ordem política, social e também profissional, e de outro lado, tem mostrado também muitas potencialidades no sentido de se realizar uma prática de ensino que represente uma efetiva aprendizagem, uma aprendizagem significativa para os alunos. A compreensão mais ampla dos problemas desse ensino, bem como de possibilidades de enfrentamento de seus múltiplos desafios tem indicado a relevância de estudos nessa área. O Grupo de Trabalho em Ensino de Geografia, no âmbito da ANPEGE, tem se constituído nesse sentido em espaço relevante de reflexão sobre o ensino da disciplina, tendo como referência a produção dessa temática na pesquisa e na pós-graduação, considerando a dimensão teórica que sustenta a elaboração dos currículos e a definição dos objetivos de ensino e suas temáticas específicas, notadamente a formação profissional, a teoria e o método, as diferentes linguagens, a cartografia escolar, as tecnologias da informação e comunicação, os diversos contextos e níveis de ensino. O objetivo do grupo é permitir a divulgação dos resultados de pesquisa nessa área e o debate dos fundamentos teóricos e das orientações metodológicas das investigações realizadas nessa linha, permitindo com isso maior aprofundamento nas argumentações e maior qualificação nas próprias investigações.
Coordenadorxs:
Flaviana Gasparotti Nunes (UFGD)
Tania Semene do Canto (UNICAMP)
Pablo Sebastian Moreira Fernandes (UFRN)
Gisele Girardi (UFES)
Verônica Carolina Hollman (UBA Argentina)

Este Grupo de Trabalho se constitui por pesquisadores que têm se dedicado a buscar novas perspectivas para a linguagem científica da Geografia na relação/encontro com outras linguagens, sobretudo imagéticas, tais com cinema, fotografia, artes plásticas, cartografia, entre outras. Objetivamos, a partir de pesquisas e trabalhos realizados com as linguagens imagéticas, trocar experiências, aprofundar temas e ampliar a discussão sobre os aportes teóricos, artísticos e filosóficos da ciência geográfica. Do mesmo modo, enfocamos a produção e experimentação em processos de criação/produção de imagens que tratam da espacialidade contemporânea que contribuam para outras possibilidades de produção de sentidos espaciais no âmbito da Geografia e da educação geográfica. Ressalta-se que nosso entendimento de educação em Geografia não se restringe às práticas pedagógicas do componente curricular da educação básica, e sim amplia-se para uma perspectiva mais ampla da educação como geradora de cultura, intercambiada com práticas espaciais. Destaca-se, igualmente, que as linguagens são aqui entendidas não estritamente como elemento de um processo de comunicação, mas como fundamento de um processo de criação, de produção de pensamento sobre o espaço. Neste sentido, um pressuposto coloca-se como basilar: a compreensão de que o trabalho geográfico faz uso de mecanismos simbólicos e linguísticos, bem como imagéticos, imaginativos e estéticos que reverberam em outras sensibilidades e pensamentos espaciais, potencializando outras narrativas geográficas.
Coordenadorxs:
Eduardo Donizeti Girotto (USP)
Élida Pasini Tonetto (UFRGs)
Najla Mehanna Mormul (UNIOESTE)
Ana Claudia Giordani (UFF)
Marcos de Oliveira Soares Masculino (UFSCAR)

O conjunto de políticas educacionais sob a égide da Gestão Pública contemporânea, somadas a Pandemia do Coronavírus/Covid-19 no Brasil têm alterado substancialmente a docência, a dinâmica e as práticas escolares nas diferentes regiões do país. Essas políticas têm reverberado nos currículos, nos materiais didáticos, na concepção de ensino e aprendizagem, nas avaliações padronizadas, nos usos do espaço escolar, entre outros aspectos, que afetam diretamente a formação inicial, continuada e o trabalho docente. Reduzida à lógica da reprodução técnica, essas políticas acabam por desadmoestar a educação geográfica e formação docente do reconhecimento das múltiplas espacialidades escolares, seus contextos, seus sujeitos, saberes e práticas. À vista disso, o GT visa reunir professoras(es)-pesquisadoras(es) da escola e da universidade para refletir sobre as diferentes temáticas acerca da geografia e educação, buscando reafirmar a escola enquanto espaço de produção de conhecimento e de disputa sobre a política educacional, além de enfatizar a importância da formação docente e da geografia que se ensina e se pesquisa para além da lógica prescritiva. Em síntese, o que se propõe é um espaço de reflexão coletiva e partilhada que tenha como ponto de partida a escola em sua materialidade complexa e suas espacialidades plurais em sentidos, formas e lutas.
Coordenadorxs:
Adriana Maria Andreis (UFFS)
Silvia Aparecida de Sousa Fernandes (UNESP/IPPRI)
Adolfo da Costa Oliveira Neto (UFPA)
Pedro Alvarez Cruz (UH - Cuba)
Carina Copatti (UFFS)

Este GT acolhe pesquisas que envolvam a interação/relação universidade e escola, considerando a educação para as/nas diversidades (educação popular, educação do campo, educação inclusiva, educação integral, educação de jovens e adultos) e educação geográfica, numa perspectiva de formação cidadã. A educação geográfica potencializa-se pelo diálogo com a pesquisa e a extensão na medida em que a formação acadêmica e a atuação docente são constituídas nesse complexo relacional, que se entrecruza com movimentos entre a universidade e a escola. Essas interações universidade-escola influenciam nos dimensionamentos e desdobramentos do complexo educacional, envolvendo professores, alunos e gestores, na Educação Básica, na Graduação e na Pós-graduação. Assim, os debates compreendem a educação geográfica a partir de temáticas que consideram perspectivas inclusivas e os saberes da ciência geográfica, para dialogar com os saberes da realidade, dos movimentos sociais, dos lugares e do mundo, discutindo alternativas para o enfrentamento dos desafios atuais que envolvem as pesquisas com esses enfoques. Exemplos de temáticas aceitas no GT, desde que, implicadas à educação geográfica: pesquisas que relacionam universidade e escola, considerando níveis de Graduação e Pós-graduação, projetos internacionais, nacionais ou regionais, tais como o Projeto Nos Propomos!, projetos que articulem ensino-pesquisa-extensão, dentre outros.
Coordenadorxs:
Raimundo Lenilde de Araújo (UFPI)
Maria Francineila Pinheiro dos Santos (UFAL)
Cristina Maria Costa Leite (UNB)
Marciléia Oliveira Bispo (UFT)
Clézio dos Santos (UFRRJ)

Análise das distintas relações e articulações entre a formação docente em Geografia e a Geografia Escolar, assim como a inter-relação entre o ensino de Geografia e a utilização do livro didático, no âmbito da Educação Básica. Discussão acerca dos Projetos pedagógicos nos cursos de licenciatura em Geografia e suas implicações na formação inicial docente. Análise da formação de professores a partir de referenciais teóricos afins, concepções curriculares contemporâneas e a legislação brasileira destinada a esse processo, em especial a BNCC e as novas orientações ao Ensino Médio. A importância e os desafios do estágio supervisionado para a formação inicial, comprometida com os anseios da docência na contemporaneidade. A prática profissional dos professores de Geografia da educação básica e os novos desafios dessa profissão. O livro didático, seu papel no ensino de Geografia e sua prevalência como um dos principais recursos didáticos utilizados no ensino dessa disciplina. A utilização do Livro Didático em tablets, e-books e similares. As novas possibilidades para o ensino de Geografia a partir da utilização de aplicativos e mídias digitais. A formação inicial e continuada em plataformas virtuais: limites e potencialidades, continuidades e rupturas. Formação continuada e sua relação com as demandas do mercado de trabalho e o desenvolvimento do conhecimento científico.
Coordenadorxs:
Denis Richter (UFG)
Marquiana de Freitas Vilas-Boas Gomes (Unicentro)
Ronaldo Goulart Duarte (UERJ)
Rosângela Lurdes Spironello (UFPel)
Paula Cristiane Strina Juliasz (USP)

Este GT objetiva reunir pesquisadores da área de Cartografia Escolar para conhecer, compartilhar e aprofundar as investigações que são desenvolvidas no âmbito dos Programas de Pós-Graduação em Geografia no Brasil. Os estudos relacionados à Cartografia Escolar apresentam uma contribuição significativa por estarem atrelados diretamente aos desafios da escola, seja no processo de ensino-aprendizagem dos alunos em relação à educação geográfica, como na formação inicial e continuada de professores. Hoje a presença da Cartografia Escolar está, de certa forma, bem fortalecida em propostas curriculares, livros e materiais didáticos, o que indica o alcance dessa temática para além dos espaços acadêmicos. Um dos fatores que pode ter contribuído para isto foi a diversidade temas relacionados à Cartografia Escolar, como por exemplo a Alfabetização e o Letramento Cartográfico, Geotecnologias e as Cartografias Digital, Inclusiva, Social e Imaginativa. Além dessas temáticas, temos observado a construção do debate acerca do pensamento espacial e do raciocínio geográfico atrelado aos estudos da linguagem cartográfica. Esses diferentes temas indicam as inúmeras demandas que esta área possui para contribuir no processo de ensino-aprendizagem da Geografia, seja no ensino formal ou não formal. Nesse sentido, este GT busca criar um espaço para possibilitar o contato e a socialização das múltiplas ideias sobre Cartografia Escolar entre os pesquisadores na perspectiva de contribuir para a formação inicial e continuada de professores de Geografia; identificar os diferentes temas e referenciais teóricos que são abordados nesta linha de pesquisa; reconhecer e debater sobre os avanços dos estudos da Cartografia Escolar no ensino de Geografia, desde a Educação Básica até o Ensino Superior; e fortalecer esta área de investigação a partir de discussões teórico-metodológicas na perspectiva de indicar novos desafios e fronteiras para o desenvolvimento científico da Geografia.
Coordenadorxs:
Valeria de Oliveira Roque Ascenção (UFMG)
Mugiany Oliveira Brito Portela (UFPI)
Rafael Straforini (UNICAMP)
Daniel Luiz Stefenon (Unicentro)
Paloma Miranda Arredondo (Usach - Chile)

"Está em ascensão o número de pesquisas pautadas na ideia de um raciocínio geográfico, contudo para além da indicação deste termo, faz-se necessário verticalizar as investigações com o objetivo de compreender sua composição, bem como o modus operandi ou a articulação entre seus componentes com o fim de produzir interpretações geográficas na educação básica, o que inclui a compreensão da mobilização do raciocínio geográfico por professores do ensino superior e básico, licenciandos em Geografia e alunos da educação básica. Neste GT- Teoria e Método na Educação Geográfica, admitimos que investigar sobre tal raciocínio exige abordagens de cunho epistêmico, teórico, metodológico e pedagógico. Ao apontar a potência do raciocínio geográfico para a educação geográfica, torna-se essencial o reconhecimento de que as investigações que o tomam como referência carregam divergências, mas também pontos de contato que versam sobre; i) a necessidade de uma sólida base epistemológica para sua mobilização; ii) a mobilização do raciocínio geográfico se debruça à compreensão de situações geográficas referentes à múltiplos fenômenos cotidianos; iii) possibilidade do trabalho com diferentes métodos e metodologias, pois refere-se ao objeto da ciência e permite a operacionalização por distintas visões de mundo; iv) o caráter imperativo das questões epistêmicas, metodológicas e do raciocínio geográfico para o desenvolvimento de práticas de ensino cujo fim seja a compreensão da espacialidade e, por fim;. v) raciocínio geográfico, epistemologia, métodos, metodologia e o debate curricular no ensino de Geografia. Ementa: Raciocínio Geográfico. Epistemologia e Educação Geográfica. Método e metodologias no ensino de Geografia. Currículo e Ensino de Geografia".
Coordenadorxs:
Emerson Ribeiro (UFPB)
Sandra De Castro De Azevedo (UNIFAL)
Glauciana Alves Teles (UVA)
Bartira Araújo Da Silva Viana (UFPI)
Evânio Dos Santos Branquinho (UNIFAL)

A sociedade moderna vai se decompondo nos traços da técnica, de uma materialidade produzida na opulência da cidade e do campo com suas tecnologias e seu objetos, que garante momentaneamente o espetáculo, como propagandas que corroem sem que o sujeito perceba a sua utilidade, o consumo, o fetiche, a alienação, a vida pautada no cotidiano, e esse em alta velocidade das redes, mexem com nossas emoções, sentimentos e pensamentos, querendo sempre nos tornar únicos, objetivos, mediar nossas vidas padronizadas para o consumo de objetos que nos dê e nos torne o diferente, para nos tornarmos iguais, porém com um único desígnio, mediar nossas vidas. E no contexto da pandemia há a intensificação desse processo, alterando as práticas socioespaciais, conduzindo-nos para o trabalho e o ensino remoto, acentuando as desigualdades. Entretanto, a arte desviada desse sentido pode ser um caminho para restituir as fragmentações, através do lúdico, do mesmo modo em relação ao espaço, recuperando o encontro, a reunião do diferente e do diverso. A Educação geográfica, dentro de uma perspectiva da produção do espaço, possibilita a compreensão das relações socioespaciais urbanas e rurais. Pensar o espaço geográfico pautado em uma perspectiva dialética é essencial para que o aluno entenda suas contradições, para isso as aulas de geografia não podem se limitar a contextualizar por meio de exemplos, é urgente um processo pedagógico que abarca a criatividade em geografia e as práticas que envolvem uma representação criativa que tratam do cotidiano no plano do vivido, enfocando o teórico e a prática alimentados pela pesquisa, a capacidade de observação, descrição e análise dos espaços e sua representação, o domínio de várias linguagens possíveis de serem usadas pela Geografia para que o aluno domine os conhecimentos geográficos para a transformação da sala de aula.
Coordenadorxs:
Almir Nabozny (UEPG)
Antonio Carlos Vitte (UNICAMP)
Francisco de Assis Gonçalves Junio (UFMT)
Luís Carlos Tosta dos Reis (UFES)
Marcia Alves Soares da Silva (UFMT)

A proposta desse Grupo de Trabalho é propiciar o desenvolvimento de discussões teórico-metodológicas e historiográficas acerca das múltiplas e recíprocas relações entre a Geografia, a Filosofia, a teoria do conhecimento científico e as artes – de modo que as perspectivas de abordagem da realidade (sob a forma de paradigmas, teorias, modelos, categorias e conceitos) se permitam examinar a partir de ângulos internalistas (linguísticos e lógico normativos) e externalistas (condições materiais de existência, valorativos e socioculturais). Busca-se contemplar os debates epistemológicos, ontológicos, gnosiológicos, de Sociologia da Ciências, metodológicos, bem como os procedimentos técnicos de pesquisas atinentes seja à Geografia Humana, seja à Geografia Física. Essas discussões podem ser desdobradas em distintos modos de análise, por exemplo: sistemas filosóficos e suas influências nos estudos geográficos (do materialismo ao humanismo); personagens e instituições promotoras do pensamento e da prática geográfica (teoria ator-rede); intercâmbios conceituais e metodológicos entre a Geografia e demais ciências; ensaios aproximativos entre a Geografia e as Artes; especulações ontológicas sobre a Natureza e o Espaço; modelagem abstrata e linguagens sistêmicas; fatores conjunturais (político-econômicos) e biográficos na produção científica em Geografia; percepção e representações simbólicas do espaço.
Coordenadorxs:
Mariana Araujo Lamego (UERJ)
Carlo Eugênio Nogueira (UFES)
Ana Cristina da Silva (UFG)
Sérgio Luiz Nunes Pereira (UFF)
Guilherme da Silva Ribeiro (UFRRJ)

