CONHEÇA NOSSAS ÁREAS TEMÁTICAS

A partir dos anos setenta as chamadas geografias feministas foram fundamentais nas transformações teórico-metodológicas da ciência geográfica. Os estudos das questões étnicas e raciais também se agregaram a este processo. O crescimento da perspectiva de gêneros, sexualidades, etnicidades e racialidades no campo científico geográfico foi resultado da necessidade da ciência acompanhar as transformações sociais e econômicas, cujos papéis de gênero e de sexualidades dissidentes e das discriminações e segregações étnicas e raciais passaram a ter centralidade na sociedade contemporânea. A geografia, enquanto uma ciência social incorporou esta abordagem na medida em que compreendeu que os variados grupos sociais desenvolvem espacialidades diferenciadas e que a atenção em torno das relações raciais, étnicas, de gênero e sexualidades ampliam a capacidade compreensiva do espaço. Esse horizonte mundial é igualmente significativo para os movimentos sociais latino-americanos que incluíram debates em torno de temas como o acesso ao território ancestral, à terra rural, à cidade, ao mercado de trabalho, à divisão de riquezas, à justiça ambiental, as instâncias políticas, a mobilidade espacial, entre outros temas. O objetivo deste grupo de trabalho consiste em tratar estas temáticas considerando as assimetrias de gêneros e raciais e as lutas pelos direitos LGBT, negros, indígenas, de mulheres e outros segmentos a partir da perspectiva espacial e interseccional.
 
Coordenação:
JOSELI MARIA SILVA (UFPR)
ANITA LOUREIRO DE OLIVEIRA (UFRR)
ROSELI ALVES DOS SANTOS (UNIOESTE)
MARIA DAS GRAÇAS SILVA NASCIMENTO SILVA (UNIR) 
BENHUR PINÓS DA COSTA (UFSM)
O grupo de trabalho “Geografia e poder: conflitos, resistências e resiliências” tem por objetivo a socialização e a reflexão sobre o processo de construção do conhecimento no âmbito da Geografia e sua vinculação às relações de poder, bem como às resistências territoriais e aos contrapoderes numa perspectiva multiescalar e de base local. Neste sentido, buscar-se-á apresentar as experiências de trabalho efetivadas pelos membros do grupo e pesquisas elaborados por outros autores brasileiros e estrangeiros, bem como sua aproximação no plano teórico e metodológico, destacando-se os sentidos políticos de cada concepção. Na Geografia, o aprofundamento do conhecimento nessa temática tem se dado, em boa parte, pelas investigações desenvolvidas por pesquisadores responsáveis e participantes de grupos de pesquisa, em especial em nível de mestrado e de doutorado. A proposta/ementa, então, contemplará: A pluralidade conceitual do poder na Geografia. O território, a territorialidade e as escalas territoriais. As redes, as interações espaciais, os conflitos, os consensos e os agentes envolvidos de modo inter e multiescalar pelas inovações (i)materiais que influenciam a organização do espaço e, portanto, o território e resistências ao processo de globalização do capital. A Geografia no contexto das interconexões que envolvem as relações de poder e contrapoderes – resistências territoriais e resiliência. Pelas justificativas apresentadas propomos a quarta experiência em conjunto desses pesquisadores, para a referida temática, pretendendo-se que seja um diferencial no sentido da leitura geográfica das relações de poder e contrapoderes nas diversas escalas territoriais.
 
Coordenação:
MÁRCIA DA SILVA (UNICENTRO)
ADILAR CIGOLINI (UFPR)
ELISA PINHEIRO DE FREITAS (UFMT)
FRANCISCO FRANSUALDO AZEVEDO (UFRN)
LUCIANA RIÇA MOURÃO BORGES (UNIR)
Ecologia Política e Geografia Ambiental constituem campos extremamente próximos, a despeito de suas particularidades. Enquanto a Ecologia Política vem se afirmando, desde a década de 1970, como um campo interdisciplinar (e, idealmente, também uma práxis emancipatória) cuja ambição é, justamente, “desnaturalizar” e politizar criticamente a problemática ambiental, a Geografia Ambiental, de sua parte, busca a promoção de um diálogo de saberes no interior da Geografia, construindo o objeto de conhecimento de modo a desafiar o fosso epistemológico, teórico e metodológico entre o estudo da natureza e o da sociedade. O GT almeja contribuir para a convergência de esforços de pesquisa (e ativismo) que, na Geografia brasileira, girem em torno de problemas socioecológicos, tais como riscos, vulnerabilidade, contaminação e desastres ambientais, situações de injustiça ambiental, análise crítica da legislação ambiental e seus efeitos, exame de ativismos e conflitos ambientais, exemplos de colaboração entre técnicos/pesquisadores e movimentos sociais, discussão de políticas públicas e seus instrumentos, e assim sucessivamente. Experiências envolvendo análises e desafios político-intelectuais nos mais diversos tipos de contexto/escala espacial, considerando agentes modeladores do espaço e relações de poder envolvidas, são muito bem-vindas, como por exemplo: ? Resistência de populações tradicionais (caiçaras, quilombolas, indígenas, ribeirinhos, faxinalenses etc.) e suas práticas espaciais. ? Situações de racismo ambiental em áreas rurais e urbanas (de pequenas e médias cidades a metrópoles). ? Problemas e gargalos da legislação, do licenciamento, do planejamento e da gestão ambiental e territorial. ? Instrumentalização conservadora de argumentos “ecológicos” com fins de reorganização espacial. ? Dimensão política, econômica e/ou cultural da criação de áreas ambientalmente protegidas e do processo de uso e ocupação do espaço. ? Relações entre segregação residencial e problemas ambientais. ? Quadros de injustiça ambiental e lutas por justiça ambiental. ? Riscos, vulnerabilidade e desastres ambientais.
 
Coordenação:
LUCIANO ZANETTI PESSOA CANDIOTTO (UNIOESTE)
ADRIANA FILGUEIRA LEITE (UFF)
MÁRCIA APARECIDA DA SILVA PIMENTEL (UFPA)
MARCELO LOPES DE SOUZA REBECA STEIMAN (UFRJ)
REBECA STEIMAN (UFRJ)
O GT constitui-se, em espaço de discussão vinculado a resultados de pesquisas concluídas e em andamento, a aportes teóricos e a metodologias e propiciará a troca de experiências com o intuito de refletir sobre as diferentes formas de saber fazer e de apropriação dos recursos territoriais concernentes à produção, circulação e consumo de alimentos. O objetivo do GT é discutir a redução do cultivo de alimentos tradicionais diante do avanço do agronegócio, seus efeitos na erosão da cultura alimentar e na soberania e segurança alimentar nutricional dos agricultores e consumidores; os movimentos contra hegemônicos e as articulações sociais em defesa das sementes crioulas, dos alimentos agroecológicos, e os orgânicos; o fortalecimento da relação campo/cidade; além de também constituir um espaço de discussões do entendimento da alimentação enquanto manifestação cultural identificador de distintos grupos culturais. Outrossim, serão abordadas as alternativas de comercialização dos alimentos pelos grupos familiares urbanos e rurais nos circuitos curtos (feiras, venda direta, mercado digital)como uma estratégia de reprodução social. Diante da abrangência da temática dos alimentos nas diferentes escalas geográficas serão evidenciadas os processos de proteção e valorização dos alimentos relacionadas aos registros como as marcas coletivas, as Indicações Geográficas e a Patrimonialização Cultural, assim como as repercussões desses distintivos para os grupos familiares envolvidos.
 
Coordenação:
SÔNIA DE SOUZA MENDONÇA MENEZES (UFS)
MARCELO CERVO CHELOTTI (UFSM)
ALCIDES DOS SANTOS CALDAS (UFBA)
JULIANA CRISTINA FRANZ (FURG)
PATRICIA FRANCISCA DE MATOS (UFCAT)
Uma radiografia do porte dos municípios brasileiros nesta terceira década do século XXI – considerando estimativa populacional do IBGE para 2022 e como objeto a distribuição dos municípios brasileiros por dimensão populacional – revela a importância e a expressividade das cidades pequenas e médias. De um total de 5.570 cidades, 3.770 (68%) têm menos de 20.000 habitantes, 1.120 (20%) têm entre 20.001 a 50.000 habitantes, 354 (6%) têm entre 50.001 a 100.000 habitantes, 277 (5%) têm entre 100.001 a 500.000 habitantes e apenas 50 (1%) têm população acima de 500.000 habitantes. Reconhecemos que esses dados, isoladamente, mascaram a concentração populacional e as densidades urbanas nas cidades médias e grandes. Todavia, não podemos ignorar que os dados informam um fenômeno socioespacial expressivo que não pode ser negligenciado pela ciência e pelas políticas territoriais: o número expressivo de cidades pequenas e médias, dispersas espacialmente pelo território brasileiro. Assim, é imperativo o esforço de apreensão das dinâmicas territoriais (históricas, geográficas, econômicas, sociais e políticas) que entrecruzam esses complexos espaciais, denominados cidades pequenas e médias. Entende-se que as cidades estabelecem relações funcionais, conformando redes urbanas que ativam a mobilidade espacial da população em diferentes escalas, promovendo movimentos pendulares. A ação do Estado e do capital promove a concentração espacial dos bens e serviços, engendrando novos processos (migratórios, concentração populacional e crescimento urbano) que podem conduzir a ampliação das desigualdades socioespaciais. O estudo das pequenas e médias cidades tem empreendendo um esforço para elucidar as novas relações entre a cidade e o campo, o rural e o urbano, caracterizadas pela interação, coexistência e imbricação de conteúdos do rural e do urbano, ou seja, da produção de espaços híbridos que conjugam urbanidades e ruralidades. Considerando essa complexidade, acolhemos trabalhos que tratem da mobilidade, urbanidades, ruralidades e desigualdades socioespaciais que se manifestam nas cidades pequenas e médias.
 
Coordenação:
AGRIPINO SOUZA COELHO NETO (UNEB)
ANA IVANIA ALVES FONSECA (UNIMONTES)
ANTONIO MUNIZ DOS SANTOS FILHO (UNEB)
CARLOS SILVEIRA PORTO (UNIFAL-MG)
JOVENILDO CARDOSO RODRIGUES (UFPA)
A Geografia da População abarca uma ampla gama de temas que exploram as interações entre população e território, utilizando diversas abordagens teóricas e instrumentos metodológicos. As dinâmicas populacionais globais, nacionais e regionais, intensificadas por instabilidades econômicas, políticas e ambientais, têm reconfigurado territórios e revelado desafios que afetam tanto as populações locais como grupos em movimento. Este GT busca promover um espaço para o debate crítico e a troca de conhecimentos sobre as dinâmicas populacionais contemporâneas. Propõe-se reunir contribuições que explorem aspectos como perfil demográfico, mobilidade espacial e migração, composição e estrutura populacional, bem como dinâmicas sociais e espaciais das famílias. Estudos que enfoquem grupos sociais específicos, como comunidades tradicionais, povos originários, populações LGBTQIA+ e segmentos em situação de vulnerabilidade e exclusão social também são esperados, além de leituras críticas sobre as relações entre racismo e patriarcado e população e território. Além disso, o GT pretende fomentar discussões sobre as práticas de ensino da Geografia da População, tanto na educação básica, quanto no ensino superior, visando aprimorar a formação acadêmica e sua aplicação prática.
 
Coordenação:
EDNELSON MARIANO DOTA (UNICAMP)
DENISE CRISTINA BOMTEMPO (UECE)
CARLOS LOBO (UFMG)
ANA CAROLINA GONÇALVES LEITE (UFPE)
LIRIAN MELCHIOR (UFRR)
O GT colocará em movimento o exercício da desconstrução de uma ciência geográfica afeita às regras e padrões normativos que limitam o entendimento das sonoridades. Na história da geografia como pensamento e conhecimento de mundo, o momento de sua organização como uma ciência moderna parece por vezes ter sido uma decisão irreversível. Entretanto, aqueles que a compreendem no campo das humanidades veem florescer neste início de século perspectivas que buscam sua religação com as tradições populares, com as artes, com a religiosidade, com tudo aquilo que ficou de fora deste “muro” construído para separar ciência e sensibilidade. Esse GT é mais um movimento na quebra deste “muro” construído ao longo dos séculos XIX e XX, pois reaproxima a geografia de nossa experiência de mundo e da dimensão sensível e existencial daquilo que nos constitui. Participam do grupo pesquisadores (as) que compartilham a vontade de escutar e ver a geografia permeada pelo ritmo e pela sensibilidade, ao compreender a música como constituinte do espaço geográfico, manifestando-se e ao mesmo tempo fundando lugares, paisagens, territórios e regiões. A consolidação deste importante campo já reúne significativa contribuição teórica, analítica e interpretativa das espacialidades e processos engendrados pela produção, pela difusão, pelo vivido musical e pela compreensão dos imaginários a eles associados. O GT estará estruturado em 3 eixos de diálogo entre geografia e música: 1) Abordagens da Geografia Social: diversidade de tratamentos teóricos relacionados à dimensão espacial dos fatos musicais, que perpassam pelas geografias pós-coloniais, geografias críticas, estudos culturais e estudos urbanos; 2) Abordagens da Geografia Humanista voltada à dimensão simbólica, percepções e representações espaciais da música; 3) Abordagens da Geografia Escolar e Comunicacional, relacionadas ao uso da música como recurso metodológico no ensino de geografia e nas práticas educativas de instituições diversas.
 
Coordenação:
ALESSANDRO DOZENA (UFRN)
JULIA SANTOS COSSERMELLI DE ANDRADE (UERJ)
MARCOS ALBERTO TORRES (UFPR)
CRISTIANO NUNES ALVES (PPGEO)
GUSTAVO HENRIQUE DE ABREU SILVA (UNIR)
O tema do Desenvolvimento Regional tem se mostrado cada vez mais importante para o entendimento das mudanças nas estruturas produtivas e nas infraestruturas/redes técnicas que estão na base da acumulação capitalista e da reorganização da economia mundial. O estudo do Desenvolvimento Regional permite uma análise crítica das formas de políticas públicas, regulação e investimentos do Estado no território; assim como identificar as principais características da atuação das corporações e seu papel na internacionalização e financeirização da produção. São temas também atinentes à discussão sobre o desenvolvimento regional brasileiro, os embates entre capital x trabalho, os conflitos de interesses envolvidos nestes embates; assim como o papel do Brasil na atual divisão internacional do trabalho. Este GT tem origem na discussão acumulada pelo Grupo de Estudos em Desenvolvimento Regional e Infraestruturas (GEDRI), em funcionamento desde o ano de 2005, junto com o Grupo de Estudos da Dinâmica Econômica (GEDE), desde 2008, e do Núcleo de Pesquisa Espaço e Economia (NuPEE) desde 2008. O GT proposto tem o objetivo de aglutinar 6 eixos principais de pesquisa: 1) Circulação, transportes e logística; 2) Financeirização do território nacional e internacionalização da economia brasileira; 3) Políticas públicas e desenvolvimento regional; 4) Desenvolvimento econômico, política industrial e comércio exterior; 5) Reestruturação produtiva e industrialização; 6) Geoeconomia e multipolaridade no século XXI. Busca-se, também, a criação de espaços de discussão que permitam a socialização de experiências de pesquisa e a reunião de um acervo qualificado de discussões, cujos desdobramentos podem tanto contribuir para a qualificação dos quadros da pós-graduação em geografia no Brasil assim como se constituem em contribuição ao debate de problemas nacionais contemporâneos.
 
Coordenação:
PIERRE ALVES COSTA FLORIANO (UNICENTRO)
JOSÉ GODINHO DE OLIVEIRA (UERJ)
FABIO BETIOLI CONTEL (USP)
LISANDRA PEREIRA LAMOSO (UFGD)
MÁRCIO ROGÉRIO SILVEIRA (UFSC)
A proposta desse Grupo de Trabalho é propiciar o desenvolvimento de discussões teórico-metodológicas e historiográficas acerca das múltiplas e recíprocas relações entre a Geografia, a Filosofia, a teoria do conhecimento científico e as artes – de modo que as perspectivas de abordagem da realidade (sob a forma de paradigmas, teorias, modelos, categorias e conceitos) se permitam examinar a partir de ângulos internalistas (linguísticos e lógico normativos) e externalistas (condições materiais de existência, valorativos e socioculturais). Busca-se contemplar os debates epistemológicos, ontológicos, gnosiológicos, de sociologia das ciências, metodológicos, bem como os procedimentos técnicos de pesquisas atinentes seja à Geografia Humana, seja à Geografia Física. Essas discussões podem ser desdobradas em distintos modos de análise, por exemplo: sistemas filosóficos e suas influências nos estudos geográficos (do materialismo ao humanismo); personagens e instituições promotoras do pensamento e da prática geográfica (teoria ator-rede); intercâmbios conceituais e metodológicos entre a Geografia e demais ciências; ensaios aproximativos entre a Geografia e as Artes; especulações ontológicas sobre a Natureza e o Espaço; modelagem abstrata e linguagens sistêmicas; fatores conjunturais (político-econômicos) e biográficos na produção científica em Geografia; percepção e representações simbólicas do espaço.
 
Coordenação:
GUILHERME DOS SANTOS CLAUDINO (UNESP)
DIRCE MARIA ANTUNES SUERTEGARAY (UFPB)
ALMIR NABOZNY (UEPG)
ANTONIO CARLOS VITTE (UNICAMP)
PAULO CESAR SCARIM (UFES)
Trabalhar com povos indígenas e comunidades tradicionais nos impõe outra forma de pensar e ver o mundo desconstruindo a visão hegemônica de ciência, de educação e de vida da modernidade ocidental para que possam alcançar a autonomia confrontando os modelos de desenvolvimento e desenvolvimentistas vigentes que desconsideram as particularidades e singularidades desses sujeitos sociais. Esse GT pretende ser um espaço de diálogo, de discussões, de socialização de experiências reunindo geógrafos(as) e grupos de pesquisas que trabalham com povos indígenas e comunidades tradicionais no Brasil, evidenciando uma visão decolonial e contra-hegemônica por meio de epistemologias e metodologias alternativas e não extrativistas, participantes produzidas no sul. Dar visibilidade e protagonismo aos povos indígenas e comunidades tradicionais (quilombolas, ribeirinhos, seringueiros, castanheiros, faxinais, quebradeiras de coco, caiçaras entre outros), seus saberes, formas próprias de organização sociopolítica, cultural e territorial; lutas sociais como resistências aos conflitos ambientais e territoriais como uma práxis geográfica decolonial em defesa de seus direitos territoriais, a vida e ao bem-viver. Abordagens: conflitos territoriais em TI, quilombos e UCs; gestão territorial; conhecimentos, saberes e epistemologias próprias para uso e conservação do território; lutas sociais e resistências para retomada do territórios; afirmação das identidades - etnogênese como direito à terra; políticas públicas, direitos constitucionais à saúde, à educação, à terra e à consulta prévia livre e informada; estudos de identificação e (auto)demarcação de TI, quilombos e UCs; estudos geográficos técnicos que apoiem a autonomia dos povos indígenas e comunidades tradicionais a partir de metodologias não extrativistas.
 
Coordenação:
IVANI FERREIRA DE FARIA (UFAM)
ROBERTA CARVALHO ARRUZZO (UFRJ)
FRANCILENE SALES DA CONCEIÇÃO (UEA)
RAPHAEL FERNANDO DINIZ (UFAM)
TIMO BARTHOLL (UFF)
Nas duas últimas décadas, o Brasil experimentou uma expansão geográfica da acumulação e da urbanização. A rede urbana complexificou-se, as regiões metropolitanas e as cidades médias multiplicaram-se, surgiram novas aglomerações e aprofundou-se a divisão social e territorial do trabalho. A especialização e a diversificação produtiva em escala regional facultaram a formação de regiões produtivas (agronegócio, extração mineral, turismo, enclaves industriais e urbanos). Alteraram-se os fluxos migratórios e verificou-se uma redistribuição espacial da população. Os sinais dessas mudanças estão em todo país. Nesse contexto, sobressai, em muitas cidades, o caráter precário da urbanização, impulsionada por ações do Estado e das corporações, que criam e recriam o espaço social por meio de novas concepções e instrumentos de planejamento e de gestão, com o suporte dos bancos estatais. Tais ações visam atender às demandas da reprodução hegemônica pela implementação de um planejamento em escala regional ou pela adoção de práticas de planejamento urbano, redefinindo os usos do território. Apesar dos Estatutos da Cidade e da Metrópole e da implementação de práticas sociais alternativas, a produção dos espaços hegemônicos da acumulação contempla desigualmente os espaços de produção e as esferas de reprodução social. Isso se evidencia tanto nas condições de vida da população quanto na densidade técnica das infraestruturas e serviços e na presença heterogênea da técnica, da informação e da comunicação. Quanto às práticas, são inúmeros os desafios para a efetivação do direito à cidade e para a superação de práticas marcadas pela competitividade, pela desigualdade, pela ineficiência administrativa e por uma crescente degradação ambiental. O debate da relação entre planejamento/gestão e produção do espaço no Brasil demanda um esforço de reflexão da Geografia sobre o papel e as ações do Estado, dos movimentos sociais e das empresas (corporações) na produção e gestão do espaço por meio do planejamento.
 
Coordenação:
CÉSAR SIMONI SANTOS (USP)
ADRIANA MARIA BERNARDES DA SILVA (UNICAMP)
PAOLA VERRI DE SANTANA (UFAM)
HELOISA SOARES DE MOURA COSTA (UFMG)
SARA RAQUEL FERNANDES QUEIROZ DE MEDEIROS (UFRN)
Este Grupo de Trabalho nesta primeira versão busca reunir pesquisas que consideram a cidade e o campo enquanto produto social (re)produzido via ação de atores cujas disputas se pautam por distintas lógicas de apropriação e produção. Esse processo impacta várias dimensões do espaço geográfico, sendo de modo especial aquelas relacionadas à moradia, à circulação e à inclusão, bem como no acesso a oportunidades. Nesse sentido, faz-se necessário construir reflexões e debates de políticas públicas como meio para construir ideias alternativas sobre habitação, mobilidade com vistas à inclusão aos desiguais e invisíveis por cor, raça, gênero, com deficiência e/ou condição social. Tendo por base o entrelaçamento teórico entre Geografia Urbana, Geografia Agrária e Políticas Públicas na contemporaneidade, objetiva-se discutir sobre as formas engendradas por atores territoriais diversos, seja no processo de criação como de materialização de projetos de governo no campo e na cidade, que levem em consideração temas como: conflitos territoriais; segregação socioespacial; políticas habitacionais e de acesso à moradia; movimentos sociais do campo e da cidade; mobilidade, transportes e acessibilidade no campo e na cidade; transportes alternativos; mobilidade ativa; questões de gênero e raça na mobilidade urbana e rural; desigualdades raciais; populações marginalizadas negras periféricas; violência no campo e na cidade; medo da população negra de ser abordada e/ou agredida pela polícia nas ruas; área de fogo cruzado de disputa territorial do crime organizado; expansão por milícias, produção e circulação de produtos agropecuários, políticas públicas de desenvolvimento rural, produção e consumo de alimentos saudáveis, precarização das relações de trabalho no campo e na cidade.
 
Coordenação:
JAQUELINE T VERCEZI (UEL)
EDIMILSON ANTÔNIO MOTA (UFF)
VINICIUS POLZIN DRUCIAKI (UEG)
LÉIA APARECIDA VEIGA (UEL)
SERGIO APARECIDO NABARRO (UEL)
A Cartografia, ao longo de sua trajetória histórica, passou por diversas transformações em termos de concepção, abrangência e campo de atuação. O advento das técnicas computacionais para elaboração de mapas possibilitou o desenvolvimento de novos instrumentos cartográficos, a introdução das Geotecnologias, associadas ao sistema global de redes de computadores, tem transformado, de forma contínua, as maneiras de criar, armazenar, analisar, distribuir, comunicar e visualizar diferentes representações espaciais. O uso de Geotecnologias ampliou as possibilidades dessa área do conhecimento, seja por meio de dispositivos móveis, como tablets e smartphones, seja por meio de produtos derivados de Aeronaves Remotamente Pilotadas (ARP). Da mesma forma, diversas técnicas de mensuração têm sido aplicadas na análise espacial, sendo utilizadas na produção e avaliação de indicadores sociais e ambientais. É fundamental, portanto, que se discutam as questões teórico-conceituais, metodológicas e operacionais presentes nos estudos geográficos, com ênfase especial no papel das Geotecnologias e nos métodos de representação voltados para a análise espacial. O objetivo, neste Grupo de Trabalho, é agregar contribuições científicas que envolvam a temática abordada, a partir dos seguintes focos: I) cartografia geográfica, aspectos teóricos e metodológicos; II) cartografia de paisagens na síntese do ambiente; III) diferentes métodos de representação espacial; IV) desenvolvimento e aplicação de indicadores socioambientais; V) cartografia das áreas de risco e vulnerabilidade socioambiental; VI) produção de zoneamentos socioambientais e mapeamentos do uso e ocupação da terra em função das dinâmicas territoriais; VII) geovisualização, WebGIS, WebMap, VIS, PPGIS na análise da informação espacial e nos mapeamentos colaborativos; VIII) temas diversos abordados sob a perspectiva urbano-regional, como violência, pobreza, segregação, economia, demografia, recursos hídricos, áreas verdes. Esse conjunto de discussões visa contribuir para o aprimoramento do entendimento e da aplicação das Geotecnologias e da Cartografia no contexto atual, com base em práticas inovadoras e metodologias interdisciplinares que integram diferentes campos do conhecimento.
 
Coordenação:
LINDON FONSECA MATIAS (UNICAMP)
ANDREA APARECIDA ZACHARIAS (UNESP)
EMANUEL LINDEMBERG SILVA ALBUQUERQUE (UFPI)
ANDRÉIA MEDINILHA PANCHER (UNESP)
KARLA MARIA SILVA DE FARIA (UFG)
Análise das distintas articulações entre a formação docente em Geografia e a Geografia Escolar, assim como a inter-relação entre o ensino de Geografia e a utilização do Livro Didático no Ensino de Geografia, além do uso de distintos recursos e sua utilização por meio de tablets, e-books e similares no âmbito da Educação Básica. Discussão acerca dos Projetos Pedagógicos nos cursos de Licenciaturas em Geografia e suas implicações na formação inicial docente. Análise da formação de professores a partir de referenciais teóricos afins, concepções curriculares contemporâneas e a legislação educacional brasileira destinada a esse processo, em especial a BNCC e as novas orientações ao Ensino Médio. A importância e os desafios do estágio supervisionado e da curricularização da extensão para a formação inicial, comprometida com os anseios da docência na contemporaneidade. A prática profissional de Docentes de Geografia na Educação Básica e os novos desafios da profissão. A inovação pedagógica e as novas possibilidades para o ensino de Geografia a partir da utilização de aplicativos e mídias digitais. A formação inicial e continuada em plataformas virtuais: limites e potencialidades, continuidades e rupturas. Formação continuada e sua relação com as demandas do mercado de trabalho e o desenvolvimento do conhecimento científico. As contribuições e possibilidades do Projeto Nós Propomos! no Brasil, na Iberoamérica e no Mundo.
 
Coordenação:
RAIMUNDO LENILDE DE ARAÚJO (UFPI)
MARIA FRANCINEILA PINHEIRO DOS SANTOS (UFAL)
CRISTINA MARIA COSTA LEITE LEITE (UNB)
MARCILEIA OLIVEIRA BISPO (UFT)
CLÉZIO DOS SANTOS (UFRRJ)
Os movimentos migratórios são elementos constitutivos na configuração e organização territorial. A descrição e análise das migrações internacionais e transfronteiriças, a condição política moderna do refúgio, os arranjos escalares das redes migratórias, as migrações de caráter religioso e político merecem ser consideradas tipologias relevantes nos estudos e no planejamento territorial. Analisar essas questões nos permitem compreender não somente o papel e os efeitos das políticas migratórias, mas também como se processam as ações dos sujeitos migrantes. Nesse sentido, a proposta do Grupo de Trabalho (GT) ora apresentada, visa aglutinar e construir um debate entre pesquisadores (as) que tratem os processos migratórios no Brasil e na América Latina como um elemento necessário e fundamental da produção do espaço, bem como trazer contribuições nos campos teórico, conceitual e metodológico sobre as migrações.
 
Coordenação:
KARLA ROSÁRIO BRUMES (UNICENTRO/PR)
DUVAL MAGALHAES FERNANDES (PUC/MG)
GISLENE A SANTOS (UFRJ)
MARIA DE JESUS MORAIS (UFAC)
ISIS DO MAR MARQUES MARTINS (UFPA)
Em um cenário global, vivenciam-se cada vez mais eventos extremos associados às mudanças climáticas (chuvas intensas, secas prolongadas, ondas de calor, ondas de frio, vendavais, entre outras manifestações). Esses eventos trazem uma série de consequências tanto para a sociedade quanto para o ambiente, ocasionando perdas econômicas e ambientais, além das perdas de vida. A educação para os riscos climáticos assume importância fundamental para esse cenário. Nessa perspectiva, a educação geográfica compreende conhecimentos conceituais, entendimento dos processos e dinâmicas da natureza e da sociedade de modo integrado e suas multiescalariadades. Ações de identificação, localização, descrição, comparação, correlação, conexão e explicação de fatores dos processos perigosos constituem procedimento de análise e interpretação do fenômeno em debate, situação de ameaças decorrentes das condições atmosféricas e meteorológicas. Contribuindo com essa abordagem teórico-metodológica, a Educação Ambiental Crítica (EAC) amplia as reflexões relacionadas ao ambiente, aos fatores e agentes que participam da produção dos riscos e desastres em diferentes territórios e paisagens; amplia os procedimentos pedagógicos alcançando a discussão política, social e cultural, via a educação formal e não formal em diversos espaços formadores. Educar para os riscos climáticos envolve a prevenção e mitigação dos efeitos, prevenir de fato, para saber agir quando o fenômeno acontecer, para se tornar mais resilientes e estabelecer uma criticidade junto aos órgãos gestores, efetivando uma cidadania plena. A proposta deste GT tem por objetivo agrupar pesquisadores, construir uma agenda de discussões e uma rede de pesquisadores que trabalham com esta questão; discutir práticas educativas em ambientes formais e não formais que visem discutir sobre os impactos das mudanças climáticas sobre populações, geralmente, mais vulneráveis. O GT é proposto pela primeira vez, fundamentando-se na urgência das mudanças ambientais em curso e nas situações de risco às quais uma significativa parcela da população está exposta, tanto no Brasil quanto em outras partes do mundo.
 