No Brasil, o campo de pesquisas dedicado às histórias das geografias possui também sua história, afirmando-se de maneira inequívoca, nos últimos vinte anos, mediante a organização de eventos e investigações nos quais se consolidou a proposição de diversos caminhos teóricos e metodológicos para a análise do processo de produção, circulação, recepção e apropriação do conhecimento geográfico em variadas escalas. Ao efetuar um contínuo balanço sobre temas, problemas e personagens afeitos à Geografia, quer seja em uma visão dos conhecimentos produzidos em ambientes acadêmicos e escolares, quer seja em uma visão que busca incorporar à história da geografia fontes externas ao campo disciplinar, como formulações literárias, filosóficas, técnicas e científicas que dialogam com esses conhecimentos de alguma forma, evidencia-se, nos últimos anos, a consolidação de diversas redes conectando geógrafas, geógrafos e centros de pesquisa nacionais e internacionais, com destaque para as conexões continuamente feitas pela Rede Brasileira de História da Geografia e Geografia Histórica com as comissões setoriais existentes na União Geográfica Internacional e na Associação de Geógrafos Latino-americanos. Nesse contexto, incentivando a presença de uma pluralidade de enfoques teórico-metodológicos, o Grupo de Trabalho de História da Geografia visa reunir pesquisadoras e pesquisadores interessados na área e estimular o debate e a troca de experiências entre os participantes. Mesmo reconhecendo a relevância dos trabalhos voltados para a análise da geografia brasileira entre as pesquisas desenvolvidas, o GT não descura dos estudos dedicados à produção e circulação do conhecimento geográfico em diferentes países e contextos, abrigando trabalhos com diferentes enfoques e fontes documentais. Considerando o crescente interesse por tais investigações entre estudantes, professoras e professores, esperamos que os encontros da ANPEGE possam atuar como fóruns privilegiados para se discutir de forma consistente as práticas envolvidas no fazer e no pensar geográficos.
Coordenadorxs:
Alexandrina Luz Conceição (UFS)
Paulo Roberto Teixeira Godoy (UNESP)
Rogata Soares Del Gaudio (UFMG)
Manoel Fernandes de Sousa Neto (USP)
Suzane Tosta Sousa (UESB)

A Geografia na construção e produção histórico-social do conhecimento. As matrizes filosóficas nas orientações teórico-metodológicas em geografia. Conceitos e Categorias em geografia e suas diversas apropriações. As dimensões teóricas do método. Questões relativas ao método e à construção do conhecimento geográfico acadêmico e escolar. Relação teoria e prática em geografia.
Coordenadorxs:
Edivaldo Lopes Thomaz (Unicentro)
Márcia da Cunha (UFJ)
Dorisvalder Dias Nunes (UNIR)
Lara Pires Weissböck (Unicentro)
Michel Watanabe (UNIR)

Grosso modo, a Ciência visa a uma realidade, com o objetivo de descrever, explicar e compreender. Nesta segunda década do século XXI, a Geografia apresenta-se como uma ciência multiparadigmática. Dessa forma, os estudos geográficos podem ser abordados por diferentes teorias: Ciências espacial, Realismo Crítico, Geografia Humanística e Geografias Pós-estruturalistas. Isso implica em bases Ontológicas e Epistemológicas distintas na investigação científica para colher evidências sobre a realidade, sejam essas evidências sobre a realidade, sejam essas evidências de natureza qualitativa ou quantitativa. Por fim, na lógica da investigação científica o método é elemento central no contexto da justificação. Ou seja, método é fundamental para o estabelecimento de critérios de validação acerca do objeto investigado. Portanto, o objetivo do presente GT é discutir os diferentes métodos por Mestrandos(as) e Doutorandos(as) da pós-graduação, seja na Geografia Física, Humana ou Ambiental.
Coordenadorxs:
Valter do Carmo Cruz (UFF)
Denílson Araújo de Oliveira (UERJ)
Mônica Cox de Britto Pereira (UFPE)
Juliana Grasiéli Bueno Mota (UFGD)
Jorge Ramón Montenegro Gómez (UFPR)

O fim do colonialismo na América Latina como relação econômica e política de dominação na segunda metade do século XIX, não significou o fim da colonialidade como relação social, cultural e intelectual . Longe de ser algo irrelevante, a colonialidade ( nossa experiência colonial e sua herança) é um resíduo irredutível e arraigado na nossa formação socioespacial, manifestando-se das mais variadas maneiras em nossas instituições políticas e acadêmicas, em nossas práticas de sociabilidades autoritárias, em nossa memória, linguagem, imaginário social e subjetividade e, consequentemente, na forma como produzimos conhecimento. Descolonizar o saber, o pensamento e, portanto, a ciência geográfica implica no desafio da construção de epistemologias outras que estejam vinculadas às experiências, às dores, aos sofrimentos, as lutas e as r-existências da enorme diversidade dos grupos e lugares/ territórios que foram/são vítimas do processo colonial (povos indígenas, camponeses, comunidades tradicionais, grupos urbanos periféricos etc ); implica na construção de “epistemologias do sul” ou “epistemologias fronteiriças”. Descolonizar impõe também o desafio da criação de novas metodologias e linguagens. Não bastam teorias/conceitos descoloniais, precisamos construir metodologias outras, mais horizontais, que permitam o diálogo entre distintos saberes e matrizes de racionalidades. A descolonização passa por novas práticas de pesquisa, mas também por novas práticas de ensino, por pedagogias outras, pedagogias descoloniais. Esses desafios suscitam questionamentos tais como: como construir uma pesquisa geográfica em chave descolonial? Quais são as potências e os limites dessa nova orientação epistêmica, metodológica e ético-política, especialmente, em tempos de pandemia? Quem está construindo essas pesquisas? A partir de que territórios, trajetórias, experiencias e sujeitos? Este grupo de trabalho pretende reunir esforços teóricos, metodológicos, pedagógicos e temáticos que apontem na direção da descolonização dos saberes geográficos e no fortalecimento do pensamento crítico, mas também pretende reunir sujeitos que articulam na pesquisa geográfica uma corpo-política do conhecimento outra que expressam uma universidade mais diversa e democrática.
Coordenadorxs:
Ana Carolina Gonçalves Leite (UFPE)
Heinz Dieter Heidemann (USP)
Vicente Eudes Lemos (UNICAMP)
Allan Rodrigo de Campos Silva (UNICAMP)
Erick Gabriel Jones Kluck (UFES)

Com esse GT, propomos colocar em diálogo crítico pesquisas em geografia e áreas afins que tratam da reprodução das relações sociais capitalistas, do seu processo de constituição à crise sistêmica hoje em curso, a partir de uma crítica categorial que busca problematizar o sentido dessa socialização, tomando em conta o nexo da forma valor em ligação intrínseca com o racismo e o patriarcado, em suma, o valor- dissociação. Interessa ainda que as análises deem ênfase para a totalidade concreta, relacionando-se criticamente com procedimentos lógico-dedutivos, e, assim, permitam tomar em conta as particularidades engendradas nos processos de mobilização do trabalho e de territorialização do capital, nas diferentes escalas espaciais e dimensões socioeconômicas que eles produzem. Sugerimos, então, uma oportunidade de discussão conjunta para questões geralmente restritas a campos cindidos, como os estudos urbanos, agrários, regionais, territoriais, culturais, econômicos e/ou da população, apenas para darmos alguns exemplos, tendo como o fio da meada a crítica categorial do capital como relação em processo, cuja crise e ficcionalização hodiernas culminam na generalização da barbárie. Igualmente, sugerimos uma oportunidade para discutir relações particulares experimentadas por sujeitos-sujeitados que personificam processos sociais na cidade, no campo, em territorialidades transnacionais, nos movimentos sociais e até na condição de estudantes e pesquisadores uma vez que elas são mediadas pela totalidade fragmentária constituída pelo valor-dissociação e, assim, são passíveis de problematização crítico categorial.
Coordenadorxs:
Jeani Delgado Paschoal Moura (UEL)
Luciene Cristina Risso (UNESP)
Jamille da Silva Lima (UNEB)
Gustavo Silvano Batista (UFPI)
Eduardo Marandola Jr. (UNICAMP)

Com as transformações que temos vivido de forma mais intensa com a consolidação da globalização, tem havido uma série de “viradas” nas ciências humanas e sociais (espacial, linguística, cultural, etc.) em busca de aportes para compreensão de tais transformações. Na Geografia, estas viradas reforçam a busca por filosofias que ajudem a pensar nosso tempo. Entre estas, a fenomenologia tem recebido interesse renovado por parte dos geógrafos, talvez porque a geografia e a fenomenologia tenham, por caminhos diferentes, a mesma busca: a compreensão da experiência humana na Terra. Este entendimento tem fundamentado investigações em diferentes temas que perpassam a experiência geográfica de mundo, ou, a experiência do ser-no-mundo. Esta é uma perspectiva teórico-metodológica que compreende os fenômenos geográficos a partir de sua manifestação na experiência, circunstanciada existencial e geograficamente. A experiência é, portanto, o horizonte no qual os símbolos, as identidades, as imagens e as imaginações se manifestam. Mas ela é também o fundamento epistemológico de investigação de uma geografia orientada pela fenomenologia. Esta, no entanto, não é unívoca, apresentando diferentes caminhos para se construir possibilidades de investigação geográfica, mas, permeados por reflexões na experiência, seja em sentido metodológico, seja em repensar a experiência contemporânea, particularmente, na atual conjuntura de pandemia da Covid-19 e do acúmulo de crises provocadas pelas políticas neoliberais, com reverberações na vida cotidiana e no agir prático. O objetivo deste Grupo de Trabalho é promover a discussão das possibilidades abertas pela fenomenologia (em sua multiplicidade interna e em seus diálogos com outras filosofias, como o pós-estruturalismo, a filosofia da diferença, os estudos feministas, o existencialismo, a hermenêutica, o pensamento latinoamericano, o decolonialismo, filosofia africana, entre outras) para a compreensão da experiência geográfica. Serão priorizados trabalhos que problematizem os fundamentos teóricos desta relação, de natureza epistemológica, ontológica e ética, além de trabalhos de investigação compreensiva de temas/problemas a partir destes aportes.
Coordenadorxs:
Doralice Satyro Maia (UFPB)
Marcelo Werner da Silva (UFF)
Maria Isabel de Jesus Chrysostomo (UFV)
Eneida Maria Souza Mendonça (UFES)
Glauco Bruce Rodrigues (UFF)

A proposta do Grupo de Trabalho Geografia Histórica é enfatizar a importância das relações entre espaço e tempo, a partir das contribuições de uma Geografia que considere a perspectiva histórica, valorizando além da espacialidade, a temporalidade. Parte-se do entendimento de que a Geografia que tem como objeto a análise espacial, não pode ser feita unicamente no presente, necessitando considerar o espaço como a “acumulação desigual de tempos”, nas palavras de Milton Santos, rompendo portanto com a ditadura do presente nos termos de Mauricio de Abreu. A Geografia Histórica realiza análises espaciais sincrônicas- de períodos específicos do tempo - e diacrônicas - considerando as transformações espaciais através do tempo, podendo combinar ambas as possibilidades. Através da conexão entre tempo e espaço é possível desvendar processos e formas espaciais resultantes da ação humana em seu processo de territorialização. As marcas presentes na paisagem são pistas que revelam como a análise combinada destas dimensões é frutuosa para elucidar as diversas técnicas sociais que se cristalizam nas formas de habitar, de circular e produzir. É, a paisagem, como assinala Alain Corbin, o resultado da sedimentação de leituras sucessivas, um palimpsesto. A temporalidade da ação constitui a História como uma dimensão da realidade, que adquire materialidade com a aderência ao espaço. A Geografia Histórica, com longa tradição nas Geografias de matriz inglesa e francesa, também conta com uma expressiva produção no Brasil. Assim, como ocorre no âmbito da UGI, percebe-se a necessidade de congregar pesquisadores em um fórum adequado para debater as perspectivas teóricas e metodológicas que remetam à análise do espaço em tempos pretéritos, tendo em vista a necessidade de conhecer e formalizar novos intercâmbios científicos com os pesquisadores que se devotam às pesquisas no campo de Geografia Histórica.
Coordenadorxs:
Marcelo Lopes de Souza (UFRJ)
Adriana Filgueira Leite (UFF)
Luciano Zanetti Pessôa Candiotto (UNIOESTE)
Rebeca Steiman (UFRJ)
Márcia Aparecida da Silva Pimentel (UFPA)

Ecologia Política e Geografia Ambiental constituem campos extremamente próximos, a despeito de suas particularidades. Enquanto a Ecologia Política vem se afirmando, desde a década de 1970, como um campo interdisciplinar (e, idealmente, também uma práxis emancipatória) cuja ambição é, justamente, “desnaturalizar” e politizar criticamente a problemática ambiental, a Geografia Ambiental, de sua parte, busca a promoção de um diálogo de saberes no interior da Geografia, construindo o objeto de conhecimento de modo a desafiar o fosso epistemológico, teórico e metodológico entre o estudo da natureza e o da sociedade. O GT almeja contribuir para a convergência de esforços de pesquisa (e ativismo) que, na Geografia brasileira, girem em torno de problemas socioecológicos, tais como riscos, vulnerabilidade, contaminação e desastres ambientais, situações de injustiça ambiental, análise crítica da legislação ambiental e seus efeitos, exame de ativismos e conflitos ambientais, exemplos de colaboração entre técnicos/pesquisadores e movimentos sociais, discussão de políticas públicas e seus instrumentos, e assim sucessivamente. Experiências envolvendo análises e desafios político-intelectuais nos mais diversos tipos de contexto/escala espacial, considerando agentes modeladores do espaço e relações de poder envolvidas, são muito bem-vindas, como por exemplo:  Resistência de populações tradicionais (caiçaras, quilombolas, indígenas, ribeirinhos, faxinalenses etc.) e suas práticas espaciais.  Situações de racismo ambiental em áreas rurais e urbanas (de pequenas e médias cidades a metrópoles).  Problemas e gargalos da legislação, do licenciamento, do planejamento e da gestão ambiental e territorial.  Instrumentalização conservadora de argumentos “ecológicos” com fins de reorganização espacial.  Dimensão política, econômica e/ou cultural da criação de áreas ambientalmente protegidas e do processo de uso e ocupação do espaço.  Relações entre segregação residencial e problemas ambientais.  Quadros de injustiça ambiental e lutas por justiça ambiental.  Riscos, vulnerabilidade e desastres ambientais.
Coordenadorxs:
Carlos Alexandre Leão Bordalo (UFPA)
Flávio Rodrigues Nascimento (UFC)
Wagner Costa Ribeiro (USP)
Célia Alves de Souza (UNEMAT)
Paulo Cesar Rocha (UNESP)

A água é um dos elementos e recurso natural (r.n) mais demandados, apropriados, usados e disputados em diversas e múltiplas escalas, no mundo e na América Latina. Aportes crescentes por este recurso reforçam a natureza dos problemas geográficos e ambientais emergentes e da disputa conflitiva que as envolvem vários setores econômicos - cada vez mais globalizados-, e de diferentes segmentos e movimentos da sociedade. Este r.n renovável, porém, exaurível, é impactado por ações socioeconômicas que lhe conferem degradação, reduzindo-lhe a higidez utilizável em intervalos de espaço e tempo frequentemente mais curtos. As formas de utilização e apropriação da água, ao contrário do que ocorre com a maioria de outros recursos naturais que desaparecem com o uso, produzem modificações sensíveis em seus aspectos quali-quantitativos, impactando as bacias hidrográficas (bh), seus rios e ecossistemas associados. A América Latina, e o Brasil, em particular, são drenados por alguns dos principais e maiores sistemas hidrográficos e transfronteriços do mundo (como as bacias dos Rios: Amazonas, Prata e o Orinoco), resguardando os maiores aportes de águas superficiais e hidrogeológicos do planeta (a ex. dos Aquíferos Guarani e Alter do Chão). Em tempos de pandemia de Covid-19, vale ressaltar que: desde o consumo humano e a dessedentação animal, à água como insumo produtivo, vital à saúde humana ou mesmo eu seu contexto na geomorfologia fluvial, este elemento deve ser tomado como referencial geográfico de análise. Para tanto, se faz necessário destacar os estudos da hidrogeografia e das b.h para o planejamento de ações de gestão das águas e gerenciamento dos recursos hídricos; assim como ao ordenamento e gestão dos territórios, face apropriação e os conflitos pelo uso da água na América Latina.
Coordenadorxs:
Francisco Mendonça (UFPR)
Josefa Eliane Pinto (UFS)
Gislaine Cristina Luiz (UFG)
Raul Reis (UNICAMP)
Antonio Carlos Oscar Junior (UERJ)