Coordenação:
CRISTIANE CARDOSO (UFF)
EDILEUZA DIAS DE QUEIROZ (UFRRJ)
CARLA JUSCÉLIA DE OLIVEIRA SOUZA (UFSJ)
CARINA PETSCH RODRIGO (UFRGS)
RAFAEL SOUZA DE OLIVEIRA (UEPA)
O Grupo de Trabalho (GT) submetido pela primeira vez, propõe discutir a pesquisa narrativa no contexto da Geografia e na formação e (auto)formação de professores(as), a partir da concepção do método (auto)biográfico e do dispositivo das narrativas. Trata-se de uma proposta metodológica em que, por meio de memórias e metamemórias, os professores e outros sujeitos se autorrefletem e compreendem-se como pessoas e profissionais. Neste caminho, busca-se construir um espaço de debate teórico-metodológico no campo geográfico que respeita o sentimento, os espaços percolados e os diferentes marcadores temporais da formação e (auto)formação dos profissionais. Utiliza-se, neste estudo, desde temáticas de formação a partir da diversidade de lugares; histórias de vida, que interferem na concepção de objetos de conhecimento em sala de aula, pelos professores e estudantes; momentos charneira de mudanças metodológicas junto aos estudantes da educação básica e universidade; até do entendimento da importância da singularidade, das vivências de cada professor narrador, para a compreensão da pluralidade da formação. Acredita-se que ao ouvir os professores e, a partir de suas significações e (re)significações, possa se construir uma formação continuada, reverenciando sua constituição professoral, ao mesmo tempo em que se dignifica e respeita-se a capacidade de reflexão, reestruturação e empoderamento diante das dificuldades enfrentadas na sociedade. Perante desses pressupostos pretende-se: Evidenciar o debate atual relativo à pesquisa autobiografia e formação de professores de Geografia; Registrar ações que utilizem o método autobiográfico a partir do dispositivo das narrativas na pesquisa geográfica; Investigar e compreender as práticas de formação inicial e continuada de professores de Geografia por meio da escuta e da história de vida destes professores; e Examinar temáticas que transversalizam o método e pesquisas no campo da Geografia, para outros espaços que não apenas os de educação formal.
 
Coordenação:
ROSELANE ZORDAN COSTELLA (UFRGS)
ALINE DE LIMA RODRIGUES (UFSC)
JUSSARA FRAGA PORTUGAL (UNEB)
LEONARDO PINTO DOS SANTOS (UFPA)
NESTOR ANDRÉ KAERCHER (UFRGS)
Os conhecimentos vinculados ao estudo das dinâmicas de formação, transformação e apropriação do relevo tem possibilitado a compreensão dos processos naturais e sociais, bem como suas interrelações, que geram alterações na paisagem e se manifestam em forma de degradações ambientais e terrenos tecnogênicos. Ao conhecer as características físicas, os aspectos socioterritoriais e as dinâmicas geradoras das degradações é possível determinar quais são as metodologias e técnicas adequadas a serem executadas, conforme o nível de alteração do ambiente, para evitar ou solucionar os problemas decorrentes. E isto ganha importância diante das mudanças climáticas e o consequente aumento de ocorrências de eventos extremos no atual momento histórico que tem sido denominado de Antropoceno. Destaca-se que, ao abordar as técnicas, estamos também nos relacionando aos ambientes de forma integrada, inseparável e dialética, no qual a interação técnica-ambiente pode resultar em processos de degradação do relevo ou rugosidade, que por sua vez “...não podem ser apenas encaradas como heranças físicoterritoriais, mas também como heranças socioterritoriais ou sociogeográficas” (SANTOS, 2006, p. 25). Assim, este GT tem por objetivo reunir pesquisadores que tenham interesse em discutir e apresentar resultados de pesquisas que abordam a temática da “Geomorfologia-Geográfica e Aplicação de Técnicas de Recuperação de Áreas Degradadas”, a fim de compreender as interrelações entre as dinâmicas da sociedade e da natureza, os impactos resultantes, além de técnicas capazes de recuperar áreas degradadas. Além disso, é fundamental debater as diversas experiências de recuperação, mostrando técnicas e resultados obtidos com as medidas implementadas nos ambientes, possibilitando a troca de conhecimentos e informações entre os participantes. Nesse sentido, propõe-se ampla possibilidade de discussões da Geografia e da Geomorfologia no contexto de mudanças climáticas e eventos extremos, uma vez que as áreas degradadas abrangem diversos fenômenos, como processos erosivos, enchentes, inundações, alagamentos, movimentos de massa, terrenos e depósitos tecnogênicos, dentre outros.
 
Coordenação:
CAIO AUGUSTO MARQUES DOS SANTOS (UFR)
JOÃO OSVALDO RODRIGUES NUNES (UNESP)
MELINA FUSHIMI (UNESP)
LEDA CORREIA PEDRO MIYAZAKI (UFU/FACIP)
QUÉSIA DUARTE DA SILVA (UEMA)
Esta é a terceira edição deste GT, por meio do qual congregamos pesquisadores e interessados em estudar, refletir, debater e pesquisar a geografia escolar, os desdobramentos e as resistências às políticas curriculares neoliberais. O grupo que o coordena investiga a temática em foco, em várias instituições de ensino visando produzir subsídios para o enfrentamento do projeto neoliberal de educação que vem sendo implementado no Brasil desde os anos de 1990, com consequências nefastas para o campo. Com os trabalhos apresentados no último ENANPEGE (2023), verificamos no país um movimento crescente de críticas aos documentos curriculares e de resistências frente às políticas neoliberais impostas para a educação brasileira como um todo e, mais especificamente, para a geografia escolar. Em virtude da urgência em debater e posicionar criticamente a temática em foco, especialmente as consequências: da implementação da Reforma do Ensino Médio nas escolas públicas; da regulação/controle para garantir a consolidação da BNCC em todas as etapas da educação básica nos estados e municípios; da imposição de novas regulações para formação docente inicial no âmbito das IES; do controle e precarização do trabalho docente; da diminuição da carga horária da disciplina de geografia; da fragilização/mercantilização da formação continuada; da plataformização e debilitação da educação pública em todos os níveis de ensino articulada às empresas privadas; da diminuição da carga horária das disciplinas voltada às Ciências Humanas, especificamente no que diz respeito à Geografia, se faz necessário tanto darmos continuidade aos debates e enfrentamentos, quanto evidenciar e socializar os projetos de resistências que vêm sendo construídos pelos diversos grupos sociais nas cidades, nos campos, nas águas e nas florestas.
 
Coordenação:
ÂNGELA MASSUMI KATUTA (UFPR)
ANGELICA MARA DE LIMA DIAS (UEPB)
SANDRA DE CASTRO DE AZEVEDO (UNIFAL-MG)
MARIA ADAILZA MARTINS DE ALBUQUEERQUE (UFPB)
WILLIAN SIMÕES (UFFS)
A centralidade da experiência geográfica tem sido um mote comum a estudos de diferentes tendências e temáticas na Geografia contemporânea. Embora muito presente na tradição fenomenológica, ela tem se mostrado potente para diferentes temas emergentes que atribuem às corporeidades situadas um sentido político fundamental. A experiência geográfica de mundo constitui uma perspectiva teórico-metodológica que compreende os fenômenos geográficos a partir de sua manifestação na experiência, circunstanciada existencial e geograficamente. A experiência é, portanto, o horizonte no qual as corporeidades, as racialidades, os símbolos, as identidades, as representações, as imagens e as imaginações se manifestam; mas ela é também o fundamento epistemológico e ontológico de investigação de uma geografia orientada pela Fenomenologia. Esta, no entanto, não é unívoca, apresentando diferentes caminhos para se construir possibilidades de investigação geográfica, seja em sentido metodológico, seja em um repensar a experiência contemporânea, atravessada pelo acúmulo de crises provocadas pelas políticas neoliberais e pelas transformações dos dispositivos biopolíticos e dos mecanismos de opressão, reverberando na vida cotidiana e na produção de subjetividades. O objetivo deste GT é promover a discussão das possibilidades abertas pela Fenomenologia (em sua multiplicidade interna e em seus diálogos com outras filosofias, como a filosofia da diferença, as epistemologias feministas, o pensamento latino-americano, os movimentos de enfrentamento da colonialidade, o pensamento ambiental, a filosofia afro-brasileira, as epistemologias indígenas, o existencialismo, a hermenêutica, a desconstrução, dentre outras) para a compreensão da experiência geográfica. Serão priorizados trabalhos que problematizem os fundamentos teóricos dessas relações, de natureza epistemológica, ontológica e ética, além de trabalhos de investigação compreensiva de temas/problemas a partir desses aportes.
 
Coordenação:
EDUARDO JOSÉ MARANDOLA JUNIOR (UNICAMP)
ANGELO SZANIECKI PERRET SERPA (UFBA)
JAMILLE DA SILVA LIMA-PAYAYÁ (UNICAMP)
JEANI DELGADO PASCHOAL MOURA (UEL)
LUCIENE CRISTINA RISSO (UNESP)
Esta proposta intenciona congregar pesquisas de distintas perspectivas teórico-metodológicas para reflexão sobre os sentidos dos espaços públicos e suas relações com o processo de produção da cidade e do urbano. O objetivo é estabelecer um canal de diálogo entre pesquisadores(as) que têm realizado esforços para compreender as relações dos espaços públicos com a vida cotidiana em suas manifestações artísticas, culturais e religiosas e também com o segmento de mercado, que os incorpora às práticas imobiliárias, valendo-se de discursos e práticas em suas dimensões material e simbólica. Praças, parques, ruas, avenidas, áreas livres, áreas verdes e de lazer, entre outros elementos da paisagem urbana, têm sido cada vez mais objetos de interesses mercantis, confrontando com os interesses da coletividade e ampliando as contradições entre valores de uso e de troca no espaço urbano. A ampliação das ações neoliberais nas cidades tem contribuído para a restrição ou mesmo reafirmação de práticas históricas em relação aos usos e apropriações dos espaços públicos, quer seja pela ação normativa do Estado ou mesmo pelo poder das forças econômicas de mercado, acentuando as contradições entre o público e o privado. Nesta perspectiva, são questões pertinentes a este grupo de trabalho: a) refletir o papel dos agentes produtores do espaço urbano no processo de reprodução socioespacial, incluindo os agentes da digitalização, b) problematizar as formas de produção, apropriação, planejamento e gestão do espaço público, c) compreender os novos usos e significados dos espaços públicos face às novas lógicas econômicas e espaciais presentes nas cidades, d) destacar as perspectivas de qualidade de vida humana a partir dos usos e apropriações dos espaços públicos, e) problematizar as dimensões ambientais e os discursos e práticas sobre sustentabilidade, f) enfatizar o espaço público enquanto o lugar do lúdico, da festa, da reivindicação, do improviso, da vivência, da convivência, da expressão, representação e sociabilidade urbana.
 
Coordenação:
MARCOS ANTÔNIO SILVESTRE GOMES (UFTM)
CARLOS ROBERTO LOBODA (UFU)
JULIA KATIA BORGNETH PETRUS (UFMA)
CARLOS ALEXANDRE DE BORTOLO (UNIMONTES)
SILVANA CRISTINA DA SILVA (UFF)
Reunir pesquisadores que atuem no campo geográfico da Biogeografia, a fim de debater e divulgar os resultados de suas investigações. Neste sentido, buscar-se-á apresentar experiências de pesquisas nos seguintes temas: Biogeografia e potencialidades paisagísticas territoriais; Dinâmicas e conservação de paisagens tropicais; Biogeografia e Geografia da conservação; Monitoramento ambiental; Serviços ecossistêmicos; Áreas protegidas e cartografia ambiental; Ecologia da paisagem; Geoecologia da paisagem em suas aplicações biogeográficas; Biogeografia urbana em abordagens multiescalares; Biogeografia histórica em suas diversas temporalidades como paleobiogeografia e paleoambientes; Biogeografia cultural; Biogeografia e mudanças climáticas; Teorias biogeográficas e modelos de aplicação em trabalhos de campo e experimentos; Aplicações de ferramentas computacionais na análise biogeográfica e geoecológica; Aplicações de geotecnologias na análise biogeográfica e geoecológica; Zoogeografia; Fitogeografia; Modelagem espacial de habitats e desenhos de conservação; Ensino e Extensão em Biogeografia. Neste contexto, serão bem-vindos estudos, pesquisas e relatos de experiências: teóricos, teórico-metodológicos, modelagens, experimentos, técnicas e práticas de campo, ensino e extensão em Biogeografia.
 
Coordenação:
KARINE BUENO VARGAS (UFRRJ)
SUELI ANGELO FURLAN (USP)
GUSTAVO LUIS SCHACHT (USP)
JULIEN MARIUS REIS THEVENIN (UEA/UNIR)
PATRÍCIA FERNANDES PAULA-SHINOBU (UEL)
As áreas dos Cerrados constituem-se em espaço econômico/social heterogêneo com recente ocupação territorial, pautada pela modernização da agricultura; reestruturação produtiva; agro industrialização; expansão dos serviços e intensificação do fenômeno urbano. Segundo Corrêa (1995) os impactos da modernização agrícola dizem respeito, particularmente, à estrutura fundiária, aos sistemas agrícolas, aos produtos cultivados, às relações sociais de produção e à mobilidade demográfica. Todavia, a modernização do campo afetou, sobremaneira, a urbanização, à medida que a partir dela tornou-se possível, nas cidades das regiões agrícolas modernizadas, a adoção de algumas outras inovações, principalmente, aquelas ligadas à prestação de serviços, bem como à informação, à comunicação e ao mundo financeiro. O enfoque regional da urbanização será desenvolvido para definir e diferenciar as formas urbanas atuais da região: o processo, os agentes, as formas espaciais, seus conteúdos socioeconômicos e suas funções; bem como as vulnerabilidades socioespaciais dessa urbanização. Assim, há várias edições deste evento, o GT de Urbanização nos Cerrados tem buscado discutir o processo de Formação Socioespacial e urbanização nas áreas do Cerrado brasileiro, considerando-se os fatores políticos, econômicos, sociais e culturais que criaram novas redes e territorialidades no Brasil Central. Os temas deste GT poderão ter como enfoque os seguintes aspectos já evidenciados no comportamento das redes de cidades dos Cerrados: (re)configuração da rede urbana e novas territorialidades; modernização agrícola e urbanização; dinâmicas socioespaciais; vulnerabilidades no urbano; transformações recentes; metrópoles; capitais regionais; pequenas e médias cidades; fragmentação territorial, aspectos intraurbanos ou interurbanos da urbanização; constituição de novos municípios; entre outros temas que permeiam as cidades do Cerrado brasileiro.
 
Coordenação:
JOSIMAR DOS REIS DE SOUZA (UFU)
FERNANDO LUIZ  ARAÚJO SOBRINHO (UNB)
BEATRIZ RIBEIRO SOARES (UFU)
JANES SOCORRO DA LUZ (UFU)
ADÃO FRANCISCO DE OLIVEIRA (UFT)
O Geopatrimônio corresponde ao conjunto dos elementos do meio abiótico (geológicos, geomorfológicos, hidrológicos e pedológicos) e seus sistemas paisagísticos associados que, em função do seu valor científico, educacional, ecológico ou cultural, necessita de estratégias próprias de conservação e divulgação, garantindo sua existência às futuras gerações como uma herança coletiva. O GT de Geopatrimônio e Geoconservação se propõe a ser um espaço de debate e reflexão acerca da contribuição da pesquisa em Geografia não apenas no desenvolvimento de métodos e técnicas de inventariação, interpretação e proteção do Geopatrimônio existente no território brasileiro, como também na análise e proposição de estratégias de uso sustentável deste patrimônio com vistas ao fortalecimento da identidade dos territórios e promoção do desenvolvimento endógeno
 
Coordenação:
MARIA LIGIA CASSOL PINTO (UEPG)
LUCIMAR VIEIRA (UFRGS)
ADRIANO SEVERO FIGUEIRÓ (UFSM)
SANDRO SIDNEI VARGAS DE CRISTO (UFT)
MARCO TULIO MENDONCA DINIZ (UFRN)
A agropecuária brasileira sustenta-se, cada vez mais, a partir do modelo de produção capitalista cuja reprodução envolve uma permanente reestruturação produtiva, o aprofundamento do neoliberalismo, o comando do capital financeiro e a mercantilização da natureza. Este arranjo socioespacial visa responder à racionalidade do capitalismo em sua fase atual e viabilizar o aumento da produção e da produtividade, assim como oportunizar uma acumulação ampliada do capital. Engendrou-se, desde então, um modelo econômico, social, político e territorial de produção agropecuária, que se convencionou chamar de agronegócio, que correlaciona as condições do país em face dos imperativos da ordem global hegemônica. Entre os principais objetivos para debate nesse GT destacamos: i. compreender as formas de difusão do agronegócio globalizado, considerando seus principais agentes e processos; ii. caracterizar os agentes envolvidos e suas práticas espaciais; iii. desvelar as novas formas de apropriação, expropriação e controle dos recursos naturais pelos agentes hegemônicos do agronegócio; iv. compreender as formas de financeirização da agropecuária; v. desvelar a especialização territorial produtiva e a formação de novas regionalizações para atender às demandas do agronegócio; vi. estudar as relações campo-cidade que se realizam nessas regiões especializadas; vii. avaliar o incremento da urbanização e da economia urbana nessas regiões, com a formação de cidades especializadas; viii. estudar as novas formas de governança das corporações transnacionais atuantes na produção e na distribuição dos produtos agropecuários; ix. avaliar os impactos ambientais da especialização territorial.
 
Coordenação:
DENISE ELIAS (UECE)
ÈVE ANNE BÜHLER (UFRJ)
RICARDO CASTILLO (UNICAMP)
JUSCELINO EUDÂMIDAS BEZERRA (UNB)
SAMUEL FREDERICO (UNESP)
O processo de reestruturação urbana tem promovido um conjunto de mudanças na produção dos espaços urbanos e das redes relacionadas. Com isso há alterações nos agentes econômicos, nas formas espaciais, nos ritmos e características dos hábitos de consumo, nas dinâmicas e localizações da esfera produtiva e nas escalas de interações espaciais. Desta maneira emergem cidades e regiões que passam a ter incrementos populacionais e de capitais e passam a ter participação destacada na divisão territorial do trabalho no Brasil, com papéis de intermediação que revelam e reforçam a interiorização da economia e os novos arranjos econômicos e políticos. Assim, convidamos a comunidade acadêmica a debater esses pontos para avançarmos conjuntamente com questões teórico-conceituais e metodológicas na interpretação das lógicas contemporâneas da urbanização brasileiro.
 
Coordenação:
WILLIAM RIBEIRO DA SILVA (UFRJ)
VITOR KOITI MIYAZAKI (UFU)
JUÇARA SPINELLI (UFFS)
CLEVERSON ALEXSANDER REOLON (UEM)
MARIA JOSE MARTINELLI S CALIXTO (UFGD)
A proposta do Grupo de Trabalho Geografia Histórica é enfatizar a importância das relações entre espaço e tempo, a partir das contribuições de uma Geografia que considere a perspectiva histórica, valorizando além da espacialidade, a temporalidade. Parte-se do entendimento de que a Geografia que tem como objeto a análise espacial, não pode ser feita unicamente no presente, necessitando considerar o espaço como a “acumulação desigual de tempos”, nas palavras de Milton Santos, rompendo portanto com a ditadura do presente nos termos de Mauricio de Abreu. A Geografia Histórica realiza análises espaciais sincrônicas - de períodos específicos do tempo - e diacrônicas - considerando as transformações espaciais através do tempo, podendo combinar ambas as possibilidades. Através da conexão entre tempo e espaço é possível desvendar processos e formas espaciais resultantes da ação humana em seu processo de territorialização. As marcas presentes na paisagem são pistas que revelam como a análise combinada destas dimensões é frutuosa para elucidar as diversas técnicas sociais que se cristalizam nas formas de habitar, de circular e produzir. É, a paisagem, como assinala Alain Corbin, o resultado da sedimentação de leituras sucessivas, um palimpsesto. A temporalidade da ação constitui a História como uma dimensão da realidade, que adquire materialidade com a aderência ao espaço. A Geografia Histórica, com longa tradição nas Geografias de matriz inglesa e francesa, também conta com uma expressiva produção no Brasil. Assim, como ocorre no âmbito da UGI, percebe-se a necessidade de congregar pesquisadores em um fórum adequado para debater as perspectivas teóricas e metodológicas que remetam à análise do espaço em tempos pretéritos, tendo em vista a necessidade de conhecer e formalizar novos intercâmbios científicos com os pesquisadores que se devotam às pesquisas no campo de Geografia Histórica.
 
Coordenação:
MARCELO WERNER DA SILVA (UFF)
DORALICE SÁTYRO MAIA (UFPB)
ENEIDA MARIA SOUZA MENDONÇA (UFES)
MARIA ISABEL DE JESUS CHRYSOSTOMO (UFV)
GLAUCO BRUCE RODRIGUES (UFF)
Ao longo da última década observou-se a retomada do interesse pelo espaço geográfico na área da saúde tanto como categoria de análise da distribuição espacial de agravos à saúde, quanto para o aperfeiçoamento dos sistemas de saúde. Este movimento tem como bases: a renovação da epidemiologia, que busca caracterizar os determinantes sociais e ambientais dos problemas de saúde; a preocupação com o desenvolvimento da promoção de saúde, compreendendo o território como estratégia de ação; e, a necessidade de regionalizar os serviços e ações de saúde, entre outros fatores ligados à história recente da Saúde Coletiva. Por outro lado, a Geografia da Saúde, desde a sua origem, tem sido calcada na evidência dos problemas, permitindo a identificação de lugares e situações de risco, apoiando o planejamento territorial de ações de saúde e o desenvolvimento das atividades de prevenção e promoção de saúde para obterem maior eficácia. O interesse na temática da geografia e saúde tem aumentado, tanto em âmbito acadêmico-científico quanto nos serviços públicos. No último ano ganhou forte relevância com a Pandemia de Covid-19. Um dos compromissos primordiais da Geografia da Saúde no Brasil é contribuir para a consolidação do SUS e a redução das desigualdades sociais.
 
Coordenação:
RAFAEL DE CASTRO CATÃO (UFES)
RAUL BORGES GUIMARÃES (UNESP)
ZULIMAR MÁRITA RIBEIRO RODRIGUES (UFMA)
NATACHA CINTIA ALEIXO (UFAM)
JULIANA RAMALHO BARROS (UFG)
As sociedades africanas, do Egito antigo àquelas atingidas pelo sistema escravista, têm um lastro espacial e cultural pouco conhecido na sociedade brasileira. O processo diaspórico de povos africanos no mundo foi marcado pela violência colonial; a migração-travessia forçada pelo Atlântico e variados tipos de genocídio, o que gerou nos transmigrados a necessidade de recomeçar na resistência e continuidade histórica mantendo o que podiam de suas memórias, ancestralidades e conhecimentos diversos em lugares distantes e desconhecidos, como destaca Beatriz Nascimento. Pensar em Geografias Negras é um processo de reconhecimento das geo-histórias e questões negras. O caminho iniciado por Milton Santos em Mariane em Preto e Branco sobre o que pensamos de Europa e das cidades do mundo colonizado, mas principalmente de nossa reverência à África; uma geografia do real como escreve Rafael Sanzio, da crítica levantada por Andrelino Campos da dimensão racial nos espaços urbanos e pela conexão de gênero, raça, classe e religiosidade apresentada por Antonia Garcia não pode ser interrompido. Num movimento coletivo, desde 2018, no COPENE, compomos mesas, lives, sessões temáticas, dossiês, coletâneas, cursos e disciplinas em Geografias Negras. Nos passos de nosso compromisso firmado através dos Manifestos Geo-grafias Negras, apresentado no ENANPEGE em 2019 e 2023, assim como no CBG de 2024, damos continuidade à ideia de desenvolvimento e fortalecimento de pesquisas da comunidade geográfica negra, das epistemologias, trajetórias e corporeidades de sujeitas/os individuais e coletivos em suas diferentes espacialidades e territorialidades afrocentradas. Neste sentido, cabe pensar políticas e práticas educacionais comprometidas com a Lei 10.639/2003 que institui a obrigatoriedade desses conteúdos em todos os níveis de ensino como condição essencial em prol de uma sociedade antirracista e a garantia de uma ciência comprometida com essa mudança de status quo. Assim como as Black Geographies e outras redes, também almejamos fortalecer as pesquisas e pautas de enegrecimento da geografia brasileira.
 
Coordenação:
RITA DE CÁSSIA MARTINS MONTEZUMA (UFF)
LUIZ AUGUSTO SOARES MENDES (UFRA)
PRISCILA BATISTA VASCONCELOS (UFPE)
GENY FERREIRA GUIMARÃES (UFRRJ)
JANETE REGINA OLIVEIRA (UFV)
As temáticas ligadas às políticas territoriais, no quadro atual das relações capitalistas, adquirem centralidade seja nas agendas pública e privada, bem como no contexto acadêmico nacional e internacional. O Estado continua sendo o agente central na prescrição da espacialização de tais agendas e a regionalização aparece como marco instrumental para a determinação do seu nível escalar. Esse panorama expressa a importância dos estudos acerca dos conceitos de região, regionalização, território e políticas territoriais, além das diversas formas de resistências empreendidas por sujeitos que disputam e defendem outros projetos territoriais e de existência. O Grupo de Trabalho tem a intenção e o propósito claro de discutir as contradições e avaliar experiências de (des)envolvimento das referidas políticas, seus rebatimentos sociais, econômicos, ambientais e na demografia socioterritorial, em diferentes escalas; bem como os sujeitos e ações que resistem e reafirmam outras territorialidades.
 
Coordenação:
MIRLEI FACHINI VICENTE PEREIRA (UFU)
JOSEFA DE LISBOA SANTOS (UFS)
ADRIANO RODRIGUES DE OLIVEIRA (UFG)
CELSO DONIZETE LOCATEL (UFRN)
CLAUDIO UBIRATAN GONÇALVES (UFPE)
A integração concreta ou virtual dos territórios em escala mundial, seja na forma de um sistema-mundo de Estados e/ou blocos econômicos, seja na forma de territórios-rede globais de grandes corporações transnacionais, acirra a fragmentação do tecido socioespacial, fortalecendo as desigualdades preexistentes e exigindo novas formas de articulação territorial de resistência a partir das singularidades locais/regionais. Há uma forte tensão entre os interesses do capital hegemônico e as propostas associadas a políticas públicas de saúde, educação, mobilidade, acesso à cultura, habitação popular, saneamento básico, entre outras. Nesse sentido, constatam-se tentativas de organização socioespacial que buscam coletivamente uma outra ordem possível, dita descolonizadora, que acolha a diferença e a pluralidade a partir de experiências locais/regionais acumuladas historicamente. A partir desta leitura, o GT busca discutir o jogo permanente e contraditório dos poderes hegemônicos, como aqueles promovidos no bojo do capitalismo produtor de homogeneidades e desigualdades, e dinâmicas disruptivas, contra hegemônicas, que procuram mobilizar diversos grupos sociais em busca de práticas territoriais alternativas para a conformação de outros mundos possíveis.
 
Coordenação:
MÓNICA ARROYO (USP)
EDILSON ALVES PEREIRA JUNIOR (UECE)
IVALDO GONÇALVES DE LIMA (UFF)
ROGÉRIO HAESBAERT DA COSTA (UFF)
RICARDO MENDES ANTAS JR. (USP)
A criminalidade e a violência fazem parte do rol dos temas mais discutidos da atualidade, configurando-se, já há algumas décadas, em um dos fenômenos que mais preocupam os brasileiros. Em que pese as contribuições de profissionais de outras áreas do conhecimento, em especial da Sociologia, Antropologia, Psicologia e Criminologia sobre o tema, a Geografia tem um importante papel nesta discussão. O Grupo de Trabalho está em sua oitava edição e prioriza, portanto, discussões teóricas e resultados empíricos acerca da distribuição espacial e dinâmica territorial da criminalidade e violência, em suas diversas formas de manifestação, ocorrendo em várias escalas de análise, bem como procura estudar os processos sociais e o espaço enquanto reveladores das configurações socioespaciais que refletem a injustiça social e espacial do crime e da violência. Ênfase deve ser dada ao emprego de importantes categorias de análise geográficas (paisagem, território, região, lugar etc.) no estudo desta temática. Do ponto de vista metodológico, as pesquisas nessa temática se destacam pela diversidade de abordagens, indo desde o estudo sobre configurações espaciais da criminalidade e da violência com suporte de geotecnologias, passando por transformações nas cidades decorrentes da incidência criminal, até as investigações sobre medo e insegurança urbanos, dentre outras abordagens.
 
Coordenação:
WAGNER BARBOSA BATELLA (UFJF)
ALEXANDRE M. A. DINIZ (PUC MINAS)
ELISANGELA GONÇALVES LACERDA (UFRR)
CLAY ANDERSON NUNES CHAGAS (UEPA)
SILAS NOGUEIRA DE MELO (UEMA)
A presente proposta deste GT pretende dar continuidade as atividades desenvolvidas nos XIII, XIV e XV ENANPEGE (2019, 2021 e 2023) com o tema “Apropriação e conflitos pelo uso da água na América Latina”. Onde a água está entre os elementos e recurso mais demandados, apropriados, usados e disputados em diversas e múltiplas escalas, no mundo e na América Latina. Aportes crescentes por este recurso reforçam a natureza dos problemas geográficos e ambientais emergentes e da disputa conflitiva que as envolvem, vários setores econômicos - cada vez mais globalizados-, e de diferentes segmentos e movimentos da sociedade. Este recurso natural renovável, porém, exaurível, é impactado por ações socioeconômicas que lhe conferem degradação, reduzindo-lhe a higidez utilizável em intervalos de espaço e tempo frequentemente mais curtos. As formas de utilização e apropriação da água, ao contrário do que ocorre com a maioria de outros recursos naturais que desaparecem com o uso, produzem modificações sensíveis em seus aspectos quali-quantitativos, impactando as bacias hidrográficas, seus rios e ecossistemas associados. A América Latina com seus 20 países, e o Brasil, em particular, são drenados por alguns dos principais e maiores sistemas hidrográficos e transfronteriços do mundo (como as bacias dos Rios: Amazonas, Prata e o Orinoco), resguardando os maiores aportes de águas superficiais e hidrogeológicos do planeta (a exemplo dos Aquíferos Guarani e Alter do Chão). Neste contexto, desde o consumo humano e a dessedentação animal, à água como insumo produtivo, até aspectos da geomorfologia fluvial, deve ser tomado como referencial geográfico de análise. Para tanto, se faz necessário destacar os estudos da hidrogeografia e das bacias hidrográficas para o planejamento de ações de gestão das águas e gerenciamento dos recursos hídricos e ao ordenamento e gestão dos territórios, face apropriação e os conflitos pelo uso da água na América Latina.
 