O GT Problemática Socioambiental Urbana foi criado em 2009 e aglutina professores, pesquisadores e estudantes em torno da abordagem dos problemas derivados da interação socieidade-natureza nas cidades. Ele envolve, portanto, perspectivas integradas da geografia física e da geografia humana no tratamento de problemas socioambientais urbanos, tais como: a) concepções teórico-metodológicas dos estudos sobre o socioambiente urbano; b) planejamento e gestão socioambiental urbana; e) qualidade e condições de vida na cidade; f) resíduos sólidos, questão hídrica, conforto ambiental e qualidade do ar, áreas verdes urbanas, violência e favelização urbana, etc.
Coordenadorxs:
Margarete C. de Costa Trindade Amorim (UNESP)
José Carlos Ugeda Junior (UFMT)
Edson Soares Fialho (UFV)
Ranyére Silva Nóbrega (UFPE)
Marcelo de Oliveira Moura (UFPB)

As pesquisas e estudos que versam sobre o clima urbano, através de distintas concepções das relações sociedade natureza, diversificaram-se e ampliaram-se, sobretudo nas últimas três décadas. Tais ampliações e diversificações estão ancoradas em inovações teóricas, metodológicas e técnicas, destacando-se as novas tecnologias que permitiram maior capacidade de registro, análise e interpretação de dados, tanto através de estações ou miniestações meteorológicas de superfície, como também através de inovações em produtos de sensoriamento remoto. Tais inovações permitiram por sua vez, ampliar a compreensão do clima urbano em múltiplas escalas de análise. Nessa perspectiva, no Brasil, assim como em diversos outros países do mundo, estudos sobre o clima urbano multiplicaram-se, e começaram a absorver também realidades ainda pouco estudadas, como as existentes em cidades médias e pequenas. Sendo assim, o GT “Os climas das cidades e as relações sociedade/natureza” tem como objetivo aprofundar o debate sobre teoria, métodos, procedimentos, técnicas e novas tecnologias, sobretudo a partir dos seguintes temas: Escalas de estudo da climatologia urbana. Inovações técnicas e tecnológicas para o estudo do clima urbano. Fenômeno de ilhas de calor e frescor no ambiente urbano. Influência dos espaços verdes no clima da cidade. Variações térmicas e higrométricas e conforto térmico nas cidades. Qualidade do ar nas cidades e saúde. Impactos pluviais nas cidades: inundações, alagamentos, escorregamentos. Clima urbano, risco e vulnerabilidade. Consequência das mudanças climáticas nas cidades. Clima e planejamento urbano. Clima e desigualdades socioambientais urbanas.
Coordenadorxs:
Diógenes Felix da Silva Costa (UFRN)
Sueli Angelo Furlan (USP)
Pedro Murara (UFFS)
Mauro Henrique Soares da Silva (UFMS)
Rita Montezuma (UFF)

O objetivo desta proposta é reunir, no âmbito da ANPEGE, pesquisadores que utilizam do conhecimento geográfico para o desenvolvimento de suas investigações em Biogeografia. Neste sentido, buscar-se-á apresentar as experiências de pesquisas em temas como: Biogeografia e potencialidades paisagístico-territoriais. Dinâmica e conservação de paisagens tropicais. Biogeografia e Geografia da Conservação. Monitoramento ambiental, serviços ecossistêmicos, áreas protegidas e cartografia ambiental. Ecologia da paisagem e geoecologia em suas aplicações biogeográficas. Biogeografia urbana: abordagens multiescalares. Biogeografia histórica em suas diversas temporalidades: paleobiogeografia e paleoambientes. Teorias biogeográficas e modelos de aplicação em trabalhos de campo e experimentais. Aplicações de ferramentas computacionais na análise biogeográfica e geoecológica. Aplicações de geotecnologias na análise biogeográfica e geoecológica. Zoogeografia, modelagem espacial de habitats e desenhos de conservação. Neste contexto, serão bem vindas discussões teóricas, metodológicas e empíricas no presente grupo de trabalho visando a proposta do GT que é agregar um grupo de pesquisadores dedicados a investigações biogeográficas e a convergência de esforços para a integração das diferentes abordagens da Biogeografia.
Coordenadorxs:
Adriano Figueiró (UFSM)
Maria Ligia Cassol Pinto (UEPG)
Marco Túlio Mendonça Diniz (UFRN)
Adriano Simon (UFPEL)
Valdir Adilson Steinke (UNB)

O Geopatrimônio corresponde ao conjunto dos elementos do meio abiótico (geológicos, geomorfológicos, hidrológicos e pedológicos) e seus sistemas paisagísticos associados que, em função do seu valor científico, educacional, ecológico ou cultural, necessita de estratégias próprias de conservação e divulgação, garantindo sua existência às futuras gerações como uma herança coletiva. Surgida dentro das Ciências da Terra a partir dos anos 90, pela necessidade de incorporar a riqueza geopatrimonial do planeta ao debate e nas estratégias conservacionistas mundiais, a área da Geoconservação foi, progressivamente, recebendo um aporte cada vez maior dos profissionais da Geografia, que identificam no geopatrimônio mais que um testemunho a ser preservado sobre a história geológica da Terra, mas, também, um registro histórico dos processos de interação e adaptação cultural dos homens às condições da superfície do planeta. É por incorporar as diferentes formas de manifestação cultural e social associadas ao patrimônio natural, que a Geoconservação rompe com as clássicas teorias conservacionistas ao propor estratégias de uso sustentável como a criação de Geoparques. Estes, representam uma das propostas mais exitosas em todo o mundo, aliando a conservação do patrimônio do meio abiótico aos processos de desenvolvimento local dos territórios, por meio do Geoturismo e das atividades educativas e de divulgação. Dessa forma, o GT de Geopatrimônio e Geoconservação se propõe a ser um espaço de debate e reflexão acerca da contribuição da pesquisa em Geografia não apenas no desenvolvimento de métodos e técnicas de inventariação, interpretação e proteção do Geopatrimônio existente no território brasileiro, como também na análise e proposição de estratégias de uso sustentável deste patrimônio com vistas ao fortalecimento da identidade dos territórios e promoção do desenvolvimento endógeno.
Coordenadorxs:
João Osvaldo Rodrigues Nunes (UNESP)
Caio Augusto Marques Dos Santos (UFR)
Melina Fushimi (UEMA)
Leda Correia Pedro Miyazaki (UFU)
Quésia Duarte Da Silva (UEMA)

Os conhecimentos vinculados ao estudo das dinâmicas de formação, transformação e apropriação do relevo tem possibilitado a compreensão dos processos naturais e sociais, bem como suas inter-relações, que geram alterações deixando marcas e registros na paisagem que se manifestam em forma de degradações ambientais. Ao conhecer minuciosamente as características físicas, os aspectos socioterritoriais e as dinâmicas geradoras dos impactos ambientais é possível determinar quais são as metodologias e as técnicas adequadas a serem executadas, conforme o nível de alteração do ambiente, para evitar ou solucionar os problemas decorrentes. Importante destacar, que ao abordar as técnicas estamos também nos relacionando aos ambientes de forma integrada, inseparável e dialética, no qual a interação técnica-ambiente pode resultar em processos de degradação do relevo ou rugosidade, que por sua vez “...não podem ser apenas encaradas como heranças físicoterritoriais, mas também como heranças socioterritoriais ou sociogeográficas” (SANTOS, 2006, p. 25). Assim, este GT tem por objetivo reunir pesquisadores que tenham interesse em discutir e apresentar resultados de pesquisas que abordam a temática da “Geomorfologia-Geográfica e Aplicação de Técnicas de Recuperação de Áreas Degradadas”, a fim de compreender as interrelações entre as dinâmicas da sociedade e da natureza, os impactos resultantes, além de apresentar técnicas efetivamente capazes de recuperar áreas degradadas. Além disso, é fundamental debater as diversas experiências de recuperação de áreas degradadas, mostrando as técnicas e os resultados obtidos com as medidas implementadas nos ambientes, possibilitando a troca de conhecimentos e informações entre os participantes. Nesse sentido, propõe-se ampla possibilidade de discussões sob o contexto da Geografia e da Geomorfologia, uma vez que as áreas degradadas abrangem diversos fenômenos, como processos erosivos, enchentes, inundações, alagamentos, movimentos de massa, dentre outros.
Coordenadorxs:
Davis Pereira de Paula (UECE)
Flavia Moraes Lins de Barros (UFRJ)
Norberto Olmiro Horn Filho (UFSC)
Lidriana de Souza Pinheiro (UFC)
Tânia Marques Strohaecker (UFRGS)

Este GT constitui um espaço de interlocução de pesquisadores com diferentes interesses na temática associada a Geografia Costeira e Marinha, em que se busca discutir conceitos, métodos, fenômenos, processos e dinâmicas a partir de uma abordagem holística das dimensões física, social e ecológica. Muehe (2020), em seu artigo “A posição da Geografia nas ciências marinhas”, traz reflexões importantes sobre a integração dos saberes para formação desse importante ramo da ciência geográfica. Essa publicação, bem como outras, está organizada no livro eletrônico Geografia marinha: oceanos e costas na perspectiva de geógrafos, organizado pelos professores Dieter Muehe, Flavia Moraes Lins-de-Barros, Lidriana de Souza Pinheiro e publicado em 2020. A publicação está disponível para download em https://drive.google.com/file/d/1kC53ZLBkJbR1HDJc0LyTdFBgNUYH7NCZ/view. Desse modo, o GT se propõe a discutir temas como: a) os impactos costeiros e marinhos; b) a vulnerabilidade costeira face a ocupação e as mudanças climáticas; c) riscos costeiros e sua gestão; d) morfodinâmica de ambientes costeiros e marinhos; e) ressacas do mar, erosão e inundação marinha; f) métodos e técnicas de detecção da variação da linha de costa; g) aspectos físicos do espaço costeiro e marinho, com ênfase aos processos aerodinâmicos, hidrodinâmicos e geoestruturais; h) planejamento costeiro e marinho; i) gestão de ambientes costeiros e marinhos; j) mapeamento de paisagens marinhas, Geohabitats, reservas biológicas e áreas de proteção ambiental; k) geomorfologia submarina; l) processos morfossedimentares costeiros; m) uso e ocupação das áreas costeiras e marinhas e potenciais alterações na sua dinâmica; n) regionalização costeira e oceânica; o) conflito de uso dos recursos costeiros e marinhos; p) SIG aplicado aos estudos costeiros e marinhos. Os temas norteiam e estruturam o GT, porém outras ramificações podem surgir a fim de agregar conhecimento e ampliar o desenvolvimento do tema central da proposta.
Coordenadorxs:
Neise Mare de Souza Alves (UFS)
André Luiz Carvalho da Silva (UERJ)
Luiz Carlos Araújo dos Santos (UEMA)
Marco Antonio Tomasoni (UFBA)
Sérgio Cadena de Vasconcelos (PUC Rio)

A zona costeira enquanto espaço de interface continental e marinha proporciona interações entre as forçantes das dinâmicas costeira e fluvial. O GT busca congregar pesquisadores para discutir sobre estudos relacionados às temáticas: Análise integrada das unidades de paisagem costeira e de sistemas fluviais. Processos dinâmicos e morfologias associadas aos ambientes costeiros e fluviais. Bacias hidrográficas, gestão da água e conflitos. Metodologias aplicadas aos estudos costeiros e fluviais. Diagnóstico e monitoramento para a conservação ambiental. Apropriação dos recursos naturais e repercussões na dinâmica da paisagem.
Coordenadorxs:
Grace Bungenstab Alves (UFBA)
José João Lelis Leal de Souza (UFV)
Márcia Regina Calegari (UNIOESTE)
Caroline Delpupo Souza (IFMG)
Sheila Aparecida Correia Furquim (USP)

O solo é entendido como um componente síntese e agente da paisagem. Pode ser considerado como um testemunho da história da paisagem e de seus povos. Também pode ser entendido como uma janela para o passado e uma ferramenta para compreensão e apreensão dos processos do presente, subsidiando o planejamento para o futuro, com vistas a um melhor uso e ocupação da terra pela sociedade. O solo é o resultado da interação entre o material de origem, a topografia, os organismos, dentre eles a atividade humana, e o clima, ao longo do tempo, sendo visto neste grupo trabalho em suas mais diferentes perspectivas e escalas de análise. Desta forma, nos propomos fomentar discussões relacionadas a temas de interesse da Geografia, tais como: a) distribuição e padrões de solos na paisagem; b) mapeamento e classificação de solos; c) pedogênese e indicadores de mudanças ambientais; d) organização e funcionamento dos solos na paisagem; e) interações pedogeomorfológicas; f) impactos ambientais mensurados a partir do solo; g) etnopedologia e conhecimentos tradicionais como forma de apropriação do espaço; h) pedoarqueologia, produção de solos por comunidades ancestrais; i) SUITMAs, que englobam solos de áreas urbanas, industriais e mineradas. Tais discussões partem da Rede SOPA (Rede de Estudos Avançados em Solo e Paisagem), uma rede de pesquisadores e instituições que visa promover, aperfeiçoar e ampliar o conhecimento sobre os solos na Geografia.
Coordenadorxs:
Carlos Eduardo Santos Maia (UFG)
Rosane Balsan (UFT)
Rosemere Santos Maia (UFJF)
Mary Anne Vieira Silva (UEG/TECCER)
José Lidemberg de Sousa Lopes (UNEAL)

O presente GT iniciou-se em 2011 com o título “Espaço e cultura: sustentabilidade cultural, paisagens culturais e espaços festivos”. Ao longo destes anos, fizemos adaptações e alterações em seu nome a fim de atrair pesquisadores(as) interessados(as) em discutir temas relacionados à Geografia Cultural sob diversos prismas teóricos, conceituais e metodológicos. Em 2019, o GT teve como nome “Geografia dos Costumes, Tradições, Festas, Lazeres, Vestimentas e Performances”. Agora, em 2021, queremos enfatizar aquelas (re)codificações e (res)significações sazonais ou eventuais que ocorrem em instâncias familiares, comunitárias, regionais, nacionais ou globais; bem como o intangível que emerge e se manifesta em cada uma delas. O intangível é prenhe de cargas emocionais e afetivas capazes de redimensionar a materialidade de paisagens e territórios. As textualidades de “cenários”, corporeidades, encenações, fronteiras, imagens, imaginações, memórias, modas, narrativas, resiliências, rituais, vestimentas e sensações (visuais, auditivas, olfativas, táteis, gustativas) oferecem um rico campo para escavações do intangível e das materialidades. Notam-se, em diversos eventos ou fatos sazonais, alterações na percepção de materialidades através do sentido dado às celebrações e às manifestações de tradições (“inventadas” ou “autênticas”, religiosas ou laicas), bem como pelas práticas espaciais implicadas. Em tais eventos ou fatos sazonais são forjadas ou afirmadas identidades, identificações, alteridades, lutas, resistências e negociações mediante sentimentos diversos, tais como: fé, exaltação, luto, deleite, amor, ódio, etc. Nesta edição, serão aceitos trabalhos que partam de estudos de caso, análises comparativas, etnogeografias, autobiografias e abordagens netnográficas, dentre outros procedimentos que se utilizam de diversas técnicas e instrumentos de pesquisa, procurando favorecer a interlocução da Geografia com outras disciplinas das Ciências Humanas e Sociais, dada a necessidade de se interpretar o intangível e as materialidades a partir de abordagens que não os aprisionem em caixas herméticas.
Coordenadorxs:
Lindon Fonseca Matias (UNICAMP)
Andrea Aparecida Zacharias (UNESP)
Emanuel Lindemberg Silva Albuquerque (UFPI)
Andreia Medinilha Pancher (UNESP)
Karla Maria Silva de Farias (UFG)