Coordenação:
CARLOS ALEXANDRE LEÃO BORDALO (UFC)
FLÁVIO RODRIGUES DO NASCIMENTO (UFC)
WAGNER COSTA RIBEIRO (USP)
FLAVIA DARRE BARBOSA (USP)
PAULO CESAR ROCHA (UNESP)
No mundo contemporâneo, a centralidade e a simultaneidade entre os processos de metropolização regional e financeirização da produção do espaço promovem a atualização e a ampliação das discussões sobre as configurações regionais das redes urbano-metropolitanas (arranjos urbano-regionais, região metropolitana, cidade-região, megarregião), os mecanismos financeiros, que operam especialmente na produção imobiliária (fundos de investimentos imobiliários, créditos de recebíveis imobiliários, incorporadoras com capital aberto na bolsa de valores), as formas de propriedade (multipropriedade, condomínios e loteamentos fechados), as relações entre a produção do espaço urbano e o neoextrativismo, o crescimento desmedido das cidades planejadas com a difusão de novos produtos imobiliários, e os desdobramentos dessas dinâmicas no planejamento e na gestão urbana e metropolitana. Diante do imperativo dessa agenda renovada de debates na Geografia e em diversas outras ciências sociais e humanas, o sentido fundamental do Grupo de Trabalho Metropolização Regional e Financeirização da Produção do Espaço é pensar as dinâmicas de metropolização, financeirização, urbanização e regionalização, sobretudo na Amazônia, que apresenta especificidade em relação ao Centro-Sul, contribuindo para novos olhares e perspectivas sobre o Brasil urbano e metropolitano.
 
Coordenação:
EUDES LEOPOLDO (UNIFESSPA)
ISAQUE DOS SANTOS SOUSA (UEA)
KELLY BESSA (UFT)
MARCOS CASTRO DE LIMA (UFAM)
SÔNIA REGINA ROMANCINI (UFMT)
Este GT tem como objetivo discutir a constituição e a expansão da apropriação privada capitalista das terras no Brasil. Entende-se que esse processo fundamenta a desigualdade no campo, a concentração de riquezas e de terra e traz à tona os conflitos fundiários e suas resistências. É na passagem da dominação privada do bem público e coletivo e sua transformação em propriedade privada capitalista que a terra ganha os conteúdos da mercantilização e da privatização. Destaca-se nesse processo as diferentes formas de violência desde a tomada das terras públicas e expulsão de camponeses, indígenas, quilombolas, posseiros e outros sujeitos sociais, como a grilagem de terras. Compreendida como um processo que ganha diferentes conteúdos ao longo da história e que estrutura a formação territorial brasileira. Pois, deixa de ser apenas a burla pelo papel envelhecido artesanal ou a infração/crime/desvio jurídico e propositalmente para também se tornar ações práticas de apropriação privada e dominação da terra como forma per se de concentração de renda, (como domínio da riqueza e de produção de capital), patrimônio (como expressão da escorchante concentração fundiária) e poder (como base para a capilarização política). Por esse viés, grileiros convertem-se em proprietários privados de terras (ou seja, trata-se de um processo simultâneo de formação de classe) incutido as marcas desse processo (fundamento) na própria constituição do Estado brasileiro nos diferentes poderes (executivo, legislativo e judiciário), na aliança de classe (terra e capital) e nas distintas escalas (local, regional e nacional). A violenta consequência do processo geopolítico (econômico, social e político) da grilagem permeia imediatamente (ou de forma primaz) a questão agrária no Brasil. Assim, propomos analisar e dialogar sobre essas questões.
 
Coordenação:
CAMILA SALLES DE FARIA (UFMT)
ARIOVALDO UMBELINO DE OLIVEIRA (USP)
CARLOS ALBERTO FELICIANO SINTHIA (UNESP)
CRISTINA BATISTA (UFRGS)
TIAGO MAIKÁ MÜLLER SCHWADE (UFAM)
A organização dos espaços escolares e a espacialidade das políticas educacionais em diferentes escalas são alguns dos temas recorrentes de um campo de pesquisas denominado Geografia da Educação, que se estrutura em torno de uma questão central: destacar o papel da geografia na compreensão das mais diversas questões educacionais, independentemente de sua natureza, escala ou modalidade. Dessa forma, este Grupo de Trabalho (GT) pretende reunir pesquisas sobre as múltiplas relações entre espaço e educação, considerando diferentes perspectivas políticas, teóricas e metodológicas. São bem-vindos estudos que discutam a geograficidade dos espaços escolares, o papel do território na formulação das práticas educativas, as redes educacionais, as políticas educacionais e suas articulações espaciais, os cotidianos escolares, a dimensão espacial da educação popular, as geografias da educação de jovens e adultos, a arquitetura escolar, as interações entre cidade, escola e educação, as cidades educadoras e os territórios educativos. Proposto pela primeira vez no ENANPEGE, este GT busca fomentar o debate sobre a relação entre espaço e educação, incentivando análises que ajudem na compreensão dos processos educacionais em sua dimensão espacial, contribuindo, assim, para o fortalecimento e ampliação dos olhares sobre as abordagens da educação numa chave geográfica e, portanto, da Geografia da Educação no Brasil.
 
Coordenação:
LUIZ EUGÊNIO PEREIRA CARVALHO (UFCG)
AMELIA CRISTINA ALVES BEZERRA (UFF)
MARCUS VINICIUS SILVA GOMES (UERJ)
ENIO JOSÉ SERRA DOS SANTOS (UFRJ)
ROBERTO MARQUES (UFRJ)
Este Grupo de Trabalho se constitui por pesquisadores que têm se dedicado a buscar novas perspectivas para a linguagem científica da Geografia na relação/encontro com outras linguagens, sobretudo imagéticas, tais como cinema, fotografia, artes plásticas, cartografia, entre outras. Objetivamos, a partir de pesquisas e trabalhos realizados com as linguagens imagéticas, trocar experiências, aprofundar temas e ampliar a discussão sobre os aportes teóricos, artísticos e filosóficos da ciência geográfica. Do mesmo modo, enfocamos a produção e experimentação em processos de criação/produção de imagens que tratam da espacialidade contemporânea que contribuam para outras possibilidades de produção de sentidos espaciais no âmbito da Geografia e da educação geográfica. Ressalte-se que nosso entendimento de educação em Geografia não se restringe às práticas pedagógicas do componente curricular da educação básica, e sim amplia-se para uma perspectiva mais ampla da educação como geradora de cultura, intercambiada com práticas espaciais. Destaca-se, igualmente, que as linguagens são aqui entendidas não estritamente como elemento de um processo de comunicação, mas como fundamento de um processo de criação, de produção de pensamento sobre o espaço. Neste sentido, um pressuposto coloca-se como basilar: a compreensão de que o trabalho geográfico faz uso de mecanismos simbólicos e linguísticos, bem como imagéticos, imaginativos e estéticos que reverberam em outras sensibilidades e pensamentos espaciais, potencializando outras narrativas geográficas.
 
Coordenação:
PABLO SEBASTIAN MOREIRA FERNANDEZ (UFRN)
FLAVIANA GASPAROTTI NUNES (UFGD)
GISELE GIRARDI (UFES)
ELIANE APARECIDA CABRAL DA SILVA (UNIFAP)
TÂNIA SENEME DO CANTO (UNICAMP)
Nos últimos anos, aprofundaram-se os estudos com interface teórica e metodológica da Geografia e das Relações Internacionais. As mudanças recentes na ordem mundial reforçam a importância do diálogo entre esses dois campos disciplinares, em especial recorrendo-se à categorias da Geografia para se entender as disputas de poder no mundo e seus desdobramentos geopolíticos, geoeconômicos e político-diplomáticos. Os desdobramentos da pandemia de Covid-19, as disputas hegemônicas entre EUA e China, a situação da Europa, o crescimento do BRICS, as guerras em curso na atualidade, o avanço de movimentos antidemocráticos pelo mundo, a relevância das redes sociais e da segurança cibernética e os desafios para países emergentes alcançar o desenvolvimento são alguns dos temas que vêm adquirindo crescente relevância no debate acadêmico sobre o sistema internacional, pois impactam: na gestão de políticas sanitárias; nas relações diplomáticas; no controle da mobilidade internacional; na segurança nacional; na gestão das mudanças climáticas e ambientais; na crescente recessão global, nas disputas tecnológicas, na militarização dos Estados e na ideia de democracia. São problemáticas que apontam para uma crise de legitimidade no sistema internacional e que sucitam novas reflexões sobre as teorias geopolíticas. Este GT objetiva abordar estudos sobre: [a] novos papeis dos Estados nacionais no controle ou desregulação de suas fronteiras; [b] novas práticas geopolíticas de segurança e defesa; [c] questões relacionadas ao comércio internacional no atual sistema-mundo-moderno; [d] o debate em torno do papel das redes técnicas para integração regional e das dinâmicas geoeconômicas; [e] teorias do campo das Relações Internacionais e categorias e conceitos da ciência geográfica e áreas afins, em especial a Geopolítica; [f] conflitos e guerras em curso na atualidade; [g] o papel dos países do chamado Sul Global e suas estratégias geopolíticas; e [h] o papel do espaço no entendimento de novas rotas comerciais e na apropriação de recursos naturais.
 
Coordenação:
ANDRE SANTOS DA ROCHA (UFRRJ)
CLAUDETE DE CASTRO SILVA VITTE (UNICAMP)
ANGELITA MATOS SOUZA (UNESP)
VINICIUS MODOLO TEIXEIRA (UNEMAT)
ELÓI MARTINS SENHORAS (UFRR)
O GT busca congregar pesquisadores envolvidos com a análise integrada da paisagem e dos processos dinâmicos atuantes em sistemas fluviais e costeiros. A zona de interface continental e marinha, proporciona interações entre as diferentes variáveis responsáveis pelas dinâmicas fluvial e costeira. Nestes espaços convergem as dinâmicas sociais e econômicas diretamente sobre o uso dos recursos ambientais das bacias hidrográficas, que se revelam sob diferentes alterações nos processos e morfologias. Os contextos ambientais enfatizados serão: Geomorfologia fluvial e costeira – processos dinâmicos, morfologias e evolução da paisagem; Bacias hidrográficas – usos múltiplos, gestão da água e conflitos socioambientais; Apropriação dos recursos naturais – diagnóstico e monitoramento na perspectiva da conservação ambiental; Geotecnologias aplicadas à analise dos sistemas ambientais.
 
Coordenação:
NEISE MARE DE SOUZA ALVES (UFS)
LUIZ CARLOS ARAUJO DOS SANTOS (UEMA)
MARCO ANTONIO TOMASONI (UFBA)
ANDRÉ LUIZ CARVALHO DA SILVA (UERJ)
SERGIO CADENA DE VASCONCELOS (PUC-RIO)
“O que, do clima, interessa à Geografia?” Foi em 2001, na esteira de iniciativas de cunho crítico que abordavam o clima como fenômeno geográfico, que essa pergunta se constituiu, como ponto de partida para a fundação da abordagem Geografia do Clima. Passados 24 anos, o contexto de emergência climática se impôs, demonstrando não apenas que as desigualdades socioespaciais agravam os impactos das mudanças climáticas, mas também que provocando reflexões sobre a necessidade de construir outros modos de vida e relações natureza-sociedade. Dessa forma, a atualidade da Geografia do Clima reside na sua capacidade de, a partir da produção do espaço geográfico, evidenciar as contradições nos processos de apropriação e produção da natureza do clima, qualificando-se hoje para além das questões clássicas de pesquisa (“O que, da Geografia, interessa ao clima?”). Essa virada epistemológica, além de exigir o reposicionamento das questões de pesquisa no âmbito da climatologia sob uma perspectiva crítica, impulsiona a inovação, a produção do conhecimento científico e a valorização da ciência geográfica como um saber validado e essencial para compreender e enfrentar os desafios do mundo atual. Nesse sentido, o grupo de trabalho deve articular, em rede, a Geografia Física Crítica brasileira e fomentar discussões a partir de pesquisas e trabalhos que contemplem os seguintes eixos: a) Fundamentos ontológicos, epistemológicos e metodológicos da Geografia do Clima; b) Capitalismo climático: processos de apropriação e (re)produção da natureza; c) Climatologia Urbana Crítica: qualidade ambiental, direito à cidade e à saúde; d) Riscos climáticos e desastres: processos de vulnerabilização, racismo ambiental, deslocamentos humanos e justiça climática; e) Ensino de Climatologia na Geografia no escopo da mudança, da crise e da emergência climática; f) Paleoclimatologia: reconstrução climática e implicações nos climas atuais.
 
Coordenação:
LINDBERG NASCIMENTO JÚNIOR (UFSC)
CAMILA RIBOLI RAMPAZZO (UFGD)
PAULO CESAR ZANGALLI JR (UFBA)
NUBIA BERAY ARMOND (UFRJ)
PEDRO GERMANO DOS SANTOS MURARA (UFFS)
A discussão clássica que aborda as dimensões da metrópole e de sua região metropolitana recompõe-se diante da nova dinâmica espacial, exigindo uma atualização desse debate. O processo de metropolização não se restringe às áreas metropolitanas; e, além do mais, tem uma dimensão cultural. Ou seja, ele vem acompanhado de uma alteração profunda da cultura mercantil, a qual atinge todas as esferas da vida e incide sobre espaços de toda ordem. Assim, é certo afirmar que os hábitos culturais e os valores urbanos próprios da metrópole se difundem para além dela. Nas pequenas e médias cidades, por exemplo, podemos encontrar hábitos culturais e valores que antes eram próprios e exclusivos daqueles que viviam nas metrópoles. A metropolização está ligada à grande intensidade de fluxos de pessoas, mercadorias e capitais, do crescimento das atividades de serviços e de cada vez maior demanda do trabalho imaterial, da concentração de atividades de gestão e administração, da cada vez maior utilização de tecnologias de informação e comunicação, de grande variedade de atividades econômicas com maior concentração de serviços de ordem superior, da exacerbação da associação entre o capital financeiro, promotores imobiliários e da indústria da construção, da produção de um modo de viver e de consumo que se espelha no perfil da metrópole. Explodem mundo afora processos de reestruturação e gentrificação. Trata-se de profundas mudanças, que modificam fortemente o cotidiano e impõem a necessidade de criação de novas táticas e estratégias de ação e gestão. Tais transformações, de cunho social e espacial, que demandam novas formas de pensar e de problematizar o planejamento e a gestão urbana e regional, sugerem, igualmente, esforços acadêmicos com o intuito de aprofundar, sistematizar e propor novas leituras acerca da metropolização do espaço e da metrópole. É nesse sentido que a ANPEGE se constitui um espaço privilegiado para a realização dessa discussão tão cara ao desenvolvimento da ciência geográfica.
 
Coordenação:
ALVARO FERREIRA (PUC-RIO)
OLGA LUCIA CASTREGHINI DE FREITAS (UFPA)
JOSE BORZACCHIELLO DA SILVA (UFC)
SANDRA LENCIONI (USP)
PAULO ROBERTO RODRIGUES SOARES (UFRGS)
O Semiárido brasileiro, porção do país que se estende por 11 estados das regiões Nordeste e Sudeste, possui uma questão agrária que reflete as históricas relações de poder e as intensas disputas por terra, água e território, bem como evidencia grande diversidade de povos e comunidades camponesas e tradicionais que produzem cotidianamente sua r-existência. Nesta região, o desenvolvimento territorial está profundamente arraigado à questão agrária e as distintas estratégias de convivência com o Semiárido, que refletem a incidência política das organizações e movimentos sociais na redefinição dos rumos e estratégias frente às políticas públicas. A perspectiva de convivência com o Semiárido tem como objetivo reconhecer a heterogeneidade regional, valorizando a cultura, os saberes e as práticas que propiciam alternativas para a melhor qualidade de vida e de produção da população sertaneja. Essa proposta opõe-se à ideia de combate à seca, difundida por longas décadas, que, com recursos públicos, financiou grandes obras, sem todavia, descentralizar o poder, a terra e as águas. Nesse sentido, com este Grupo de Trabalho pretende-se debater os processos inerentes à questão agrária e ao desenvolvimento territorial, com foco em perspectivas analíticas acerca do Semiárido brasileiro e suas especificidades, conflitos e alternativas territoriais. Dentre os temas principais, estão: r-existências no/do campo; territorialização do capital e conflitos territoriais; relação capital-trabalho; agricultura camponesa e agroecologia; acesso à terra, água e território; inclusão produtiva; políticas públicas e tecnologias sociais; gênero e interseccionalidades; povos e comunidades tradicionais; organizações da sociedade civil e movimentos sociais; alternativas territoriais.
 
Coordenação:
LEANDRO VIEIRA CAVALCANTE (UFRN)
GUSTAVO HENRIQUE CEPOLINI FERREIRA (UNIMONTES)
CAMILA DUTRA DOS SANTOS (UECE)
FERNANDA VIANA DE ALCANTARA (UESB)
LUCAS GAMA LIMA (UFSE)
O fim do colonialismo na América Latina, entendido como a relação econômica e política de dominação da segunda metade do século XIX, não pôs fim à colonialidade enquanto relação social, cultural e intelectual. A colonialidade — nossa experiência colonial e sua herança — permanece como um resíduo irredutível e profundamente enraizado em nossa formação socioespacial, manifestando-se em instituições políticas e acadêmicas, em práticas de sociabilidade autoritária, na memória, na linguagem, no imaginário social, na subjetividade e na forma de produção do conhecimento. Descolonizar o saber, o pensamento e, por extensão, a ciência geográfica implica o desafio da construção de epistemologias alternativas, vinculadas às experiências, dores, sofrimentos, lutas e resistências da enorme diversidade de grupos e territórios que foram ou são vítimas do processo colonial (povos indígenas, camponeses, comunidades tradicionais, grupos urbanos periféricos etc.). Isso pressupõe a criação de “epistemologias do sul”, “epistemologias fronteiriças” epistemologias outras Ademais, descolonizar impõe o desafio da criação de novas metodologias, linguagens e escritas. Não bastam teorias ou conceitos descoloniais; é necessário construir metodologias mais horizontais, que promovam o diálogo entre diferentes saberes e matrizes de racionalidade. A descolonização requer, portanto, novas práticas de pesquisa, de extensão e de ensino, por meio de pedagogias alternativas, ou seja, pedagogias descoloniais. Esses desafios suscitam questionamentos, tais como: como construir uma pesquisa geográfica a partir de uma perspectiva descolonial? Quais são as potencialidades e os limites dessa nova orientação epistêmica, metodológica e ético-política? Quem está construindo essas pesquisas? A partir de quais territórios, trajetórias, experiências e sujeitos? Quais são as práticas concretas que se constroem dessa forma? Este grupo de trabalho pretende reunir esforços teóricos, metodológicos, pedagógicos e temáticos que apontem para a descolonização dos saberes geográficos e o fortalecimento do pensamento e da ação críticos, além de integrar sujeitos que, na pesquisa geográfica, articulam uma política do conhecimento que reflita uma universidade mais diversa e democrática.
 
Coordenação:
MONICA COX DE BRITTO PEREIRA (UFPE)
DENILSON ARAÚJO DE OLIVEIRA (UERJ)
VALTER DO CARMO CRUZ (UFF)
JULIANA GRASIELI BUENO MOTA (UFGD)
JORGE RAMÓN MONTENEGRO GÓMEZ (UFPR)
Os enfoques investigativos sobre a cultura ganham escopo no processo de desenvolvimento da Geografia no Brasil. Tal reconhecimento está ancorado, recentemente, em uma ampliação de temas e fenômenos (música, literatura, teatro, esportes, cinema, religião, patrimônio, festas, sociabilidade, identidade, sexualidade, ruralidade, TICs, geocomunicação, ciberespaço etc.), nos quais prevalece a dimensão empírica descritiva das tradições. A polissemia da palavra cultura dificulta uma rápida compreensão por parte dos/as geógrafos/as, ainda que amplie as possibilidades analíticas. Este Grupo de Trabalho assume a importância da pluralidade de métodos no debate da cultura em Geografia. Mais que um corte definido por temas, enaltecemos os aspectos mais urgentes da investigação da cultura na qualificação de teorias, na construção do método e de práxis populares alternativas. Consideramos que o modo pelo qual se ativa o potencial dos temas culturais na Geografia ainda carece de mais coerência epistêmica e metódica, seja em relação ao respeito das formas tradicionais, seja em relação ao cuidado com as propostas ecléticas ou híbridas, com a tendência a não as pautar. Esperamos atrair e debater pesquisas com diferentes matizes teórico-metodológicos, reveladoras da riqueza de temas variados e que contribuam para uma Geografia mais preocupada com a complexidade da existência e das experiências. Um princípio importante deste GT (mas não o único) é o de que a qualificação “cultural” atribuída à pesquisa em Geografia seja capaz de informar e problematizar o uso potencial das categorias e dos conceitos disciplinares, a fim de ir além do senso comum sobre cultura e o traga para uma leitura da realidade complexa de fundamento espacial disciplinar.
 
Coordenação:
EVERALDO BATISTA DA COSTA (UNB)
RODRIGO RAMOS HOSPODAR FELIPPE VALVERDE (USP)
OTAVIO JOSE LEMOS COSTA (UECE)
NEUSA DE FÁTIMA MARIANO (UFSCAR)
JEAN CARLOS RODRIGUES (UFNT)
O final do século XX e as primeiras décadas do século atual tem sido um período marcado por profundas transformações econômicas, políticas, tecnológicas e ambientais que conectam o mundo em um arranjo multiescalar. Os efeitos das mudanças climáticas ocorrem em uma escala geográfica global, afetando diretamente a vida das pessoas. Face a isso, tem-se um desafio complexo para as sociedades contemporâneas inseridas em um quadro de urbanização tão híbrido. O Brasil possui uma centralidade nesta discussão em razão de sua inserção mundial e posição na América Latina e, ainda, pela biodiversidade, águas e multiplicidade de modos de vida nas cidades e nos campos. Em termos gerais, as mudanças climáticas constituem-se um processo que impacta, diferenciadamente as populações mais pobres, assim, os seus efeitos em sua complexidade precisam ser discutidos. Este grupo de trabalho pretende se constituir como um espaço de discussão sobre a emergência climática e seus efeitos nas cidades pequenas, médias e grandes em contextos de urbanização contemporânea. Os coordenadores apresentam ao ENANPEGE esta proposta nova de GT. Considerando as diferentes abordagens para a temática, o grupo de trabalho convida à submissão de trabalhos que reflitam sobre os eixos: quais são as dinâmicas locais e regionais que intensificam a emergência climática no Sul Global (caso Brasil)? como as cidades estão se adaptando às mudanças climáticas? qual é a resposta dos diversos agentes urbanos face a estes processos? Quais são as políticas urbanas desenvolvidas diante desta problemática? Quais são as concepções e os discursos promovidos neste contexto, suas implicações e arranjos? Nesses termos, este GT propõe o debate e a reflexão crítica na ciência geográfica em suas diferentes análises e experiências concretas de pesquisas que podem lançar luzes e perspectivas diante dos desafios das problemáticas que permeiam a emergência climática e suas implicações nas cidades no cenário de urbanização contemporânea.
 
Coordenação:
IARA SOARES DE FRANÇA (UNIMONTES)
JANIO LAURENTINO DE JESUS SANTOS (UEFS)
ARTUR ROSA FILHO (UFRR)
ANA MÁRCIA MOREIRA ALVIM (PUC MINAS)
RAHYAN DE CARVALHO ALVES (UNIMONTES)
O etnoconhecimento é um tema de discussão recente na academia, especialmente no contexto do ensino de Geografia. Da mesma forma, a educação contextualizada também é uma abordagem nova. Ambos os temas se inter-relacionam. O etnoconhecimento refere-se ao saber tradicional transmitido de geração em geração por povos indígenas, ribeirinhos, agrodescendentes e comunidades rurais. No âmbito da educação contextualizada, o conhecimento da comunidade local desempenha um papel central, promovendo o envolvimento ativo dos alunos. Nesse contexto, os elementos naturais da ciência geográfica representam uma oportunidade para ampliar a discussão, incentivando reflexões teóricas e metodológicas. Dessa forma, este Grupo de Trabalho (GT) propõe-se a debater pesquisas voltadas ao etnoconhecimento e à educação contextualizada no ensino de Geografia, com ênfase nos componentes naturais.
 
Coordenação:
MÁRCIA TEIXEIRA FALCÃO (UERR)
JOSÉ MAURO PALHARES (UNIVASP)
LUCIANA DINIZ CUNHA ANTONIA (UFRR)
VANESSA SILVA FREIRE MORAES XIMENES (UNIVASP)
JOSÉ FALCÃO SOBRINHO (UVA)
Este GT acolhe pesquisas que envolvam a interação/relação universidade e escola implicando a educação geográfica numa perspectiva de inovação, considerando a formação cidadã, democrática e inclusiva das diversidades. A educação geográfica potencializa-se pelo diálogo com a pesquisa e a extensão na medida em que a formação acadêmica (inicial e continuada) e a atuação docente, são constituídas nesse complexo relacional, entrecruzando a universidade e a escola. Nesta perspectiva a pesquisa construída em parceria com as comunidades estimula mudanças sociais, culturais e econômicas, seja em ambientes escolares ou em organizações e movimentos sociais. Assim, os debates compreendem os processos da educação geográfica a partir de temáticas que consideram dialogar com a realidade dos lugares e do mundo, discutindo alternativas para o enfrentamento dos desafios atuais que envolvem investigações que sejam contributivas para a educação escolar. Destacamos, ainda, a importância dos trabalhos de pesquisa que fazem conexão com a extensão, considerando o potencial integrador com a sociedade em sua diversidade e a relevância social da realização de uma leitura geográfica crítica e interventiva dos processos espaciais e territoriais que ocorrem no âmbito das comunidades.
 
Coordenação:
ADRIANA MARIA ANDREIS (UFFS-SC)
SILVIA APARECIDA DE SOUSA FERNANDES (UNESP/IPPRI-SP)
GLAUCIANA ALVES TELES (UVA)
MAFALDA NESI FRANCISCHETT (UNIOESTE)
SERGIO CLAUDINO (UVA)
A presenca do capital a juros (Marx) na agricultura brasileira nao e recente. Pierre Monbeig, em seu estudo classico, ja a analisava enquanto elemento central da frente pioneira, antes ate da decada de 1930. A Geografia, porem, acompanhou outras areas do pensamento critico para apresentar as transformacoes no papel do chamado capital financeiro (Hilferding) na economia brasileira, a partir de uma inflexao sobretudo nos anos 1970 que teve importantes consequencias para as formas de reproducao do capital no pais. As formulacoes de F. Chesnais acerca das financas a se apropriarem da “riqueza social”; ou de D. Harvey, no que concerne aos ciclos de acumulacao, crise e ajuste espacial, sao referencias teoricas ja recorrentes e fundamentais para quem pesquisa a financeirizacao contemporanea da agricultura mundial e da urbanizacao do sul global. Guilherme Delgado nos anos 1980 destacou a inflexao que a modernizacao conservadora promoveu no campo brasileiro com a intermediacao do capital financeiro. No que concerne ao processo de producao do espaco urbano, financeirizacao e urbanizacao critica se entrelacaram a partir dos anos 1970 no pais (como em Amelia Damiani e em Ana Fani Carlos). Desde os anos 1990, diversos novos mecanismos financeiros tem surgido no Brasil, desdobrando o capital portador de juros e rearticulando a presenca do fundo publico na complexidade dos circuitos financeiros que promovem a producao do espaco e a reproducao de capitais tanto no campo como nas cidades. Diante destes e de outros fenomenos, pesquisas recentes repensam os classicos e os paradigmas consensuados para tematizarem a possibilidade de inclusao de outras “entradas” teoricas, visando a apreensao das particularidades dos fenomenos atuais. Convidamos, assim, aqueles debrucados na tematica proposta a submeterem seus resultados de pesquisa neste GT, permitindo a apresentacao e cotejamento dos mesmos para tracarmos um quadro multifacetado dos processos apresentados
 
Coordenação:
CÁSSIO ARRUDA BOECHAT (UFES)
MARTA INEZ MEDEIROS MARQUES (USP)
FLÁVIA ELAINE DA SILVA MARTINS (UFF)
FABIO TEIXEIRA PITTA MARCO (UNESP)
ANTONIO MITIDIERO JUNIOR (UFPB)
Este Grupo de Trabalho (GT) constitui um espaço de interlocução entre pesquisadores com diferentes interesses na temática da Geografia Costeira e Marinha. Busca-se discutir conceitos, métodos, fenômenos, processos, impactos e dinâmicas a partir de uma abordagem holística, integrando as dimensões física, social, cultural e ecológica. Inspirado na reflexão de Muehe (2020) em seu capítulo "A posição da Geografia nas Ciências Marinhas", o GT adota uma perspectiva interdisciplinar, promovendo a integração de saberes para o fortalecimento desse importante ramo da ciência geográfica. O capítulo faz parte do livro Geografia Marinha: Oceanos e Costas na Perspectiva de Geógrafos, organizado pelos professores Dieter Muehe, Flavia Moraes Lins-de-Barros e Lidriana de Souza Pinheiro, publicado em 2020 (Disponível em: link). A partir dessa base conceitual, este GT propõe a discussão de temas como: a) Vulnerabilidade e riscos costeiros associados a? erosa?o costeira, eventos clima?ticos extremos e ressacas do mar frente a? ocupação e mudanças clima?ticas; b) Conflitos de usos, pressa?o e impactos ambientais associados nas zonas costeiras e marinhas; c) Processos morfodina?micos, hidrodina?micos, aerodina?micos e geoestruturais de ambientes costeiros e marinhos; d) Me?todos e te?cnicas para monitoramento e detecc?a?o da variac?a?o da linha de costa; e) Gesta?o costeira integrada, zoneamento ecolo?gico econo?mico costeiro; f) Mapeamento de paisagens marinhas, habitats marinhos, reservas biolo?gicas e unidades de conservac?a?o marinhas; g) Processos ocea?nicos e formas de relevo do fundo marinho; h) Sistemas de informac?a?o geogra?fica (SIG) aplicados aos estudos costeiros e marinhos; i) Modelagem computacional, linguagem de máquina e intelige?ncia artificial aplicado em estudos costeiros e marinhos; j) Turismo costeiro e náutico; k) Relac?a?o porto-cidade e seus reflexos na transformac?a?o das paisagens costeiras; l) energias renova?veis marinhas: desafios, conflitos e impactos; m) Comunidades tradicionais costeiras e vulnerabilidade social; n) Interface dos processos fluviais e marinhos em deltas e estua?rio; o) Economia Azul e Planejamento Espacial Marinho (PEM).
 