A Cartografia, ao longo de sua história, passou por várias transformações quanto ao nível de concepção, área de abrangência e campo de atuação. A partir do avanço da informática e dos recursos computacionais, a automação nos mapas possibilitou um conjunto de atributos cartográficos inovadores, a exemplo dos Sistemas de Informação Geográfica. A inserção das novas Geotecnologias, associadas ao sistema global de redes de computadores, tem, sistematicamente, modificado as formas de criar, estruturar, armazenar, manipular, analisar, distribuir, bem como comunicar e visualizar as diferentes representações espaciais. Dessa forma, o uso de geotecnologias tem ampliado as perspectivas desta área do conhecimento, quer através do uso de dispositivos móveis, como tablets e smartphones, ou dos produtos derivados de Veículo Aéreo Não Tripulado (VANT), da mesma forma em que as diferentes técnicas de mensuração para a análise espacial têm sido utilizadas na produção e análise de indicadores sociais e ambientais. Por isso, urge que se debatam questões teórico-conceituais, metodológicas e operacionais presentes nos estudos geográficos, enfatizando, em particular, o papel das Geotecnologias e de métodos de representação voltados para a análise espacial. Pretende-se, neste eixo de discussão, agregar contribuições científicas compostas por diálogos que envolvam a temática em epígrafe, a partir do viés da: I) cartografia de paisagens na síntese do ambiente; II) cidades, planejamento urbano e ordenamento territorial; III) diferentes métodos de representação espacial; IV) desenvolvimento e aplicação de indicadores socioambientais; V) cartografia das áreas de riscos e vulnerabilidade socioambiental; VI) bacias hidrográficas e Áreas de Proteção Ambiental; VII) zoneamentos ambientais e mapeamentos do uso da terra; VIII) temas diversos tratados na perspectiva urbano-espacial, como violência, pobreza, segregação, economia, demografia, água, áreas verdes, entre outros; IX) geovisualização e mapas multimídias interativos na análise da informação espacial.
Coordenadorxs:
Fábio Marcelo Breunig (UFSM)
Gabriel Pereira (UFSJ)
Tony Vinícus Moreira Sampaio (UFPR)
Ericson Hideki Hayakawa (UNIOESTE)
Romário Trentin (UFSM)

Os Sistemas de Informações Geográfica (SIGs) e o sensoriamento remoto, além das demais ferramentas que constituem as geotecnologias consolidaram-se como inerente ao exercício das atividades dos geógrafos. Nos últimos anos, com o lançamento de inúmeros instrumentos imageadores a bordo de satélites, aeronaves tripuladas ou não tripuladas, a exemplo das RPA (Aeronaves Remotamente Pilotadas), bem como, a implementação de novas ferramentas nos SIGs, a expansão do uso da linguagem de programação, a manipulação de grande quantidade de dados, dentre outros têm sido amplamente aplicados. Isto favorece as diferentes áreas da geografia e, muitas vezes suprime a dicotomia geografia física-humana. Porém, no caso do sensoriamento remoto, se de um lado, as diferentes resoluções espaciais, espectrais, radiométricas e temporais dos novos sensores remotos potencializaram a aplicação do sensoriamento remoto, de outro lado, problematizaram principalmente na correta utilização das técnicas e métodos. A mesma complexidade é observada no uso dos SIGs, em que a atual disponibilidade de dados deve estar em consonância com análises estatísticas pertinentes, e que gradualmente tem disseminado o uso de aplicativos alternativos, como, por exemplo, o uso do ambiente R para elaboração de mapas temáticos. Assim, uma formação que esteja atualizada às novas formas de abordagem em termos de ferramentas e técnicas é essencial para assegurar resultados confiáveis. Dado o crescimento da comunidade de geógrafos que fazem uso das ferramentas supracitadas, este grupo de trabalho propõe-se a criar um espaço para discussão e reflexão sobre a conjuntura atual do SIG e Sensoriamento remoto na Geografia e demais ferramentas e técnicas.
Coordenadorxs:
Erika Collischonn (UFPel)
Cássia de Castro Martins Ferreira (UFJF)
Charlei Aparecido da Silva (UFGD)
Emerson Galvani (USP)
Natacha Cintia Regina Aleixo (UFAM)

Observa-se, no âmbito da Geografia brasileira, após o ano de 2000, um crescimento dos grupos de pesquisas cujos objetivos tem se dedicado ao estudo do clima em todo o território nacional. Esse crescimento vincula-se a criação de programas de pós-graduação em Geografia e o processo de expansão do ensino superior, principalmente no interior do Brasil. Nas últimas duas décadas assim observou-se o surgimento de novas temáticas e proposições nos estudos da climatologia brasileira, as quais vieram acompanhas da utilização de novas técnicas, metodologias e o uso de equipamentos para aferição de dados e informações. Neste contexto o GT “Análise geográfica do clima” visa fomentar o debate acerca de aportes teóricos, metodológicos e técnicos, tendo como escopo: Estudos teóricos e aplicados em Climatologia Geográfica. A compreensão das relações da interface superfície-atmosfera na gênese do clima e dos tipos de tempo. A articulação das escalas do clima: do local ao global. A Climatologia e as novas tecnologias. O uso de softwares e o desenvolvimento de equipamentos. O clima no contexto das políticas públicas. O clima: o uso e a gestão do território. Variabilidade climática. Vulnerabilidade climática e impactos socioambientais. Eventos climáticos extremos e suas repercussões na sociedade. Clima e ensino. Clima e saúde. Mudanças climáticas e temas contemporâneos.
Coordenadorxs:
José Antônio Herrera (UFPA)
Maria Madalena de Aguiar Cavalcante (UNIR)
Adryane Gorayeb (UFC)
Christian Brannstrom (Texas A&M University)
José Queiroz de Miranda Neto (UFPA)

O GT foi constituído, em 2017, com o objetivo de reunir conhecimentos geográficos sobre os impactos gerados por hidrelétricas na Amazônia, com duas edições no ENANPEGE, considerou necessário ampliar o debate para outras fontes geradores de energia em expansão no Brasil, em especial nas regiões norte e nordeste. Assim, o objetivo é compreender como as intervenções, das obras de infraestruturas para geração de energia condicionam os territórios, verificando os impactos aos modos de vidas das populações tradicionais/locais e as mudanças na paisagem. As construções dos parques geradores de energia reestruturam e reorganizam o cotidiano tanto no urbano quanto no rural, provocando o estranhamento entre os diversos interesses sobre o uso do território, consequente há sobreposição de grupos econômicos exógenos em relação aos hábitos, costumes e perspectivas dos sujeitos locais, acarretando impactos irreversíveis no território. Portanto, julga-se necessário, no âmbito da ANPEGE, com intuito agregar pesquisas que abordem as Geografias da Energia, nas concepções: ecológicas, tecnológicas, ambientais, políticas e econômicos, na perspectiva de corroborar com o aporte científico acerca da fonte, geração, distribuição e consumo da energia, em todas as escalas e nas cinco regiões do país. Nesta edição, infelizmente, deve-se enfatizar que os territórios impactados com a construção de infraestruturas para geração de energia, tornaram-se ainda mais vulneráveis com a pandemia causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) e por isso faz-se importante discutir a relação entre as adversidades geográficas historicamente estabelecidas nos territórios e o avanço da COVID. Por fim, ressalta-se que as reflexões feitas, serão poucas para homenagear o Professor Antônio Tolrino de Rezende Veras (UFRR), um dos coordenadores do GT, vítima da Covid-19, que apesar de partir precocemente, fez parte desse diálogo, deixando grande legado para o conhecimento geográfico.
Coordenadorxs:
Maria Célia Nunes Coelho (UFRJ)
Luiz J. de Moraes Wanderley (UFF)
Ricardo Jr. de Assis Fernandes Gonçalves (UEG)
Fabiano Oliveira Bringel (UEPA)
Klemens Laschefski (UFMG)

As atividades extrativas se constituíram como importantes (des)ordenadoras do território brasileiro e latino-americano em tempos coloniais e pós-coloniais. A mineração e mais recentemente a exploração de hidrocarbonetos tiveram (e ainda têm) centralidade na expansão urbana e funcionamento de cidades, no avanço das frentes capitalistas no campo e na ampliação das redes de circulação em escala planetária. Além disso, as corporações extrativas cumprem uma função chave no jogo político-institucional, influenciando diretamente os poderes estatais, em diferentes níveis, e reformulando normas sociais e ambientais nos países e regiões periféricas. Os efeitos decorrentes de um espaço produzido para o extrativismo e a constituição de territórios corporativos extrativos são conflitos com as populações previamente territorializadas, migrantes e trabalhadores do setor. Desde o início do século XXI, diferentes governos vêm optando por um modelo de desenvolvimento calcado no (neo)extrativismo, via uso intensivo dos recursos naturais e dando roupagem moderna ao colonialismo. Deste modo, a economia extrativa ganha centralidade nas decisões políticas e na gestão territorial. Entretanto, também tem se tornado notória a emergência de movimentos sociais e grupos de atingidos e de resistência, contrários à implementação dos projetos extrativos, que lutam por reparação e/ou na defesa dos seus territórios, que inclusive estão formulando alternativas políticos-territoriais pós-extrativas. Os desastres sociotécnicos são outra marca recorrente dos territórios extrativos, forçando as vítimas a lutarem por justiça e pela retomada de seus territórios. Neste contexto, a proposta do GT (Neo)extrativismo, mineração e desastres sociotécnicos é discutir a produção de territórios extrativos a partir da implementação de redes globais de produção minerais e petrolíferas e também compreender seus conflitos e danos sobre diferentes grupos sociais, bem como os processos de resistências territoriais. Espera-se propostas de pesquisa sobre geografia econômica, agrária, urbana, política e geohistórica, cuja centralidade estejam nas atividades extrativas, para que elas possam contribuir com a constituição de um campo de pesquisa no âmbito da ciência geográfica.
Coordenadorxs:
Ariovaldo Umbelino de Oliveira (USP)
Camila Salles de Faria (UFMT)
Maurício Gonsalves Torres (UFPA)
Carlos Alberto Feliciano (UNESP)
Sinthia Cristina Batista (UFRGS)

Este GT tem como objetivo discutir a constituição e a expansão da apropriação privada capitalista das terras no Brasil. Entende-se que esse processo fundamenta a desigualdade no campo, a concentração de riquezas e de terra e traz à tona os conflitos fundiários e suas resistências. É na passagem da dominação privada do bem público e coletivo e sua transformação em propriedade privada capitalista que a terra ganha os conteúdos da mercantilização e da privatização. Destaca-se nesse processo as diferentes formas de violência desde a tomada das terras públicas e expulsão de camponeses, indígenas, quilombolas, posseiros e outros sujeitos sociais, como a grilagem de terras. Compreendida como um processo que ganha diferentes conteúdos ao longo da história e que estrutura a formação territorial brasileira. Pois, deixa de ser apenas a burla pelo papel envelhecido artesanal ou a infração/crime/desvio jurídico e propositalmente para também se tornar ações práticas de apropriação privada e dominação da terra como forma per se de concentração de renda, (como domínio da riqueza e de produção de capital), patrimônio (como expressão da escorchante concentração fundiária) e poder (como base para a capilarização política). Por esse viés, grileiros converte-se em proprietários privados de terras (ou seja, trata-se de um processo simultâneo de formação de classe) incutido as marcas desse processo (fundamento) na própria constituição do Estado brasileiro nos diferentes poderes (executivo, legislativo e judiciário), na aliança de classe (terra e capital) e nas distintas escalas (local, regional e nacional). A violenta consequência do processo geopolítico (econômico, social e político) da grilagem permeia imediatamente (ou de forma primaz) a questão agrária no Brasil. Assim, propomos analisar e dialogar sobre essas questões.
Coordenadorxs:
Djoni Roos (UNIOESTE)
Márcia Yukari Mizusaki (UFGD)
Amanda Christinne Nascimento Marques (UFPB)
Maria Inês Martins Ladeira (CTI)
Marilda Teles Maracci (UFV)

A proposta do GT é aglutinar trabalhos, pesquisadores e pesquisas envolvendo a discussão sobre a temática dos povos indígenas no Brasil, sua relação com a questão agrária e sobre como a Geografia vem abordando o tema. A questão agrária é compreendida a partir da centralidade que exerce a propriedade privada da terra e sua estrutura extremamente concentrada no Brasil, com desdobramentos nas questões envolvendo povos originários. Não tem sido tradição na Geografia o estudo, o debate e a inserção nas questões que envolvem povos indígenas. Tal preocupação é recente e apesar do relativo aumento do número de estudos, persistem dificuldades teórico-práticas no tratamento dessa temática. Sob efeitos de um capitalismo que se mundializou, uma diversidade de povos originários, com modos distintos de ser nas suas formas de organização social, cultural, política e econômica, reexistem, de diferentes maneiras. Nesse cenário, verificam-se dificuldades de aproximação com povos culturalmente diversos e diferenciados, dificuldades de entendimento analítico no contexto da questão agrária brasileira, o que tem se traduzido em alguns dos motivos desse atraso teórico-prático da Geografia em relação aos povos originários. A proposição desse Grupo de Trabalho é reunir pesquisadores geógrafos interessados em dialogar, debater e trocar experiências sobre a práxis geográfica brasileira em relação aos povos indígenas.
Coordenadorxs:
Ivani Ferreira de Faria (UFAM)
Roberta Carvalho Aruzzo (UFRRJ)
Jones Dari Goettert (UFGD)
Marcelo Argenta Camara (UFRGS)
Manuel de Jesus Masulo da Cruz (UFAM)

Trabalhar com povos indígenas e comunidades tradicionais nos impõe outra forma de pensar e ver o mundo desconstruindo a visão hegemônica de ciência, de educação e de vida da modernidade ocidental para que possam alcançar a autonomia confrontando os modelos de desenvolvimento e desenvolvimentistas vigentes que desconsideram as particularidades e singularidades desses sujeitos sociais. Esse GT pretende ser um espaço de diálogo, de discussões, de socialização de experiências reunindo geógrafos(as) e grupos de pesquisas que trabalham com povos indígenas e comunidades tradicionais no Brasil, evidenciando uma visão decolonial e contra-hegemônica por meio de epistemologias e metodologias alternativas e não extrativistas, participantes produzidas no sul. Dar visibilidade e protagonismo aos povos indígenas e comunidades tradicionais (quilombolas, ribeirinhos, seringueiros, castanheiros, faxinais, quebradeiras de coco, caiçaras entre outros), seus saberes, formas próprias de organização sociopolítica, cultural e territorial; lutas sociais como resistências aos conflitos ambientais e territoriais como uma práxis geográfica decolonial em defesa de seus direitos territoriais, a vida e ao bem-viver. Abordagens: conflitos territoriais em TI, quilombos e UCs; gestão territorial; conhecimentos, saberes e epistemologias próprias para uso e conservação do território; lutas sociais e resistências para retomada do territórios; afirmação das identidades - etnogênese como direito à terra; políticas públicas, direitos constitucionais à saúde, educação, a terra e a consulta prévia livre e informada; estudos de identificação e (auto)demarcação de TI, quilombos e UCs; estudos geográficos técnicos que apoiem a autonomia dos povos indígenas e comunidades tradicionais a partir de metodologias não extrativistas,
Coordenadorxs:
Ricardo Abid Castillo (UNICAMP)
Samuel Frederico (UNESP)
Juscelino Eudâmidas Bezerra (UNB)
Eve-Anne Bühler (UFRJ)
Dimas Moraes Peixinho (UFG)

No atual período histórico, caracterizado pela forte internacionalização do modo de produção capitalista, importantes transformações de ordem técnica, política e econômica têm promovido intensa reestruturação produtiva da agropecuária brasileira. Com seu funcionamento regulado cada vez mais pela economia de mercado, movida por demandas urbanas e industriais em grande parte voltadas à exportação, a agropecuária tem se caracterizado, entre outros, pela produção de commodities, de combustíveis renováveis, de frutas tropicais e de matérias-primas para vários ramos agroindustriais. Outra característica é a apropriação de tais processos por parte de corporações multinacionais, associadas em especial ao capital industrial e financeiro, que compõem parte das novas redes de governança global que determinam como e o que se produz no campo. Estes processos provocam, localmente, importantes transformações nos espaços rurais e urbanos que asseguram a realização do processo de produção, transformação e escoamento. sociais e territoriais do trabalho das empresas e atividades do agronegócio; a reestruturação urbana e as relações campo-cidade; a especialização funcional das cidades inerente à difusão do agronegócio; as formas de governança das grandes corporações na produção e distribuição dos produtos agrícolas; a logística agroindustrial; as modalidades regionais de apropriação e controle dos recursos naturais; os impactos ambientais da regionalização produtiva, entre outros. Pretende-se, com estes debates, contribuir para a compreensão da restruturação produtiva e das dinâmicas territoriais do agronegócio brasileiro.
Coordenadorxs:
Marlon Clovis Medeiros (UNIOESTE)
Domingos Sávio Correa (UFAL)
Carlos José Espíndola (UFSC)
Fernando dos Santos Sampaio (UNIOESTE)
José Messias Bastos (UFSC)

A crise da economia mundial, iniciada em 1973, trouxe para o debate acadêmico as questões referentes à inovação tecnológica (biotecnologia, telecomunicações, robótica, entre outras) como possibilidade de retomada do crescimento econômico. Contudo, a formação socioespacial norte-americana com sua política de liberalização do comércio internacional, oligopolização da economia, financeirização e políticas neoliberais, retardou o processo de destruição criativa e impôs diferentes estratégias às variadas formações socioespaciais do centro e da periferia do sistema capitalista. As análises aqui pretendidas direcionam-se para o agrário e o urbano. Nesse sentido, na formação socioespacial brasileira, se questiona: quais as dinâmicas capitalistas que presidem a formação e expansão de aglomerações urbanas e continuidade do processo de metropolização? Esses processos se realizam diferenciadamente em termos regionais ou há relativa repetição? As inovações em sentido amplo se realizam diferenciadamente em termos de formações socioespaciais regionais? Quem são os agentes que articulam o poder (econômico, social, político, ideológico, etc.) em diferentes escalas? Do ponto de vista agrário, o centro da discussão se dá em relação à produção agroalimentar, sua inserção em cadeias mais amplas, ao financiamento da produção e à financeirização cada vez mais presente na agricultura. Assim se coloca os seguintes questionamentos: como tem avançado a produção agrícola em um momento de predomínio do capital monopolista na industrialização e comercialização? Ainda pode-se considerar como central a propriedade da terra, ou a chamada questão agrária, na matriz explicativa do setor agrário brasileiro? O progresso técnico na agricultura tem sido capaz de resolver os principais problemas sociais, ambientais e econômicos no meio rural? Os novos meios de financiamento e a financeirização da agricultura criaram de fato um novo panorama para a agricultura brasileira? Assim, esse GT tem por objetivo discutir o impacto dessas políticas e do progresso técnico no desenvolvimento econômico mundial / nacional / regional / local vinculado às atividades agrárias e urbanas.
Coordenadorxs:
Alexandre Sabino do Nascimento (UFPB)
Cássio Arruda Boechat (UFES)
Fábio Teixeira Pitta (USP)
Yamila Goldfarb (UFABC)

A presença do capital a juros (Marx) na agricultura brasileira não é recente. Pierre Monbeig, em seu clássico ""Pioneiros e fazendeiros em São Paulo"", já a analisava enquanto elemento central da frente pioneira, antes até da década de 1930. A Geografia, porém, acompanhou outras áreas do pensamento crítico para apresentar as transformações no papel do chamado capital financeiro (Hilferding) na economia brasileira, a partir de uma inflexão sobretudo nos anos 1970 que teve importantes consequências para as formas de reprodução da agricultura (Delgado). As formulações de F. Chesnais acerca das finanças a se apropriarem da riqueza social, ou de D. Harvey, no que concerne aos ciclos de acumulação, crise e ajuste espacial, são referências teóricas já recorrentes e fundamentais para quem pesquisa a financeirização contemporânea da agricultura mundial e brasileira. Pesquisas recentes, por sua vez, colocam em questão os clássicos e os paradigmas consensuados para tematizarem a possibilidade de inclusão de outras entradas teóricas, visando a apreensão das particularidades dos fenômenos atuais. O presente GT tem como objetivo promover o debate sobre os processos de transformação contemporâneas no campo e os conflitos relacionados à expansão de formas do capital transnacional e financeiro nos diferentes elos das cadeias produtivas do agronegócio, o que engloba desde atividades especulativas envolvendo a propriedade da terra em áreas de fronteira agricola que produzem novas rodadas de concentração fundiária e despossessão, a presença de uma agricultura intensiva em capital e tecnologia, passando pelo controle dos circuitos de comercialização mundial e negociação de commodities no mercado financeiro, até tematizar as formas de presença do capital fictício para o próprio momento de produção de mercadorias na agricultura. Tudo isso dentro de um contexto de convergência de múltiplas crises: financeira alimentar, energética, ambiental e climática. Convidamos, assim, aqueles debruçados na temática proposta a submeterem seus resultados de pesquisa neste GT, permitindo a apresentação e cotejamento dos mesmos para traçarmos um quadro multifacetado dos processos apresentados; o que também, acreditamos, conduzirá, por meio dos objetos sociais levantados, à explicitação das diferentes perspectivas teóricas a subsidiar os participantes.
Coordenadorxs:
Clecio Azevedo da Silva (UFSC)
Giancarla Salamoni (UFPEL)
Rosangela Hespanhol (UNESP)
Antonio Nivaldo Hespanhol (UNESP)
Darlene Oliveira Ferreira (UNESP)

O GT tem o objetivo de propiciar a troca de experiências e fomentar a discussão dos resultados de investigações concluídas e em desenvolvimento sobre Agricultura, desenvolvimento regional e transformações sócio espaciais, com o intuito de debater e refletir sobre processos que exercem influência direta e indireta nas dinâmicas econômica, social e cultural dos espaços rurais. Objetiva também discutir os elementos teóricos e metodológicos das pesquisas em Geografia Agrária, analisando os conceitos e categorias geográficas sobre as temáticas que envolvem o espaço agrário. Avançar teoricamente na perspectiva geográfica a partir da organização espacial, verificando se a noção interdisciplinar de multifuncionalidade e de agricultura familiar pode contribuir nas análises do espaço rural, tendo em vista a gestão do território, em diferentes contextos histórico-espaciais. Analisando as diferentes formas de produção (agrícolas e não agrícolas) no campo brasileiro, principalmente, após a modernização da agricultura brasileira, busca uma caracterização das distintas e singulares organizações espaciais geradas pela agricultura familiar no território nacional. Refletir sobre as políticas públicas, sobretudo aquelas que se direcionam à agricultura familiar, seja em escala nacional, estadual e/ou municipal, e seus efeitos sobre a agricultura e os espaços rurais, buscando garantir a segurança alimentar, a melhoria da qualidade de vida dos produtores rurais e novas oportunidades de permanência no campo, constitui-se, na atualidade, num elemento importante para se compreender as diferenciações entre os produtores rurais e a diversidade de estratégias de reprodução socioeconômica presentes no território brasileiro.
Coordenadorxs:
Ricardo Gilson da Costa Silva (UNIR)
João Santos Nahum (UFPA)
Christiane Senhorinha Soares Campos (UFS)
Giseli Dalla Nora (UFMT)
Diego Correa Maia (UNESP)

O propósito do “Grupo de Trabalho Dinâmicas globais do agronegócio na Amazônia e no Matopiba: escalas, conflitos e projetos” é se constituir num espaço acadêmico e institucional para debater questões imperativas na Amazônia e no Matopiba, regiões consideradas como fronteira global do agronegócio. Nas últimas décadas, a expansão do agronegócio tem produzido inúmeras transformações nestas duas regiões, impactando diretamente o agrário regional, povos indígenas, comunidades tradicionais, camponesas e, de modo geral, a produção familiar. Se imaginarmos a Amazônia e o Matopiba como expressões territoriais de modos de vida e de relação dos grupos humanos com a natureza, podemos admitir que há todo um conjunto de particularidades socioculturais que evidenciam tanto a história quanto as aprendizagens pela memória e identidade dos grupos sociais que ensinam à sociedade urbana-industrial como viver e conviver com a natureza. De certa forma, esses grupos sociais são contra-hegemônicos à linearidade econômica do agronegócio, que tende a subjugar a diversidade socioambiental em monoculturas dos grãos, em unicidade mercantil, em campo sem pessoas. Essas dialéticas se cristalizam no crescimento da área de soja/milho, pecuária, extrativismo madeireiro e serviços ambientais, silvicultura, traduzindo-se em agenda territorial do agronegócio, cujas ameaças atingem os Território Protegidos e, mesmo, a revisão jurídica desses ordenamentos territoriais, trazendo assunção da economia agrícola com pretensões imperativas – portanto, de domínio político, econômico e territorial – aos grupos sociais mais vulneráveis do mundo agrário da Amazônia e do Matopiba. Nesse sentido, a dimensão territorial do agronegócio se expressa na agenda político-econômico-territorial, assentado nas oligarquias regionais, atores hegemônicos, com apoio da mídia corporativa nacional/regional e do Estado, cujo discurso atribui às organizações sociais, povos, comunidades tradicionais, camponeses e agricultores familiares o estigma do atraso econômico, resultando em ataques aos territórios culturais e Áreas Protegidas, com consequente expansão das fronteiras agrícolas.
Coordenadorxs:
João Edmilson Fabrini (UFGD)
Eraldo da Silva Ramos Filho (UFS)
João Cleps Junior (UFU)
Janaina Francisca de Souza Campos Vinha (UFTM)
José Sobreiro Filho (UFPA)

Questão agrária, conflitos e movimentos socioterritoriais. Reforma agrária e assentamentos rurais. Movimento e luta de mulheres camponesas. Teoria dos movimentos sociais no campo. Movimentos camponeses e agroecologia. Segurança e soberania alimentar. Conflitos ambientais e lutas pela terra e pela água. Movimentos sociais na mineração e grandes obras de infraestrutura. Modo de vida camponês e resistências no campo. Criminalização dos movimentos sociais. Movimentos camponeses antiglobalização. Conflitos agrários nas fronteiras.
Coordenadorxs:
Sônia de Souza Mendonça Menezes (UFS)
José Antônio Souza de Deus (UFMG)
Marcelo Cervo Chelotti (UFSM)
Alcides dos Santos Caldas (UFBA)
Geisa Flores Mendes (UESB)

Este GT tem como objetivo refletir sobre os desafios vivenciados pelos agricultores familiares camponeses para a manutenção da produção, circulação, consumo e a valorização dos alimentos, bem como a relação com a soberania e a segurança alimentar. Nessa direção, serão discutidos os resultados de pesquisas concluídas e em andamento, os aportes teóricos, as metodologias e a abrangência dessa temática como objeto de estudo, compreendido como essencial nas últimas décadas nas escalas local, regional e global. O GT constitui-se, em espaço de discussão que propiciará a troca de experiências com o intuito de refletir sobre as diferentes formas de saber fazer, de apropriação dos recursos territoriais, conexão com a tradição, a memória, a identidade e a inserção da ressignificação dos diversos aspectos que envolvem a produção de alimentos nos espaços. Discutir a produção e a comercialização torna-se fundamental para entender a as articulações dos agricultores na relação campo/cidade e os reflexos na reprodução social e econômica de grupos familiares. Outrossim, serão abordadas as alternativas de comercialização nos circuitos curtos, bem como as estratégias de proteção e valorização dos alimentos relacionadas a criação de registros como as marcas coletivas e indicações geográficas, a patrimonialização cultural, e as repercussões desses distintivos para os grupos familiares envolvidos.
Coordenadorxs:
Catia Antonia da Silva (UERJ)
Catherine Prost (UFBA)
Cristiano Quaresma de Paula (FURG)
Guiomar Inez Germani (UFBA)
Raimundo Alberto Mulhaisse (Univ. de Licungo – Moçambique)

Sujeitos marcados pelas diferenças étnicas e de classe produzem espacialidades distintas que acontecem, em geral, em contextos ambientais diversos. Historicamente participantes da produção social do espaço, esses sujeitos constituem comunidades e localidades tradicionais, conforme sua base cultural, suas cosmologias e sua forma de lidar com a natureza. Como exemplo temos os indígenas, quilombolas, negros, ciganos, pescadores artesanais, migrantes, camponeses, dentre outros segmentos socialmente discriminados e vulneráveis no contexto da formação socioespacial do Brasil, da América Latina e África. Esses grupos - frente aos processos modernizadores e frente às ações hegemônicas das empresas, do Estado e das elites dominantes - refletem identidades e espacialidades diferenciadas e desiguais. Contudo, a diferenciação de espaços toma, por vezes, a forma de segregação, produzida a partir da negação de direitos humanos e da natureza (indissociáveis para as culturas locais), configurando cenários de injustiças socioambientais. Em contraposição ocorre a reafirmação de etnoconhecimentos, saberes locais e de regionalismos, que enunciados em pesquisas desvendam resistências e insurgências, mas também adaptações a processos de destruição das heranças culturais (sistemas de práticas, saberes e imaginários socioespaciais), que trazem à tona processos de modernidades múltiplas que dinamizam escalas relacionais espaciais (redes mais ou menos expansivas e conectadas) e temporais (permanências e rupturas históricas). Nesse processo, não raro, políticas públicas focalizadas para a questão preservacionista ou para a questão de liberação aos grandes empreendimentos e/ou ao capital imobiliário para classes media e alta se combinam a outras ditas universais e provocam impactos e disputas de território. A proposta do GT é a de agregar estudos geográficos, apoiados em levantamentos bibliográficos e documentais e/ou em trabalhos de campo, que façam a intersecção entre as variáveis conflitos territoriais, tensões socioambientais, história dos lugares, espacialidades dos sujeitos assim como estudos que abordem as expressões culturais/espirituais/sociais/ambientais desses grupos.
Coordenadorxs:
Alessandro Dozena (UFRN)
Marcos Alberto Torres (UFPR)
Cristiano Nunes Alves (UEMA)
Rodrigo Ramos Hospodar Felippe Valverde (USP)
Christian Dennys Monteiro De Oliveira (UFC)

O GT colocará em movimento o exercício da desconstrução de uma ciência geográfica afeita às regras e padrões normativos que limitam o entendimento das sonoridades. Na história da geografia como pensamento e conhecimento de mundo, o momento de sua organização como uma ciência moderna parece por vezes ter sido uma decisão irreversível. Entretanto, aqueles que a compreendem no campo das humanidades veem florescer neste início de século perspectivas que buscam sua religação com as tradições, com as artes, com a religiosidade, e com tudo aquilo que ficou de fora deste “muro” construído para separar ciência e sensibilidade. Esse GT é mais um movimento na quebra deste “muro” construído ao longo dos séculos XIX e XX, pois reaproxima a geografia de nossa experiência de mundo e da dimensão sensível e existencial daquilo que nos constitui. Participam do grupo pesquisadores que compartilham a vontade de escutar e ver a geografia permeada pelo ritmo e pela sensibilidade, ao compreender a música e os sons como constituintes do espaço geográfico, manifestando-se e ao mesmo tempo fundando lugares, paisagens, territórios e regiões. Ao considerar o diálogo entre geografia, música e sons, questiona-se o primado do visual na geografia. A consolidação deste importante campo já reúne significativa contribuição teórica, analítica e interpretativa de espacialidades e processos engendrados pela produção, difusão, vivência musical e compreensão dos imaginários associados. Para dar conta do diálogo desse campo, o GT estará estruturado em 3 eixos de diálogo entre geografia, música e sons: 1) Abordagens da Geografia Social: diversidade de tratamentos teóricos relacionados à dimensão espacial dos fatos musicais ou sonoros, que perpassam pelas geografias pós-coloniais, geografias críticas, estudos culturais, estudos urbanos, entre outros; 2) Abordagens da Geografia Humanista voltada à dimensão simbólica, percepções e representações espaciais da música e dos sons; 3) Abordagens relacionadas ao uso da música e dos sons como recursos metodológicos no ensino de Geografia.
Coordenadorxs:
Manoel Martins de Santana Filho (UERJ)
Valéria Cristina Pereira da Silva (UFG)
Adriana Carvalho Silva (UFRRJ)
Amélia Regina Batista Nogueira (UFAM)
Pablo Arturo Mansilla Quiñones (PUC- Valparaíso, Chile)