Coordenação:
DAVIS PEREIRA DE PAULA (UECE)
LIDRIANA DE SOUZA PINHEIRO (UFC)
FLAVIA LINS DE BARROS (UFRJ)
EDUARDO BULHOES (UFF)
MIGUEL DA GUIA ALBUQUERQUE (IFRS)
Convidamos ao debate sobre a produção de territórios extrativos a partir da implementação de redes globais de extração mineral, incluindo os setores de mineração, petróleo e gás natural. Além disso, adotando premissas da Ecologia Política, propomos a discussão sobre o papel de agentes privados, Estado e movimentos sociais e dos conflitos decorrentes dessas relações, a partir da concepção, implementação ou operação de tais projetos e atividades. Mudanças no cenário geopolítico mundial influenciaram as atividades extrativas, que têm apresentado uma relevância crescente como (des)ordenadoras dos territórios. A mineração e a extração de hidrocarbonetos vêm demonstrando considerável centralidade nas mudanças do espaço urbano e rural, alterando as redes de circulação de bens e pessoas em múltiplas escalas. Mais recentemente, a crise envolvendo a mineração ilegal e o Povo Yanomami, bem como a violência ocorrida no vale do Javari, mostraram quão críticos podem ser tais impactos no contexto amazônico e das comunidades tradicionais. Agentes econômicos, sejam grandes corporações, sejam empresas de pequeno e médio porte, são atores chave no jogo político- econômico institucional, influenciando poderes estatais, em diferentes esferas. Assim, estes setores ganham centralidade na gestão territorial e provocam dinâmicas nocivas, decorrentes da produção de um espaço orientado pelo extrativismo. Movimentos sociais e pessoas atingidas, contrários aos modelos adotados por esses setores, vêm lutando pela defesa dos seus territórios e de seus modos de vida. Essas lutas incluem resistências a tais projetos, propostas de alternativas e novas formas de convivência com projetos existentes. A partir do olhar, sobretudo, da Geografia Econômica, Agrária, Urbana, Política, Geohistórica e Regional, esperamos alcançar uma reflexão aprofundada a partir dos estudos e das contribuições aqui recepcionados. Palavras-chave: Mineração; Políticas Territoriais; Conflitos Sócio-Ambientais
 
Coordenação:
FABIANO DE OLIVEIRA BRINGEL (UEPA)
SÁVIO JOSÉ DIAS RODRIGUES (UFMA)
MERCEDES SOLÁ PÉREZ (FURG)
JUSSARA MANTELLI (FURG)
AIALA COLARES DE OLIVEIRA COUTO (UEPA)
No contexto das complexas relações/interfaces dialógicas multidimensionais entre sociedade e natureza nesse primeiro quarto do século XXI, principalmente no que se refere as questões climáticas, avanço de relações insalubres entre as nações e os povos do mundo, e a contraposição a essas questões e outras em nível global, assim como os modos de vida e as propostas de outras possíveis sociedades menos danosas ao ambiente vivido, especialmente na Geografia Cultural e seu vasto campo de abordagens ligadas às categorias de análise espacial (espaço, lugar, região paisagem, território), principalmente na complexidade dos fazeres geográficos de pesquisadores e pesquisadoras, vem se despontando propostas geográficas nas quais outro mundo é possível, considerando-se diversidade de “mundos” dos povos originários e afrodiaspóricos, tradicionais e de outros grupos humanos, mas com destaque para os dois primeiros. Diante de tantos desafios, os estudos e produções do conhecimento geográfico geraram as maiores e mais intricadas possibilidades sobre o mundo vivido e a diversidade cultural manifestada em diferentes contextos geográficos, exigindo repensares e ações sobre tais geografias que englobam, sobretudo, os saberes e fazeres dos povos originários e tradicionais. Fatores que induzem a questionamentos sobre nossas relações com o “Outro”, e deste conosco. Ver, sentir e agir sobre tais relações enquanto sujeitos sociais que formam parte da nossa existência nos mais diversos e profundos espaços geográficos e territoriais de vivências materiais e imateriais, são a mola propulsora das perspectivas que envolvem as geografias culturais. Tudo vem se desdobrando para o papel do “Outro”, demonstrando esse “Outro” como fundamental na produção social dos espaços que (re)construímos, (re)agimos e sentimos as relações socioambientais e socioculturais, marcadas na ciência geográfica a partir da sua base mais enraizada e profunda, a relação sociedade e natureza. Buscamos nesse GT, reunir pesquisadores e pesquisadoras com seus trabalhos e ideias para a troca de experiências significativas frente aos desafios teóricos e metodológicos postos para a produção do conhecimento na Geografia Cultural. Aceitaremos estudos com temas que discutam abordagens, tais como: pluralismos identitários em diferentes contextos geográficos, lugar(es), representações, símbolos, processos migratórios, festas populares, festejos, religiões na sua diversidade, com especial ênfase nas manifestações religiosas de matrizes africanas, de coletivos etnográficos da floresta e de povos tradicionais; povos originários, bem viver, lógicas de cooperação e alternativas não-mercadológicas da relação com a natureza, (com)vivências, percepções e sentimentos, espaços públicos, saberes e conhecimentos tradicionais, modos de vida. Sinalizamos, ainda, para trabalhos que abordem os impactos gerados na educação e na formação da sociedade brasileira pela negação científica, notadamente atinentes aos processos de mudanças climáticas, pela luta contra o aquecimento global, por um mundo de paz e justiça social ambiental, para além dos conflitos que se alargam nas mais diversas fronteiras nesse primeiro quarto do século XXI, e seu conflito sobre o mundo vivido dos/das afetados pelo choque do capitalismo que aniquila cada vez mais, os povos originários e tradicionais no Brasil e no Mundo, bem como a luta e a resistência contra as mais diversas violências sobre a vida, advindas dos saberes, fazeres e agires do viver das populações, sejam tradicionais ou originárias. Reforça-se a relevância das abordagens críticas para o permanente combate ao racismo ambiental e cultural nas suas diversas manifestações. Amplia-se, assim, o leque de pesquisas com abordagens na Geografia Emocional, Geografia da Esperança, Geografia da Saudade, ou na Geografia Espiritual ao tratarem de estudos assentados nas interfaces dialógicas entre coletivos sociais e a natureza nas suas diversas dimensões, portanto, promotoras de mudanças, constituintes de bem viver que contribuem para o entendimento das múltiplas possibilidades das geografias socioculturais, socioambientais e socioespaciais.
 
Coordenação:
NILSON CESAR FRAGA (UEL)
JOSUÉ DA COSTA SILVA (UFRR)
JANIO ROQUE BARROS DE CASTRO (UFBA)
MARCIA ALVES SOARES DA SILVA (UFMT)
MARIA AUGUSTA MUNDIM VARGAS (UFSE)
O entrelaçamento teórico entre geografia econômica e economia política – e também com a ecologia política – promove não somente a atualização e ampliação de debates sobre o mundo do trabalho, os usos do território em diferentes escalas, envolvendo, além da produção e da circulação, a distribuição, a troca e o consumo de mercadorias. Tal diálogo também permite refletir sobre os novos processos de “desenvolvimento” local-regional; a economia destruidora e a adoção de formas corporativas de sustentabilidade; as concretudes, imaterialidades e conflitividades do conhecimento, da inovação e da tecnociência; a constituição de redes geográficas, de espoliação e de poder; as relações entre Estado, corporações e diferentes frações do capital; e os processos de metropolização, inovação, financeirização e reestruturação espacial. Em meio a esta agenda renovada do campo da geografia econômica, da economia política e da ecologia política, nosso foco neste Grupo de Trabalho é aproximar investigadores que desenvolvam pesquisas nos seguintes temas: [1] globalização, financeirização e suas implicações na constituição de cadeias produtivas em diferentes escalas; [2] processos de industrialização e de expansão da “modernização” territorial, especialmente nas economias periféricas; [3] neoliberalismos, meio, ecologia política e questões socioambientais dos processos econômicos destruidores, em particular a exploração minerária e da energia; [4] o papel da ciência, da tecnologia, da informação e das redes técnicas no processo de integração e/ou produção de territórios, na criação de novos arranjos espaciais e nos sistemas espoliativos; [5] a produção flexível, as transformações no mundo da fábrica, a inovação e as novas formas de trabalho, acumulação e resistência.
 
Coordenação:
REGINA HELENA TUNES (UFRRJ)
DENIS CASTILHO (UFG)
LEANDRO DIAS DE OLIVEIRA (UFRRJ)
CLAUDIO LUIZ ZANOTELLI (UFES)
RAFAELA F R DELCOL (UFMS)
O conjunto de políticas educacionais sob a égide da Gestão Pública contemporânea no Brasil têm alterado substancialmente a docência, a dinâmica e as práticas escolares nas diferentes regiões do país. Essas políticas têm reverberado nos currículos, nos materiais didáticos, na concepção de ensino e aprendizagem, nas avaliações padronizadas, nos usos do espaço escolar, entre outros aspectos, que afetam diretamente a formação inicial, continuada e o trabalho docente. Reduzida à lógica da reprodução técnica, essas políticas acabam por desqualificar a educação geográfica e formação docente do reconhecimento das múltiplas espacialidades escolares, seus contextos, seus sujeitos, saberes e práticas. À vista disso, o GT visa reunir professoras(es)-pesquisadoras(es) da escola e da universidade para refletir sobre as diferentes temáticas acerca da geografia e educação, buscando reafirmar a escola enquanto espaço de produção de conhecimento e de disputa sobre a política educacional, além de enfatizar a importância da formação docente e da geografia que se ensina e se pesquisa para além da lógica prescritiva. Em síntese, o que se propõe é um espaço de reflexão coletiva e partilhada que tenha como ponto de partida a escola em sua materialidade complexa e suas espacialidades plurais em sentidos, formas e lutas. A proposta de continuidade do GT, que constituirá a terceira edição, busca aprofundar os debates realizados no XV ENANPEGE, cujo resultados apontaram para a pertinência e aderência da temática, observada tanto pelo grande número de inscritos quanto pela qualidade dos debates apresentados.
 
Coordenação:
SÉRGIO HENRIQUE DE OLIVEIRA TEIXEIRA (UNILA)
ANA CLAUDIA CARVALHO GIORDANI (UFF)
ALDO GONÇALVES DE OLIVEIRA (UFCG)
ELIDA PASINI TONETTO (UFRGS)
DÉBORA SCHARDOSIN FERREIRA (UERJ)
É urgente identificar e discutir questões como a crise econômica, política e ideológica em curso no Brasil, na América Latina e no Mundo. Os efeitos da crise atual, iniciada pelo centro em 2008, recaíram com severidade na periferia, com agravo na América Latina, afetando sua dinâmica econômica e política, caracterizada por lideranças que buscam superar o neoliberalismo e o ranço colonial, ou submeter-se ao império. A consequência foi o baixo crescimento econômico da periferia, com exceções (China, Índia, África), e fortes reconfigurações políticas, com participação da extrema direita nos países latinos (Argentina, Brasil, Guatemala, Paraguai, Peru). É essencial buscar explicações sobre tal lógica e essência, considerando as diferentes escalas geográficas. Como indicou M. Santos, há três escalas principais da análise geográfica: mundial, nacional e regional-local. Na análise da economia e sociedade, é preciso considerar com precisão os três níveis. O neoliberalismo tentou eliminar, na teoria e na prática, o nível nacional, inflacionando os dois outros níveis. Outra contribuição de M. Santos é a categoria da formação socioespacial. A interpretação da atual sociedade e economia deve considerar que há uma formação capitalista mundial, comandada pelo centro do sistema e uma grande periferia subordinada, mas paradoxalmente cresceu por longo período a ritmos superiores aos do centro, como destaca A. Mamigonian. Cada nação, central ou periférica, é uma formação socioespacial específica, mesmo com "parentescos" (América Latina, BRICS), mas consideramos, também, a nível regional-local, a existência de especificidades. É necessário incentivar a produção de uma Geografia crítica e combativa, produzida na periferia, que não negue a relação centro-periferia. Dessa forma será possível combater a tendência do pensamento único, da perda do espírito crítico, que levam ao fim da intelectualidade sob o capitalismo avançado. Necessita-se retomar debates que deem subsídios sobre nossas potencialidades técnicas, humanas e naturais. Trata-se de GT novo.
 
Coordenação:
JOSE MESSIAS BASTOS (UFSC)
MARTA DA SILVEIRA LUEDEMANN (UFAL)
DOMINGOS SAVIO CORREA (UFAL)
KAUÊ LOPES DOS SANTOS (UNICAMP)
LEONARDO DIRCEU DE AZAMBUJA (UFSC)
O presente Grupo de Trabalho (GT), aninhado em teorias e metodologias da Geografia Cultural e da Geografia da Religião, tem o objetivo de debater as dimensões espaciais das diversas manifestações religiosas, festas e religiosidades, que compõem a realidade dos lugares, marcam paisagens e definem territórios. No cenário de um mundo contemporâneo, crescem e urgem problematizações que atravessam tais temas com as questões de gênero e ciberespaço. A saber, os estudos dedicados à Geografia da Religião surgem no contexto de desenvolvimento da Geografia Cultural, sobretudo, na década de 1940. Renovados nas décadas de 1970 e 1980, esses campos de investigação alargaram seus horizontes de trabalho e admitiram, assim, a incorporação de outros temas, abordagens, posicionamentos teóricos- metodológicos, da dimensão imaterial e simbólica da vida, mantendo-se abertos à novas experimentações: como no caso das pesquisas que esperamos submissão neste GT. Importantes geógrafos compõem a lista de referências de pesquisadores nessa área, tais como: Paul Claval, Zeny Rosendahl, Roberto Lobato Corrêa, Denis Cosgrove, Eric Dardel, Yi-Fu Tuan, Anne Buttimer, entre outros. O GT proposto vem se consolidando e se renovando ao longo dos anos no ENANPEGE, sendo que em 2023 foi composto pelos mesmos coordenadores e tendo como título “GEOGRAFIA, CULTURA, RELIGIOSIDADE E SABERES POPULARES” (GT 43). A estes termos, a proposta do GT, no cerne das pesquisas de discentes, docentes, geógrafos e geógrafas brasileiros junto à Associação Nacional de Pós- Graduação e Pesquisa em Geografia, visa contribuir com a inteligibilidade dessas temáticas de grande relevância social e geográfica.
 