Diálogo geografia, literatura e arte. O geográfico da vida na paisagem e no texto. Expressões narrativas literogeográficas na produção do espaço. Cognições e aprendizados sobre a formação socioespacial a partir do literário. Processos formativos e compreensão contemporânea da geografia. Leitura espacial, imagens e paisagens desde o simbólico. Topoanálise. Educação geográfica e autoria. O diálogo Geografia e Literatura vem se consolidando e se expressa pela ação de diversos grupos, coletivos e núcleos de pesquisa que têm se dedicando aos desafios interdisciplinares, promovendo investigações e debates que tensionam opções teóricas, metodologias e lançam frescor à produção do conhecimento geográfico contemporâneo. Além disso, a integração geoliterária abre-se como possibilidade promissora e fecunda para a geografia que se ensina, desde a educação básica à universidade. A relação Geografia e literatura como possibilidade de topoanálise das obras, a geograficidade das personagens e do escritor – considerando que a literatura está na zona entre o real e o ficcional, numa relação entre razão e emoção, dimensões que expressam, descrevem e representam paisagens, lugares, territórios, pessoas e cultura. A proposição desse GT visa reunir trabalhos desenvolvidos em diversos programas de Geografia que resultam do empenho de ações individuais precursoras em diversas pós-graduação, bem como o esforço coletivo de trabalhos desenvolvidos em redes de colaboração. A partir do compartilhamento de experiências, espera-se que do intercâmbio vindouro resultante desse encontro, se espalhe e congregue narrativas, desafios conceituais e novos olhares sob a produção do espaço geográfico mediados pelos textos literários. E por que não, que seja permitido que o conteúdo geográfico da vida seja lido e comunicado pela arte.
Corodenadorxs:
Josué Da Costa Silva (UNIR)
Janio Roque Barros De Castro (UNEB)
Nilson Cesar Fraga (UEL)
Maria Cristina Borges da Silva (UFRJ)
Maria Augusta Mundin Vargas (UFS)

Os anos de 2020 e 2021, estão se apresentando como desafiadores para a produção de conhecimentos dentro da Geografia, em especial na Geografia Cultural e seu vasto campo de abordagens ligadas às categorias de análise espacial (espaço, lugar, paisagem, território). que estejam no centro dos olhares de pesquisadores e pesquisadoras. Diante dos novos desafios, os estudos e produções do conhecimento geográfico nos deparamos com numerosas possibilidades sobre o mundo vivido e o culturalismo geográfico atual que exigem repensares e ações sobre tais geografias. O que nos leva a questionar sobre nossas relações com o “Outro”, assim como vemos essas relações e como devemos vê-las enquanto sujeitos que formam parte da nossa existência nos mais diversos e profundos espaços geográficos e territórios de vivências materiais e imateriais. Tudo vem se desdobrando para o papel do “Outro”, demonstrando esse “Outro” como fundamental na produção social do espaço que construímos, agimos e sentimos as relações socioambientais e culturais humanas. Em busca de reunir pesquisadores e pesquisadoras com seus trabalhos e ideias para troca de experiências na produção do conhecimento na Geografia Cultural frente a novos desafios teóricos e metodológicos, neste GT aceitaremos temas que discutam abordagens da Geografia Cultural, tais como: plurarismos identitários em diferentes contextos geográficos, lugar, representações, símbolos, processos migratórios, festas, festejos, religiões, religiões de matrizes africanas, religiões da Floresta, povos tradicionais, bem-viver, alternativas não-mercadológicas da relação com a natureza, vivências, percepções e sentimentos, espaços públicos, pluralismos identitários, saberes e conhecimentos tradicionais, modos de vida, e ainda os trabalhos que abordem como a Covid-19 tem afetado saberes e o viver das populações, sejam tradicionais, originárias, pesquisas na Área da Geografia Cultural, Geografia Emocional ou Geografia Espiritual tratando do estudo do ser humano na sua relação consigo mesmo e com a natureza, assim como histórica e de maneira profunda da relação espaço-tempo.
Coordenadorxs:
Alex Ratts (UFG)
Joseli Maria Silva (UEPG)
Maria das Graças Silva Nascimento Silva (UNIR)
Marcio Jose Ornat (UEPG)
Benhur Pinós da Costa (UFSM)

A partir dos anos setenta as chamadas geografias feministas foram fundamentais nas transformações teórico-metodológicas da ciência geográfica. Os estudos das questões étnicas e raciais também se agregaram a este processo. O crescimento da perspectiva de gêneros, sexualidades, etnicidades e racialidades no campo científico geográfico foi resultado da necessidade da ciência acompanhar as transformações sociais e econômicas, cujos papéis de gênero e de sexualidades dissidentes e das discriminações e segregações étnicas e raciais passaram a ter papel fundamental na sociedade contemporânea. A geografia, enquanto uma ciência social incorporou esta perspectiva na medida em que compreendeu que os variados grupos sociais desenvolvem espacialidades diferenciadas e que a atenção em torno das relações raciais, étnicas, de gênero e sexualidades ampliam a capacidade compreensiva do espaço. Esse horizonte mundial é igualmente significativo para os movimentos sociais latino-americanos e brasileiros que incluíram estas perspectivas nos debates em torno de temas como o acesso à terra rural, à cidade, ao mercado de trabalho, à divisão de riquezas, à justiça ambiental, as instâncias políticas, a mobilidade espacial, entre outros temas. O objetivo deste simpósio consiste em tratar estas temáticas considerando as assimetrias de gêneros e raciais e as lutas pelos direitos LGBT, negros, indígenas, de mulheres e outros segmentos a partir da perspectiva espacial e interseccional.
Coordenadorxs:
Clarice Cassab (UFJF)
Nécio Turra Neto (UERJ)
Mario Pires Simão (UERJ)
Jorge Luiz Barbosa (UFF)
Cláudia Luiza Zeferino Pires (UFF)

O presente GT tem o propósito de reunir as pesquisas na Geografia que têm tematizado às juventudes, os jovens e as jovens e que, portanto, tem realizado o esforço teórico, empírico e metodológico de construir este tema como de interesse geográfico. Para tanto, os trabalhos com foco nas juventudes, em seus aspectos etários, históricos e culturais devem trazer uma reflexão sobre como a dimensão espacial, na sua qualidade de território, lugar e paisagem, participa das diferentes experiências juvenis, seja no campo, seja na cidade. Experiências densas de espacialidades e que interseccionam no mundo da vida outras tantas dimensões na constituição das diferenças, desigualdades e distinções, como as étnico raciais, de gênero e sexualidade.
Coordenadorxs:
Claudio Ubiratan Gonçalves (UFPE)
Josefa de Lisboa Santos (UFS)
Mirlei Fachini Vicente Pereira (UFU)
Adriano Rodrigues de Oliveira (UFG)
Celso Donizete Locatel (UFRN)

As temáticas ligadas às políticas territoriais, no quadro atual das relações capitalistas, adquirem centralidade seja nas agendas pública e privada, bem como no contexto acadêmico nacional e internacional. O Estado continua sendo o agente central na prescrição da espacialização de tais agendas e a regionalização aparece como marco instrumental para a determinação do seu nível escalar. Esse panorama expressa a importância dos estudos acerca dos conceitos de região, regionalização, território e políticas territoriais, além das diversas formas de resistências empreendidas por sujeitos que disputam e defendem outros projetos territoriais e de existência. O GT tem a intenção e o propósito claro de discutir as contradições e avaliar experiências de (des)envolvimento das referidas políticas, seus rebatimentos sociais, econômicos, ambientais e na demografia socioterritorial, em diferentes escalas; bem como os sujeitos e ações que resistem e reafirmam outras territorialidades.
Coordenadorxs:
Rogério Haesbaert (UFF)
Mónica Arroyo (USP)
Edilson Pereira Júnior (UECE)
Ricardo Mendes Antas Junior (USP)
Ivaldo Gonçalves de Lima (UFF)

A integração concreta ou virtual dos territórios em escala mundial, seja na forma de um sistema-mundo de Estados e/ou blocos econômicos, seja na forma de territórios-rede globais de grandes corporações transnacionais, especialmente em tempo de crise pandêmica como o que estamos vivendo, acirra também a fragmentação do tecido socioespacial, fortalecendo as desigualdades preexistentes e exigindo novas formas de articulação territorial de resistência a partir das singularidades locais/regionais. O peso crescente do capital financeiro especulativo e do endividamento é questionado em função de um novo papel requisitado para as políticas públicas, especialmente as de saúde, mas também aquelas vinculadas a educação, mobilidade, acesso à cultura, habitação popular, saneamento básico, entre outras. Buscam-se novas modalidades de organização socioespacial a partir de experiências locais/regionais acumuladas historicamente e que hoje se manifestam coletivamente em busca de uma outra globalização, dita descolonizadora, que acolha a diferença e a multiplicidade. Assim, enfoca-se o jogo permanente entre processos globalizadores dos poderes hegemônicos e dinâmicas regionalizadoras de diversas ordens, desde aquelas promovidas no bojo do próprio capitalismo produtor de diversidade (fomentando assim novos nichos de mercado) até aquelas eminentemente disruptivas, que mobilizam diversos grupos sociais em busca de práticas territoriais alternativas para a conformação de outros mundos possíveis.
Coordenadorxs:
Fábio Betioli Contel (USP)
Floriano José Godinho de Oliveira (UERJ)
Márcio Rogério Silveira (UFSC)
Lisandra Pereira Lamoso (UFGD)
Pierre Alves Costa (UNICENTRO)

O tema do Desenvolvimento Regional tem se mostrado cada vez mais importante para o entendimento das mudanças nas estruturas produtivas e nas infraestruturas/redes técnicas que estão na base da acumulação capitalista e da reorganização da economia mundial. O estudo do Desenvolvimento regional permite uma análise crítica das formas de políticas públicas, regulação e investimentos do Estado no território, assim como identificar as principais características da atuação das corporações e seu papel na internacionalização e financeirização da produção. São temas também atinentes à discussão sobre o desenvolvimento regional brasileiro, os embates entre capital x trabalho, os conflitos de interesses envolvidos nestes embates, assim como o papel do Brasil na atual divisão internacional do trabalho. Este GT tem origem na discussão acumulada pelo Grupo de Estudos em Desenvolvimento Regional e Infraestruturas (GEDRI), em funcionamento desde o ano de 2005, junto com o Grupo de Estudos da Dinâmica Econômica (GEDE), desde 2008, e do Núcleo de Pesquisa Espaço e Economia (NuPEE) desde 2008. O GT proposto tem o objetivo de aglutinar 5 eixos principais de pesquisa: 1) Circulação, Transportes e Logística; 2) Financeirização do território nacional e internacionalização da economia brasileira; 3) Políticas públicas e desenvolvimento regional; 4) Desenvolvimento econômico, política industrial e comércio exterior; 5) Reestruturação produtiva e industrialização. Busca-se, também, a criação de espaços de discussão que permitam a socialização de experiências de pesquisa e a reunião de um acervo qualificado de discussões, cujos desdobramentos podem tanto contribuir para a qualificação dos quadros da pós-graduação em geografia no Brasil assim como se constituem em contribuição ao debate de problemas nacionais contemporâneos.
Coordenadorxs:
Augusto Cesar Pinheiro da Silva (PUC Rio)
Antônio Angelo Fonseca (UFBA)
Juliana Nunes Rodrigues (UFF)
Gutemberg Vilhena (UNIFAP)
Marcos Leandro Mondardo (UFGD)

Este Grupo de Trabalho (GT) resulta de interlocuções e de pesquisas empreendidas por um grupo de docentes-pesquisadores organizado desde 2013 no âmbito da Rede Brasileira de Geografia Política, Geopolítica e Gestão do Território - REBRAGEO. Trata-se de atualizar a diversidade temática da Geografia Política, da Geopolítica e da Gestão do Território, campos que se ampliam e se diversificam vigorosamente nas últimas décadas. Esses campos compreendem temas voltados para a compreensão da expressão espacial de conflitos territoriais, arranjos políticos e suas possibilidades de regulação. São abarcadas negociações e formas de cooperação e recomposições político-territoriais, além de modos de reivindicação que requalificam e redefinem os conteúdos e os formatos dos espaços da política. Isso posto, intentamos reunir pesquisadores interessados em atualizar e discutir instrumentais teórico-metodológicos e recursos empíricos para subsidiar análises em torno das seguintes temáticas: 1) Geografia Política e Geopolítica: dos enfoques clássicos às renovações teóricas contemporâneas; 2) (Geo) Políticas do meio ambiente, gestão dos recursos e sustentabilidades; 3) Localismos, nacionalismos, regionalismos e globalismos; 4) Pacto federativo, desigualdades e políticas públicas; 5) Estratégias de gestão para governanças territoriais multiescalares: dinâmicas horizontais e verticais; 6) Integração regional e novos espaços da cooperação e do conflito internacional; 7) Fronteiras e limites em múltiplas escalas; 8) Manifestações políticas, novos canais e arenas do debate público; 9) Geografia do voto, representação e território; 10) Geografia e direito: espacialidades das normas e exceções; 11) Geografia política e ensino: inovações temáticas, conceituais e metodológicas.
Coordenadorxs:
Márcia da Silva (UNICENTRO)
Adilar Antonio Cigolini (UFPR)
Eduardo Karol (UERJ)
Francisco Fransualdo de Azevedo (UFRN)
Roberto Mauro da S. Fernandes (UFAL)

O grupo de trabalho "Geografia e poder: conflitos, resistências e resiliências” tem por objetivo a socialização e a reflexão sobre o processo de construção do conhecimento no âmbito da Geografia e sua vinculação às relações de poder, bem como às resistências territoriais e aos contrapoderes numa perspectiva multiescalar e de base local. Neste sentido, buscar-se-á apresentar as experiências de trabalho efetivadas pelos membros do grupo e pesquisas elaborados por outros autores brasileiros e estrangeiros, bem como sua aproximação no plano teórico e metodológico, destacando-se os sentidos políticos de cada concepção. Na Geografia, o aprofundamento do conhecimento nessa temática tem se dado, em boa parte, pelas investigações desenvolvidas por pesquisadores responsáveis e participantes de grupos de pesquisa, em especial em nível de mestrado e de doutorado. A proposta/ementa, então, contemplará: A pluralidade conceitual do poder na Geografia. O território, a territorialidade e as escalas territoriais. As redes, as interações espaciais, os conflitos, os consensos e os agentes envolvidos de modo inter e multiescalar pelas inovações (i)materiais que influenciam a organização do espaço e, portanto, o território e resistências ao processo de globalização do capital. A Geografia no contexto das interconexões que envolvem as relações de poder e contrapoderes – resistências territoriais e resiliência. Pelas justificativas apresentadas propomos a primeira experiência em conjunto desses pesquisadores, para a referida temática, pretendendo-se que seja esta um diferencial no sentido da leitura geográfica das relações de poder e contrapoderes nas diversas escalas territoriais.
Coordenadorxs:
Karla Rosário Brumes (UNICENTRO)
Gislene Aparecida dos Santos (UFRJ)
Duval Magalhães Fernandes (PUC Minas)
Ideni Terezinha Antonello (UEL)
Alides Baptista Chimin Junior (UNICENTRO)

Não se pode pensar em análises contemporâneas, sem que sejam em consideração papeis desempenhados pelos dos fluxos migratórios. Assim, a análise das migrações internacionais para trabalho, deslocamentos forçados, redes transfronteiriças, migrações de caráter religioso, bem como análise dos fluxos migratórios internos do Brasil, são relevantes nesse sentido. Diante do exposto, a atual Geografia das Migrações traz para análise a importância de se considerar nos estudos, a dimensão da escala espacial, o contexto da elaboração das politicas migratórias e as ações dos sujeitos migrantes no processo. Nesse sentido, a proposta deste GT é a de aglutinar e construir um debate entre pesquisadores que tratem a migração como um importante elemento para explicar e compreender a organização espacial, bem como proporcionar a reflexão e a discussão sobre campo teórico, conceitual e metodológico das migrações.
Coordenadorxs:
Claudete de Castro Silva Vitte (UNICAMP)
André Santos da Rocha (UFRRJ)
Elói Senhoras (UFRR)
Vinicius Modolo Teixeira (UNEMAT)
Angelita Matos Souza (UNESP)