Coordenação:
ZENY ROSENDAHL (UERJ)
CAMILA BENATTI (UEMS)
JOSÉ ARILSON XAVIER DE SOUZA (UNICAMP)
RAFAEL HENRIQUE TEIXEIRA-DA-SILVA (UNESP)
BERNADETE APARECIDA CAPRIOGLIO DE CASTRO (UNESP)
Observa-se, no âmbito da Geografia brasileira, após o ano de 2000, um crescimento dos grupos de pesquisas cujos objetivos têm se dedicado ao estudo do clima em todo o território nacional. Esse crescimento vincula-se a criação de programas de pós-graduação em Geografia e o processo de expansão do ensino superior, principalmente no interior do Brasil. Nas últimas duas décadas assim observou-se o surgimento de novas temáticas e proposições nos estudos da climatologia brasileira, as quais vieram acompanhas da utilização de novas técnicas, metodologias e o uso de equipamentos para aferição de dados e informações. Neste contexto o GT “Análise geográfica do clima” visa fomentar o debate acerca de aportes teóricos, metodológicos e técnicos, tendo como escopo: Estudos teóricos e aplicados em Climatologia Geográfica. A compreensão das relações da interface superfície-atmosfera na gênese do clima e dos tipos de tempo. A articulação das escalas do clima: do local ao global. A Climatologia e as novas tecnologias. O uso de softwares e o desenvolvimento de equipamentos. O clima no contexto das políticas públicas. O clima: o uso e a gestão do território. Variabilidade climática. Vulnerabilidade climática e impactos socioambientais. Eventos climáticos extremos e suas repercussões na sociedade. Aspectos sociais-econômicos-ambientais das mudanças climáticas. Clima e ensino. Clima e saúde.
 
Coordenação:
CHARLEI APARECIDO DA SILVA (UFGD)
EMERSON GALVANI (USP)
REBECCA LUNA LUCENA (UFRN)
NÁDIA GILMA BESERRA DE LIMA (USP)
ERIKA COLLISCHONN (UFPEL)
As pesquisas e estudos que versam sobre o clima urbano, através de distintas concepções das relações sociedade natureza, diversificaram-se e ampliaram-se, sobretudo nas últimas três décadas. Tais ampliações e diversificações estão ancoradas em inovações teóricas, metodológicas e técnicas, destacando-se as novas tecnologias que permitiram maior capacidade de registro, análise e interpretação de dados, tanto através de estações ou miniestações meteorológicas de superfície, como também através de inovações em produtos de sensoriamento remoto. Tais inovações permitiram por sua vez, ampliar a compreensão do clima urbano em múltiplas escalas de análise. Nessa perspectiva, no Brasil, assim como em diversos outros países do mundo, estudos sobre o clima urbano multiplicaram-se, e começaram a absorver também realidades ainda pouco estudadas, como as existentes em cidades médias e pequenas. Sendo assim, o GT “Os climas das cidades e as relações sociedade/natureza” tem como objetivo aprofundar o debate sobre teoria, métodos, procedimentos, técnicas e novas tecnologias, sobretudo a partir dos seguintes temas: Escalas de estudo da climatologia urbana. Inovações técnicas e tecnológicas para o estudo do clima urbano. Fenômeno de ilhas de calor e frescor no ambiente urbano. Influência dos espaços verdes no clima da cidade. Variações térmicas e higrométricas e conforto térmico nas cidades. Qualidade do ar nas cidades e saúde. Impactos pluviais nas cidades: inundações, alagamentos, escorregamentos. Clima urbano, risco e vulnerabilidade. Consequência das mudanças climáticas nas cidades. Clima e planejamento urbano. Clima e desigualdades socioambientais urbanas.
 
Coordenação:
JOSE CARLOS UGEDA JUNIOR (UFMT)
MARGARETE CRISTIANE DE COSTA TRINDADE AMORIM (UNESP)
RANYÉRE SILVA NÓBREGA (UFPE)
EDSON SOARES FIALHO (UFV)
MARCELO DE OLIVEIRA MOURA (UFPB)
O GT foi criado em 2017 com o objetivo de reunir conhecimentos geográficos sobre os impactos das hidrelétricas na Amazônia. Em 2021, ampliou-se o debate para outras fontes de energia e para as demais regiões do país. Quando a pauta é as “Geografias em um mundo de crises” propõem-se discutir processos de espoliação, cooptação e silenciamento de diferentes grupos sociais, afetados pela exploração dos recursos naturais para geração de energia. A produção de energia, muitas vezes justificada como desenvolvimento, contribui para dinâmicas espaciais que implicam em danos ambientais e acirram as desigualdades sociais. A exploração de fontes fósseis e, mais recentemente, de recursos renováveis para geração de energia estão entre as principais causas das crises mundiais. O GT propõe analisar o presente e as perspectivas para o futuro, articulando escalas, territórios e paisagens, considerando como as forças que moldam a Geografia das Energias estão entrelaçadas à produção sociometabólica de eventos climáticos extremos. A ascensão da extrema-direita, com figuras como Trump, torna a crise mais volátil, já que ameaça investir massivamente em hidrocarboneto, negligenciando o Acordo de Paris. Esse cenário se insere no contexto da COP-30, que o Brasil sediará, colocando a Amazônia no centro das discussões globais. Assim, a Geografia das Energias estabelece questões centrais como: qual o papel do Brasil na transição energética global? Qual transição energética queremos para o país? A economia verde representa uma oportunidade? Nossas florestas, rios, clima, biodiversidades e culturas podem contribuir para mitigar a crise climática e social? Quem controlará a transição energética e o "mercado verde"? As novas matrizes energéticas "limpas", resolvem os problemas socioambientais locais? Quais elementos geográficos podem ser analisados em relação à exploração das fontes de energia renovável e de baixo carbono?
 
Coordenação:
JOSE ANTONIO HERRERA (UFPA)
MARIA MADALENA DE AGUIAR CAVALCANTE (UNIR)
ADRYANE GORAYEB (UFC)
JOSE QUEIROZ DE MIRANDA NETO (UFPA)
ANDERSON AZEVEDO MESQUITA (UFAC)
O Grupo de Trabalho (GT) que já foi proposto e aprovado no Enanpege da edição anterior, propõe refletir com a infância, suas pluralidades e vivências, reconhecendo o espaço geográfico como linguagem substancial dos processos de diferenças e interseccionalidades que fazem parte do ser e estar no mundo. Busca colocar em movimento as investigações sobre as produções infantis, dando ênfase às autorias sociais das crianças em suas lógicas como sujeitos produtores de culturas e que corroboram para as transformações sociais, nas muitas relações escalares que fazem parte de suas vidas em sociedades. Estabelece interfaces com o Campo de Estudos da Infância, a Educação e a Geografia, como áreas de produção de conhecimentos, ancoradas na espacialização da vida humana. Com esses pressupostos pretende: - Expressar o debate contemporâneo relativo ao protagonismo, autoria e participação infantil na Geografia Escolar; - Registrar ações cotidianas que expressem a presença, a voz/vez e a ação das crianças e suas espacialidades no âmbito da Geografia Escolar; - Investigar e compreender as práticas socioespaciais das crianças, compreendendo como transcriam os conhecimentos que vivenciam pela e nas culturas.
 
Coordenação:
DENISE WILDNER THEVES (UFRGS)
DIEGO CORRÊA MAIA (UNESP)
ADRIANA OLIVIA ALVES (UFG)
RODRIGO BATISTA LOBATO (UERJ)
EMERSON RIBEIRO (URCA)
A proposta do GT é aglutinar trabalhos, pesquisadores e pesquisas envolvendo a discussão sobre os povos indígenas no Brasil, sua relação com a questão agrária e sobre como a Geografia vem abordando o tema, na perspectiva da práxis social. A questão agrária é compreendida a partir da centralidade que exerce a propriedade privada da terra e sua estrutura extremamente concentrada no Brasil, com desdobramentos nas questões envolvendo povos originários. Não tem sido tradição na Geografia o estudo, o debate e a inserção nas questões que envolvem povos indígenas. Tal preocupação é recente e vem acompanhada de dificuldades teórico-práticas no tratamento dessas temáticas. Dificuldades de aproximação com povos culturalmente diversos e diferenciados, dificuldades de entendimento analítico no contexto da questão agrária brasileira, tem se traduzido em alguns dos motivos desse atraso teórico-prático da Geografia em relação aos povos originários, comparativamente às outras áreas do conhecimento, como a Antropologia e a História. A proposição desse Grupo de Trabalho pretende reunir pesquisadores geógrafos interessados em dialogar, debater e trocar experiências sobre a práxis geográfica brasileira em relação aos povos indígenas. Espera-se com tal proposta que esse Grupo se constitua num Grupo de Trabalho que possa se desdobrar em avanços teórico-práticos, para a Geografia e para os povos indígenas.
 
Coordenação:
MÁRCIA YUKARI MIZUSAKI (UFGD)
AMANDA CHRISTINNE NASCIMENTO MARQUES (UFPB)
DJONI ROOS (UNIOESTE)
JOSÉ GILBERTO DE SOUZA (UNESP)
ELIZEU RIBEIRO LIRA (UFT)
Este GT tem se consolidado por diversas edições do ENANPEGE, constituindo-se em espaço privilegiado de intercâmbio sobre o diálogo geoliterário para a comunidade geográfica brasileira. A diversidade regional e temática que o encontro da Geografia, Literatura e Arte revela-se nos trabalhos dos eventos anteriores, expressa como a temática conquista espaço e se consolida na pós-graduação. São trabalhos que subvertem os caminhos dominantes para interpretar a geografia do mundo e dos textos. O diálogo entre esses campos do conhecimento nos desafia a encontrar interlocuções cada vez mais qualificadas, seja na apresentação de questões atinentes à vida contemporânea no campo e nas cidades, seja no âmbito da fundamentação teórica e metodológica. Assim, busca-se elaborar, de modo criativo, interlocuções e respostas para compreender e atuar na complexidade do presente em suas intricadas articulações escalares. Para isto, o ato de investigar, ler, interpretar e narrar se enriquece pela contribuição da geografia e da literatura, articulando-se ciência e arte na empreitada para compreender o presente e educar a sociedade em suas dimensões multifacetadas. Grafar o espaço e o texto, interpretá-los com autonomia intelectual e autoria criativa constituem-se atos políticos para o sujeito contemporâneo em tempos de narrativas tão diversas e até negacionistas. São investigações que lançam luz sobre a função social da Geografia, da Literatura (espaço e tempo, presente e futuro, leitura e escrita, criação e imaginação) e desafiam suas contribuições aos processos formativos na atualidade. A proposição do GT também é uma demanda indicada na avaliação dos participantes desde o ENANPEGE de 2019. Palavras-chave: Geografia, Literatura, Educação Geográfica
 
Coordenação:
MANOEL MARTINS DE SANTANA FILHO (UERJ)
ADRIANA CARVALHO SILVA (UFRRJ)
AMÉLIA REGINA BATISTA NOGUEIRA (UFAM)
ANA CAROLINA MARQUES (UFPB)
ROSANE BALSAN (UFT)
Os fundamentos teórico-metodológicos da Geografia do Trabalho; A centralidade da categoria trabalho nas pesquisas em Geografia; As leituras espaciais dos diversos mundos/sociedades do trabalho; A dimensão territorial da crescente fragmentação do trabalho; Analise e crítica da dinâmica geográfica do capital e do trabalho; Expressões laborais e formas específicas de controle social e territorial (subordinação, exploração, dominação e sujeição) do capital sobre o trabalho; A construção de (Re)Existências políticas e organizativas no mundo do trabalho (sindicais, mobilização social, emergência de coletivos plurais, ação e práticas populares); Processos atuais de acumulação do capital no campo e na cidade e suas estratégias territoriais; Crítica à restruturação produtiva do capital: precarização, superexploração do trabalho e destruição ambiental; Articulações atuais entre o Estado, o capital e o trabalho e a construção de políticas públicas; A questão agrária e a ação política atualizadas; O trabalho e a apropriação do espaço e da natureza; A (des)realização e as novas identidades do trabalho: dinâmicas espaciais e plasticidade do trabalho; Os desdobramentos das mudanças laborais para os trabalhadores do campo e da cidade (redefinição de profissões, habilitações, especializações, inserções autônomas, experiências de despossessão); Geografia, trabalho e mineração; Trabalho, classe, gênero e territórios; Gênero e trabalho no projeto de acumulação do capital no campo e na cidade; Gênero e exploração e precarização do trabalho; Gênero e trabalho nos processos de apropriação do espaço e da natureza; Gênero e (re)sistencias: estratégias, formas e ações na luta social; (Des)envolvimento territorial no campo brasileiro; A territorialização do capital no campo hoje: o agrohidronegócio, a cultura do veneno e a produção de comida; As leitura da Geografia do Trabalho das atuais lutas pelo território: por terra, água, subsolo e direitos.
 
Coordenação:
MARIA FRANCO GARCIA
ATAMIS ANTONIO FOSCHIERA
MARCELO MENDONZA RODRIGUES
EDUARDO SCHIAVONE CARDOSO
ANTONIO THOMAZ JUNIOR
Este Grupo de Trabalho, criado em 2011 no IX ENANPEGE - Encontro Nacional da Associação de Pós-graduação e Pesquisa em Geografia, realizado em Goiânia, acompanhou a expansão da abordagem geográfica do patrimônio cultural, assim como o seu amadurecimento, tanto teórico, metodológico, quanto a sua consolidação refletida na expansão dos grupos de pesquisa no país. Desde a sua origem, foi formado por pesquisadores e pesquisadoras com diferentes interesses que convergiam para a reflexão sobre a Geografia e o Patrimônio Cultural, de modo a construir as bases para uma reflexão mais densa sobre o tema e contribuir para a formação de uma rede de pesquisa em Geografia e Patrimônio Cultural. Articulado a partir de Grupos de Pesquisa consolidados em diferentes regiões do país (Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste), o objetivo deste GT é reunir pesquisadores que trabalham com a temática do patrimônio cultural, tomando a Geografia em suas múltiplas perspectivas metodológicas, teóricas e temáticas, contribuindo, assim, para o adensamento epistemológico do campo na Geografia, assim como para a articulação de um trabalho em Rede entre pesquisadores(as) e estudantes de pós-graduação em Geografia. Com essa abordagem geográfica, temos priorizado as relações dos patrimônios com o turismo, com as políticas de imagem das cidades e com as políticas públicas de planejamento territorial nos inúmeros processos de patrimonialização, de modo a revelar a forma como os conceitos de território, paisagem e lugar têm sido abordados e/ou apropriados. Estes temas aglutinadores estruturaram este GT e seguem desenvolvendo-se em novas ramificações na Rede de pesquisadores que se constituiu e, a partir deles, convidamos a todos e todas com pesquisas nesta temática a se juntarem ao Grupo de Trabalho.
 
Coordenação:
RAFAEL WINTER RIBEIRO (UFRJ)
MARIA TEREZA DUARTE PAES (USP)
DIRCEU CADENA (UFCE)
MARIA GORETTI DA COSTA TAVARES (UFPA)
LEONARDO CIVALE (UFV)

XVI Encontro Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia

Geografias em um mundo em crises