Em um contexto de uma ordem global em mudança, categorias e conceitos da geografia são de suma importância para entender as novas disputas de poder no mundo. Essas são imbuídas de conteúdos Geopolíticos, Geoeconômicos e Político-Diplomáticos que ganham diferentes status no cenário de uma globalização que agora também é questionada. Por isso, nos últimos anos aprofundaram-se os estudos da Geografia que desenvolvem aproximações com o campo das Relações Internacionais e que estão preocupados com a necessidade de repensar os processos geográficos desenvolvidos na escala mundial. Dentre estes, destaca-se o caráter global da pandemia de COVID-19, durante a qual houve uma grande mobilização de diferentes aspectos da governança global, reverberando tensões no que tange à soberania dos Estados na gestão das políticas sanitárias. A pandemia também influenciou relações diplomáticas e o controle da mobilidade internacional, assim como gerou revisões nas categorias de segurança nacional e a adoção das medidas de exceção. Assim, este GT tem como intenção agregar os estudos a cerca: [a] dos novos papeis do Estado, sua dinâmica hegemônica e territorial, sobretudo no controle ou desregulação de suas fronteiras; [b] das novas práticas geopolíticas de segurança e defesa em um contexto mutante destes conceitos; [c] das questões de comércio internacional e cooperação econômica e técnica no contexto do sistema-mundo-moderno-colonial, bem como seu impacto nos territórios nacionais, como na seara alimentar e de recursos naturais; [d] das dinâmicas de integração regional em seus múltiplos impactos e perspectivas; [e] da produção de dinâmicas geoeconômicas regionais nas escalas continentais e intercontinentais; e [f] da análise de teorias do campo da Relações Internacionais com categorias e conceitos da ciência geográfica e teorias da geopolítica e geoeconomia. Outrossim, serão bem-vindas reflexões que tratem dos desdobramentos da pandemia na geopolítica dos Estados, bem como de apontamentos sobre aspectos diplomáticos na gestão da saúde coletiva global.
Coordenadorxs:
Frédéric Monié (UFRJ)
José Júlio Júnior Guambe (UPM, Moçambique)
Suzete Lourenço Buque (UPM, Moçambique)
Rosemberg Ferracini (UFT)
Savio José Dias Rodrigues (UFMA)

O grupo de trabalho propõe uma reflexão sobre as diferentes formas de inserção da África subsaariana no processo de globalização, seja através das políticas de inserção nos mercados mundiais, do estabelecimento de cooperações econômicas e diplomáticas com países emergentes e a China, de complexas dinâmicas de circulação das populações em diversas escalas ou do dinamismo de redes comerciais transnacionais animadas por atores informais. Diante deste cenário, surgem interrogações: estamos diante da perpetuação da modalidade histórica de inserção na Divisão Internacional do Trabalho pautada na exportação de bens não ou pouco processados? Ou podemos, ao contrário, considerar que transformações recentes (consolidação do Estado-nação; descentralização das estruturas de poder; investimentos em infraestruturas de comunicação; maior acesso às novas tecnologias, consolidação dos mercados domésticos, aceleração da urbanização etc.) abrem espaços de bifurcação através da diversificação dos tecidos produtivos, da integração regional e da valorização da cidadania? No campo geopolítico o atual momento suscita, também, questionamentos: seria a permanência de conflitos analisáveis recorrendo a ferramentas metodológicas tradicionais ou podemos mobilizar abordagens mais sistêmicas articulando variáveis ambientais, culturais, econômicas, sociais, étnicas-raciais e políticas na perspectiva de sistemas regionais de crises? Precisamos, também, refletir sobre as mudanças na regionalização do continente sob o efeito da integração regional, do redirecionamento de fluxos de pessoas e mercadorias ou de estratégias geopolíticas de governos nacionais. A proposta, dividida em três eixos maiores, busca potencializar a capacitação de professores-pesquisadores nos diferentes recortes espaciais abordando a África subsaariana no processo de ensino. Como tem-se como meta promover iniciativas de extensão e pesquisa em colaboração com instituições nacionais e estrangeiras.
Coordenadorxs:
Rita de Cássia Ariza da Cruz (USP)
Maria Aparecida Pontes da Fonseca (UFRN)
Edvaldo Cesar Moretti (UFGD)
Hugo Rogério Hage Serra (UNIFESSPA)
Claudia Troncoso (UBA)

Abordagens acerca dos impactos da pandemia sobre o turismo têm se multiplicado pelo mundo frente aos reconhecidos e profundos impactos da crise sanitária sobre o setor. Mas é, também, graças a viagens e ao turismo, por outro lado, que, dialeticamente, a crise se instalou e se espalhou pelo planeta. Nessa dialética turismo-pandemia desdobramentos da crise se têm feito sentir de diferentes formas e em todas as escalas geográficas, as quais revelam, ao mesmo tempo, a sincronicidade homogênea do fenômeno pandêmico, bem como as particularidades econômicas, sociais, ambientais e políticas no âmago das diferentes regiões mundo afora. Com base nesses pressupostos, este Grupo de trabalho objetiva promover um debate amplo sobre as imbricadas e ainda pouco estudadas relações entre pandemia e turismo, considerando aspectos sociais, culturais, políticos, geopolíticos e econômicos, guiados por uma perspectiva espacial, multi e trans-escalar.
Coordenadorxs:
Maria Goretti Tavares (UFPA)
Maria Tereza Duarte Paes (UNICAMP)
Everaldo Batista da Costa (UNB)
Caio Augusto Amorim Maciel (UFPE)
Rafael Winter Ribeiro (UFRJ)

Ao longo dos últimos dez anos, o GT CIDADE, IMAGEM, PATRIMÔNIO, formado por pesquisadores com diferentes interesses que convergiam para a reflexão sobre Geografia e o Patrimônio Cultural, buscou construir as bases para uma reflexão mais densa sobre o tema, pois este ainda não era muito desenvolvido como objeto de pesquisa nesta área disciplinar. Atualmente, entende-se que a temática se encontra consolidada entre os geógrafos e geógrafas, contando já com um número expressivo de pesquisadores (as) na Pós-Graduação em Geografia, o que nos permite, a partir deste GT articulado nos Enanpege, construir uma Rede de Geografia e Patrimônio Cultural. Articulado a partir de Grupos de Pesquisa consolidados em diferentes regiões do país (Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste), o objetivo deste GT é reunir pesquisadores que trabalham com temática do patrimônio cultural, tormando a Geografia em suas múltiplas perspectivas metodológicas e episteológicas contribuindo, assim, para o adensamento epistemológico do campo na Geografia, assim como para a articulação de um trabalho em Rede entre pesquisadores(as) e estudantes de pós-graduação em Geografia. Com essa abordagem geográfica, temos priorizado as relações dos patrimônios com o turismo, com as políticas de imagem das cidades e com as políticas públicas de planejamento territorial nos inúmeros processos de patrimonialização, de modo a revelar a forma como os conceitos de território, paisagem e lugar têm sido abordados e/ou apropriados. Estes temas aglutinadores estruturaram este GT e seguem desenvolvendo-se em novas ramificações na Rede de pesquisadores que se constituiu.
Coordenadorxs:
Alexandre Queiroz Pereira (UFC)
Bertrand Cozic (UFPE)
Eustogio Wanderley Correia Dantas (UFC)
Marcio Douglas Brito Amaral (UFPA)
Luiza Câmara Beserra Neta (UFRR)

A urbanização em função dos lazeres e do turismo produz formas-conteúdos em escala regional e intraurbana. Os (eco)resorts, parques temáticos, as novas arenas esportivas e os empreendimentos turístico-imobiliários são indicadores da reprodução do espaço associado a novas formas de acumulação. Eventos festivos e esportivos padronizados, práticas marítimas modernas e demais atividades de lazer urbano-metropolitano engendram ambiências e sociabilidades que atribuem novos sentidos à cidade. Mas a dimensão lúdica da vida urbana, segundo Henri Lefebvre, ultrapassa o vasto leque de serviços ofertado pelo segmento. Abrange o uso, através de práticas autônomas e inventivas, utopias de cidade, táticas e apropriações que circunscrevem iniciativas diversas no vasto campo do possível no devir urbano. O conjunto das atividades lúdicas dialoga com a urbanização dispersa, as centralidades, a segregação socioespacial, a espetacularização, a gentrificação, a metropolização do território, dentre outros processos. Neste sentido, convidamos a pensar os conteúdos socioespaciais desdobrados pela dimensão do lúdico na (re)produção do urbano.
Coordenadorxs:
Alcindo José de Sá (UFPE)
Elisângela Gonçalves Lacerda (UFRR)
Alexandre Magno Alves Diniz (PUC)
Silas Nogueira Melo (UEMA)
Clay Anderson Nunes Chagas (UFPA)

A criminalidade e a violência fazem parte do rol dos temas mais discutidos da atualidade, configurando-se, já há algumas décadas, em um dos fenômenos que mais preocupam os brasileiros. Em que pese as prestimosas contribuições de profissionais de outras áreas do conhecimento, em especial da Sociologia, Antropologia, Psicologia e Criminologia sobre o tema, a Geografia tem um importante papel nesta discussão. O GT prioriza, portanto, discussões teóricas e resultados empíricos acerca da distribuição espacial e dinâmica territorial da criminalidade e violência, em suas diversas formas de manifestação, ocorrendo em várias escalas de análise, bem como procura estudar os processos sociais e o espaço enquanto reveladores das configurações socioespaciais que refletem a injustiça social e espacial do crime e da violência. Ênfase deve ser dada ao emprego de importantes categorias de análise geográficas (paisagem, território, região, lugar, etc.) no estudo desta temática.
Coordenadorxs:
Rita de Cassia da Conceição Gomes (UFRN)
Virgínia Célia Cavalcante de Holanda (UVA)
Artur Rosa Filho (UFRR)
Antonio Cardoso Façanha (UFP)
Francisco Clébio Rodrigues Lopes (MAG/UVA)

A reestruturação urbana desencadeada no Brasil, principalmente a partir do início do século XXI, em resposta às mudanças que ocorreram no processo de produção da sociedade, promoveu reconfigurações importantes no contexto das cidades independente de suas escalas. Desse modo, as pequenas cidades, que até então se apresentavam como espaços, que atendiam apenas às demandas da população inerente ao território municipal, tiveram seus papéis redefinidos, passando a abrigar diversas funções expressas por meio de serviços e do comércio que redefiniram as articulações territoriais e urbano-regionais. É essa realidade que justifica a proposta do GT Pequenas Cidades e as Articulações Urbano-Regionais no Contexto da Reestruturação Urbana que tem por objetivo principal discutir abordagens teóricas e metodológicas que possibilitem o entendimento dos espaços das pequenas cidades, enquanto objetividade empírica, cujas especificidades socioespaciais se redefinem no contexto da produção do espaço demarcada por um período técnico-cientifico-informacional, no qual as verticalidades e horizontalidades, bem como as racionalidades e contraracionalidades se entrecruzam, produzindo na sociedade capitalista suas contradições. Priorizar-se-á no debate as seguintes temáticas: a expansão do ensino superior; a dinâmica industrial, comercial e do consumo; novas práticas cotidianas; mobilidades; redefinições na prestação de serviços; Mercado de trabalho; planejamento territorial; gestão e governança. Assim, o GT proposto, ancorado em novas perspectivas teóricas e metodológicas, alicerçado em bases empíricas, trará uma contribuição à leitura das pequenas cidades e sua inserção nas dinâmicas territoriais contemporâneas e, por conseguinte à ciência Geográfica.
Coordenadorxs:
Gloria da Anunciação Alves (USP)
Tatiane M. Pinto de Godoy (UFSJ)
Rafael Faleiros de Pádua (UFPB)
Livia Maschio Fioravante (IFMT)
Isabel Aparecida Pinto Alvarez (USP)

O GT busca reunir as pesquisas que tenham como premissa a produção do conhecimento crítico e radical, no sentido de analisar o mundo contemporâneo, que é urbano, e apontar na direção de sua superação, em direção à utopia. Busca-se, assim, pesquisas que desvendem a produção da prática socioespacial compreendendo a realidade urbana em sua totalidade, a partir dos diferentes níveis de análise. O GT deve explicitar a maneira como a produção do espaço integra, cada vez mais, os momentos da vida cotidiana e as práticas socioespaciais, ao capital financeiro e mundializado, provocando transformações sem precedentes nas cidades, num processo crítico e contraditório. Tal processo se revela como crise de diferentes dimensões, tais sejam, política, social, ambiental, econômica, cultural. Contudo, na perspectiva que delineia este GT, a raiz dessa crise está no papel desempenhado pela produção do espaço e pela colonização do cotidiano nas estratégias da reprodução ampliada do capital. Alguns temas, mas não exclusivamente estes, podem contribuir para a construção do debate: crise urbana, contradições do espaço e lutas na cidade, segregação socioespacial, etnia gênero e classe na produção do espaço, revalorização de áreas centrais, projetos urbanos valorização e gentrificação, fragmentação e homogeneização de espaços, produção e obsolescência de infraestruturas urbanas, o papel do Estado na produção do espaço, conflitos e lutas pelo direito à cidade, Os trabalhos devem ter como perspectiva de análise a construção de um pensamento crítico e radical sobre a cidade e o urbano.
Coordenadorxs:
Igor Catalão (UFFS)
Maria Angélica de Oliveira Magrini (UFU)
Patrícia Helena Milani (UFMS)
Andréa Leandra Porto Sales (UFPB)
Aritz Tutor Anton (UAM – Xochimilco/México)

O direito à cidade, conceito originalmente elaborado pelo filósofo Henri Lefebvre, foi incorporado na pesquisa urbana - em particular pela Geografia - como potência analítica para pensar o mundo contemporâneo e propor-lhe alternativas. Para o autor, trata-se de pensar um caminho revolucionário às condições de opressão e exploração existentes nas cidades capitalistas. Entretanto, diferentes caminhos foram percorridos pelos pesquisadores, políticos, ativistas e organizações no uso do conceito. Alguns foram mais direcionados, considerando o direito à cidade na legislação como estratégia para garantir condições mínimas de vida à população. Outro foram mais filosóficos, elevando o direito à cidade quase à condição de uma metateoria. Seja como for, trata-se de um conceito que já tem uma trajetória geográfica e comparece, portanto, como instrumento de pesquisa, ação e práxis nos mais diversos contextos socioespaciais. Hoje as cidades são uma escala prioritária de experiência e explicação; portanto, o direito à cidade como conceito geográfico, assim como seus desdobramentos em debates sobre justiça social e espacial, cidadania, função social da propriedade, políticas públicas, minorias sociais, entre outros. Receberemos contribuições dos mais diversos campos da Geografia: urbana, política, social, cultural, rural, ambienta etc. São convidadas a submeter propostas as pessoas com contribuições teóricas, metodológicas e também de atuação profissional ou comunitária (colaborações, consultorias, ativismos, participação coletiva e associativismo).
Coordenadorxs:
Paulo Cesar da Costa Gomes (UFRJ)
Maria Helena Braga e Vaz da Costa (UFRN)
Angelo Szaniecki Perret Serpa (UFBA)
Marcos Paulo Ferreira de Góis (UFRJ)
Igor Martins Medeiros Robaina (UFES)

Com bastante frequência, seja no discurso científico ou no senso comum, a expressão “espaço público” parece referir-se genericamente a uma área urbana livre e aberta, a um conjunto de formas físicas identificáveis na malha das cidades contemporâneas – ruas, praças, parques, largos, entre outras. Se é fato, como parece sinalizar essa definição, que os espaços públicos dependem de uma base concreta para se constituírem, seria limitado supor que tais formas urbanas possuam um conteúdo absoluto e independente do momento histórico, de sua localização e, sobretudo, das maneiras como são concebidas, usadas e vivenciadas pelos cidadãos na vida cotidiana. A “vida pública” – isto é, os ritos sociais indispensáveis à regulação da copresença democrática de pessoas com expectativas, interesses e projetos tão diversos nos espaços urbanos – não é resultado da ação espontânea dos cidadãos ou de instituições públicas. Lembremos, ainda, que o livre agrupamento de pessoas em uma área comum também não é suficiente para caracterizar um “espaço público”. Portanto, todos os dias, quando determinadas condutas e ações são apresentadas nos espaços da vida pública, e, a partir delas, emergem comportamentos de adesão, discordância ou transgressão, instaura-se um debate político – um debate sobre as maneiras de estabelecer os limites do terreno para a copresença espacial dos cidadãos. À luz dessa breve apresentação, o principal objetivo do Grupo de Trabalho (GT) Espaços públicos: política, cultura e vida urbana é reunir pesquisadores com experiência de investigação sobre “espaços públicos” nos seguintes eixos: vida pública, imaginário e visibilidade; apropriações, conflitos e diálogos políticos; interação social, cultura e sociabilidade; convivência, vida urbana e alteridade; manifestações políticas; morfologias, normas e projetos urbanos.
Coordenadorxs:
Alvaro Ferreira (PUC - RIO)
Olga Lúcia Castreghini de Freitas Firkowski (UFPR)
Paulo Roberto Rodrigues Soares (UFRGS)
Sandra Lencioni (USP)
José Borzacchiello da Silva (UFC)

A discussão clássica que aborda as dimensões da metrópole e de sua região metropolitana recompõe-se diante da nova dinâmica socioespacial, exigindo uma atualização desse debate. É exatamente nesse sentido que redes, metamorfoses metropolitanas, constituição de cidades-região, de uma mega-região, de cidades dispersas, bacias urbanas, conglomerados urbanos, clusters urbanos, dentre outras formações espaciais, expressam uma realidade contemporânea mais complexa e que pressupõe, por sua vez, convivências de configurações territoriais distintas, responsáveis por desencadear uma diversidade e uma complexidade socioespacial nunca vistas, que modificam fortemente o cotidiano e impõem a necessidade de criação de novas táticas e estratégias de ação e gestão. Tais transformações, de cunho social e espacial, que demandam novas formas de pensar e de problematizar o planejamento e a gestão urbana e regional, sugerem, igualmente, esforços acadêmicos com o intuito de aprofundar, sistematizar e propor novas leituras acerca da metropolização do espaço, da metrópole e da região, além de também focar a sua inter-relação. É nesse sentido que a ANPEGE se constitui um espaço privilegiado para a realização dessa discussão tão cara ao desenvolvimento da ciência geográfica.
Coordenadorxs:
William Ribeiro da Silva (UFRJ)
Maria José Martinelli Silva Calixto (UFGD)
Vitor Koiti Miyazaki (UFU)
Arthur Magon Whitacker (UNESP)
Oscar Sobarzo (UFS)

A urbanização orientada pelo desenvolvimento do capitalismo industrial caracterizou-se pelo crescimento do número e do tamanho das cidades, levando à intensificação e mudanças no processo, o que foi expresso pelo papel protagonista exercido pelas metrópoles, no que se refere ao comando econômico e político, e, sobretudo, aos modos de ser, pensar e viver da sociedade. As redefinições pelas quais o modo de produção vem passando nas últimas décadas, constituem um novo momento, o que se reflete e se apoia na própria reestruturação urbana e das cidades. Há uma nova divisão interurbana do trabalho e uma nova divisão social e econômica dos espaços urbanos, o que tem rebatimento nos papéis exercidos por todas as cidades das redes e sistemas urbanos. As cidades adjetivadas como médias, ou seja, aquelas que desempenham funções de intermediação vêm revelando o escopo de tais mudanças, num período de intensificação das relações internacionais, sob a égide da globalização. Algumas delas ampliam seus papéis, outras perdem posição na hierarquia urbana, várias se articulam não apenas no âmbito das redes a que pertencem, mas também na escala internacional. Tendo em vista este quadro, o modo como as articulações entre escalas geográficas efetuam-se, no período atual, requer a ampliação e o aprofundamento da reflexão sobre as relações entre cidades, e entre elas e o campo. É fundamental considerar as especificidades das formações socioeconômicas latino-americanas, particulares no processo geral de desenvolvimento capitalista, tanto quanto, as singularidades das formações socioespaciais que compõem territórios e sociedades periféricas ou dependentes numa economia e sociedade cada vez mais internacionalizadas.
Coordenadorxs:
João Batista de Deus (UFG)
Fernando Luiz Araújo Sobrinho (UNB)
Josimar dos Reis de Souza (CEFET MG)
Adão Francisco de Oliveira (UFT)
Cíntia Neves Godói (UNIALFA)

As áreas dos cerrados constituem um conjunto de espaço econômico/social heterogêneo com processos pretéritos e recentes de ocupação econômica, caracterizada, particularmente, pela: modernização agrícola; constituição de complexos agroindustriais; reestruturação produtiva; urbanização recente e constituição de redes geográficas articulando campo e cidade, local e global. Segundo Corrêa (1995) os impactos da modernização agrícola dizem respeito, particularmente, à estrutura fundiária, aos sistemas agrícolas, aos produtos cultivados, às relações sociais de produção e à mobilidade demográfica. Todavia, a reestruturação produtiva do campo afetou, sobremaneira, a urbanização, à medida que a partir dela tornou-se possível, nas cidades das regiões agrícolas modernizadas, a adoção de algumas outras inovações, principalmente, aquelas ligadas à prestação de serviços, bem como à informação, à comunicação e ao mundo financeiro. O enfoque regional da urbanização será desenvolvido para definir e diferenciar as formas urbanas atuais da região: o processo, os agentes, as formas espaciais, seus conteúdos socioeconômicos e suas funções. Bem como as vulnerabilidades sócio/espaciais e ambientais dessa urbanização. Assim, este GT se propõe a discutir o processo de formação sócio espacial e urbanização nas áreas do cerrado brasileiro, considerando-se os fatores políticos, econômicos, sociais e culturais que criaram novas redes e territorialidades no Brasil Central. Os temas poderão ser enfocados considerando os seguintes aspectos já evidenciados no comportamento das redes de cidades dos cerrados: (re)configuração da rede urbana e novas territorialidades; modernização agrícola e urbanização; dinâmicas sócio espaciais; transformações recentes; metrópoles; capitais regionais; pequenas e médias cidades; relações cidade e campo; fragmentação territorial e constituição de novos municípios.
Coordenadorxs:
Carlos Henrique Costa da Silva (UFSCar)
Sidney Gonçalves Vieira (UFPel)
Luiz Gonçalves (UVA)
Geisa Dayse Gumiero Cleps (UFU)
Rosa Maria Rodrigues Lopes (UERN)

Nas últimas três décadas, pesquisar o comércio e o consumo tem mostrado ao geógrafo que na sociedade contemporânea, o consumo “parece” que tem vida própria, tal a centralidade alcançada por esta esfera da produção material da sociedade capitalista. Sem autonomizar este momento da produção, consideramos necessário destacá-lo da produção, distribuição e circulação de mercadorias para entender como esta subtotalidade se hipertrofia para sustentar a reprodução econômica que se apresenta financeirizada. É a esfera que envolve e se reproduz na prática da vida cotidiana, portanto, a que contém a maior complexidade da dimensão vivida. A crise mundial produzida pela pandemia da Covid19, com a necessidade do distanciamento social para conter a propagação do vírus, no plano do comércio e do consumo, retirou aquilo que lhe dá sentido, o encontro de pessoas e as possibilidades de trocas. O delivery e as compras por internet se tornam condição para o comércio funcionar, revelando o aumento de empregos precários que mobilizam as entregas de mercadorias. As grandes empresas supermercadistas e os marketplaces expandem suas atividades e os estabelecimentos comerciais de rua lutam para sobreviver, pois novas práticas espaciais de consumo são redefinidas conforme as variações das medidas de isolamento social impostas. Diante deste quadro, destacamos que as análises dos participantes deste GT podem apresentar diferentes enfoques desta problemática, o que possibilita o debate e garante energia para dar continuidade ao pensar e refletir dos geógrafos.
Coordenadorxs:
Paola Verri de Santana (UFAM)
Cesar Ricardo Simoni Santos (USP)
Ester Limonad (UFF)
Heloisa Soares de Moura Costa (UFMG)
Adriana Bernardes (UNICAMP)

Nas duas últimas décadas, o Brasil experimentou uma intensificação geográfica da acumulação e da urbanização. A rede urbana complexificou-se, as regiões metropolitanas e cidades médias multiplicaram-se, surgiram novas aglomerações urbanas, aprofundou-se a divisão social e territorial do trabalho. A especialização e diversificação produtiva em escala regional facultou a formação de regiões produtivas (do agronegócio, de extração mineral, do turismo, dos enclaves industriais e urbanos). Mudaram os fluxos migratórios e verificou-se uma redistribuição espacial da população. Os sinais das mudanças são aparentes em todo país. Nesse contexto, sobressai em muitas cidades o caráter precário da urbanização, impulsionada, ainda que parcialmente, por ações do Estado e das corporações através de novas concepções e instrumentos de planejamento e de gestão, com o suporte dos bancos estatais, que criam e recriam o espaço social para atender às demandas da reprodução hegemônica, seja através da implementação de um planejamento em escala regional, seja através de práticas de planejamento urbano, redefinindo os usos do território. Apesar do Estatuto da Cidade e da implementação de práticas alternativas inovadoras, a produção dos espaços hegemônicos da acumulação contempla desigualmente os espaços de produção e as esferas de reprodução social, que se evidencia seja nas condições de vida da população, seja na densidade técnica das infraestruturas e da presença heterogênea da técnica, da informação e da comunicação. Em termos de práticas, são inúmeros os desafios postos para a efetivação do direito à cidade e para a superação de práticas marcadas pela competitividade, pela desigualdade, pela ineficiência administrativa e por uma crescente degradação ambiental. O debate da relação entre planejamento/gestão e produção do espaço no Brasil demanda um esforço de reflexão da Geografia em relação ao papel e ações do Estado, dos movimentos sociais e das empresas (corporações) na produção e gestão do espaço por meio do planejamento.
Coordenadorxs:
Regina Helena Tunes (UERJ)
Leandro Dias de Oliveira (UFRRJ)
Denis Castilho (IESA)
Luciana Buffalo (UNC, Argentina)
Claudio Zanotelli (UFES)

O entrelaçamento teórico entre geografia econômica e economia política (assim como da ecologia política) promove não somente a atualização e ampliação de debates sobre o mundo do trabalho, a produção de territórios em diferentes escalas, envolvendo, além da produção e da circulação, a distribuição, a troca e o consumo de mercadorias, a utilização da natureza-recurso e a própria localização, impacto e transbordamento de empreendimentos fabris, mas também permite refletir sobre os novos processos de “desenvolvimento” local-regional; as concretudes, imaterialidades e conflitividades do conhecimento, da inovação e da tecnociência; a constituição de redes geográficas, de espoliação e de poder; as relações entre Estado, corporações e diferentes frações do capital; e os processos de metropolização, financeirização e reestruturação econômico-ecológico-espacial. Em meio a esta agenda renovada do campo da geografia econômica (e também da geografia da indústria), nosso foco neste Grupo de Trabalho é aproximar investigadores que desenvolvam pesquisas nos seguintes temas: [1] globalização, financeirização e suas implicações na constituição de cadeias produtivas em diferentes escalaridades; [2] processos de industrialização e de expansão da “modernização” territorial, especialmente nas economias periféricas; [3] neoliberalismos, meio, ecologia política e questões socioambientais; [4] o papel da ciência, da tecnologia, da informação e das redes técnicas no processo de integração e/ou produção de territórios, na criação de novos arranjos espaciais e nos sistemas espoliativos; [5] a produção flexível, as transformações no mundo da fábrica, a inovação e as novas formas de trabalho, acumulação e resistência.
Coordenadorxs:
Adeir Archanjo da Mota (UFGD)
Helen Gurgel (UnB)
Rivaldo Faria (UFSM)
Juliana Ramalho Barros (UFG)
Rafael Catão (UFES)

Ao longo da última década observou-se a retomada do interesse pelo espaço geográfico na área da saúde tanto como categoria de análise da distribuição espacial de agravos à saúde, quanto para o aperfeiçoamento dos sistemas de saúde. Este movimento tem como bases: a renovação da epidemiologia, que busca caracterizar os determinantes sociais e ambientais dos problemas de saúde; a preocupação com o desenvolvimento da promoção de saúde, compreendendo o território como estratégia de ação; e, a necessidade de regionalizar os serviços e ações de saúde, entre outros fatores ligados à história recente da Saúde Coletiva. Por outro lado, a Geografia da Saúde, desde a sua origem, tem sido calcada na evidência dos problemas, permitindo a identificação de lugares e situações de risco, apoiando o planejamento territorial de ações de saúde e o desenvolvimento das atividades de prevenção e promoção de saúde para obterem maior eficácia. O interesse na temática da geografia e saúde tem aumentado, tanto em âmbito acadêmico-científico quanto nos serviços públicos. No último ano ganhou forte relevância com a Pandemia de Covid-19. Um dos compromissos primordiais da Geografia da Saúde no Brasil é contribuir para a consolidação do SUS e a redução das desigualdades sociais.
Coordenadorxs:
Marcelo Rodrigues Mendonça (UFG/Centro Oeste)
Mercedes Solá Pérez (UFS/Nordeste)
José Alves (UFAC/Norte)
Ana Maria Soares de Oliveira (UEMS)
Fernando Mendonça Heck (IFSP)

Os fundamentos teórico-metodológicos da Geografia do Trabalho; A centralidade da categoria trabalho nas pesquisas em Geografia; A dimensão territorial da crescente fragmentação do trabalho; Análise e crítica da dinâmica geográfica do capital e do trabalho; Expressões laborais e formas específicas de controle social e territorial (subordinação, exploração, dominação e sujeição) do capital sobre o trabalho; A construção de (Re)Existências políticas e organizativas no mundo do trabalho (sindicais, mobilização social, emergência de coletivos plurais, ação e práticas populares); Processos atuais de acumulação do capital no campo e na cidade e suas estratégias territoriais; Crítica à reestruturação produtiva do capital: fragmentação e redefinição intensa das habilitações profissionais/ocupacionais que repercutem na plasticidade do trabalho e nas novas formas de exploração do trabalho; Plataformas digitais, tanto pela via do crowd work (teletrabalho) quanto on demand (uber, delivery`s). Novas formas de controle do trabalho afinadas aos avançados componentes e tecnologias como as TI`s, robótica, algoritimos que se consumam na degradação sistêmica do trabalho. A formação espacial do Brasil e América Latina exigem do pesquisador preparo e habilidades para situar esse momento histórico ao movimento e contradições impostas pela crise estrutural do capital, que potenciam a superexploração do trabalho e os efeitos nefastos à saúde do trabalhador (física e mental); Articulações atuais entre o Estado, o capital e o trabalho e a construção de políticas públicas; Estado, pandemia, os ataques à desproteção, às políticas de seguridade social, os efeitos perversos das contrarreformas constitucionais e do destrutivismo do capital; A questão agrária enquanto referência para a necessidade da reforma agrária no Brasil. O trabalho, uso e apropriação do espaço, da natureza e a destruição ambiental em detrimento do modelo maquínico-químico-dependente, que fundamenta as grandes estruturas monopolista-latifundiárias commoditizadas, em detrimento da agricultura familiar-camponesa; A (des)realização e as novas identidades do trabalho: dinâmicas espaciais e plasticidade do trabalho; Trabalho e múltiplas formas de opressão nos territórios do campo, das águas, das florestas e das cidades; Gênero, raça/etnia e (Re)Existências: estratégias, formas e ações na luta social; (Des)envolvimento e territorialização do capital no campo e na cidade: o agro-minero-hidronegócio, a cultura do veneno, a produção de comida e soberania alimentar; O mundo do trabalho no contexto da Covid-19 e perspectivas para o pós-pandemia; Educação e trabalho; Mobilidade do trabalho e migração nacional e internacional.
Facebook Instagram