No contexto das complexas relações/interfaces dialógicas multidimensionais entre sociedade e natureza nesse primeiro quarto do século XXI, principalmente no que se refere as questões climáticas, avanço de relações insalubres entre as nações e os povos do mundo, e a contraposição a essas questões e outras em nível global, assim como os modos de vida e as propostas de outras possíveis sociedades menos danosas ao ambiente vivido, especialmente na Geografia Cultural e seu vasto campo de abordagens ligadas às categorias de análise espacial (espaço, lugar, região paisagem, território), principalmente na complexidade dos fazeres geográficos de pesquisadores e pesquisadoras, vem se despontando propostas geográficas nas quais outro mundo é possível, considerando-se diversidade de “mundos” dos povos originários e afrodiaspóricos, tradicionais e de outros grupos humanos, mas com destaque para os dois primeiros. Diante de tantos desafios, os estudos e produções do conhecimento geográfico geraram as maiores e mais intricadas possibilidades sobre o mundo vivido e a diversidade cultural manifestada em diferentes contextos geográficos, exigindo repensares e ações sobre tais geografias que englobam, sobretudo, os saberes e fazeres dos povos originários e tradicionais. Fatores que induzem a questionamentos sobre nossas relações com o “Outro”, e deste conosco. Ver, sentir e agir sobre tais relações enquanto sujeitos sociais que formam parte da nossa existência nos mais diversos e profundos espaços geográficos e territoriais de vivências materiais e imateriais, são a mola propulsora das perspectivas que envolvem as geografias culturais. Tudo vem se desdobrando para o papel do “Outro”, demonstrando esse “Outro” como fundamental na produção social dos espaços que (re)construímos, (re)agimos e sentimos as relações socioambientais e socioculturais, marcadas na ciência geográfica a partir da sua base mais enraizada e profunda, a relação sociedade e natureza. Buscamos nesse GT, reunir pesquisadores e pesquisadoras com seus trabalhos e ideias para a troca de experiências significativas frente aos desafios teóricos e metodológicos postos para a produção do conhecimento na Geografia Cultural. Aceitaremos estudos com temas que discutam abordagens, tais como: pluralismos identitários em diferentes contextos geográficos, lugar(es), representações, símbolos, processos migratórios, festas populares, festejos, religiões na sua diversidade, com especial ênfase nas manifestações religiosas de matrizes africanas, de coletivos etnográficos da floresta e de povos tradicionais; povos originários, bem viver, lógicas de cooperação e alternativas não-mercadológicas da relação com a natureza, (com)vivências, percepções e sentimentos, espaços públicos, saberes e conhecimentos tradicionais, modos de vida. Sinalizamos, ainda, para trabalhos que abordem os impactos gerados na educação e na formação da sociedade brasileira pela negação científica, notadamente atinentes aos processos de mudanças climáticas, pela luta contra o aquecimento global, por um mundo de paz e justiça social ambiental, para além dos conflitos que se alargam nas mais diversas fronteiras nesse primeiro quarto do século XXI, e seu conflito sobre o mundo vivido dos/das afetados pelo choque do capitalismo que aniquila cada vez mais, os povos originários e tradicionais no Brasil e no Mundo, bem como a luta e a resistência contra as mais diversas violências sobre a vida, advindas dos saberes, fazeres e agires do viver das populações, sejam tradicionais ou originárias. Reforça-se a relevância das abordagens críticas para o permanente combate ao racismo ambiental e cultural nas suas diversas manifestações. Amplia-se, assim, o leque de pesquisas com abordagens na Geografia Emocional, Geografia da Esperança, Geografia da Saudade, ou na Geografia Espiritual ao tratarem de estudos assentados nas interfaces dialógicas entre coletivos sociais e a natureza nas suas diversas dimensões, portanto, promotoras de mudanças, constituintes de bem viver que contribuem para o entendimento das múltiplas possibilidades das geografias socioculturais, socioambientais e socioespaciais.
Coordenação:
NILSON CESAR FRAGA (UEL)
JOSUÉ DA COSTA SILVA (UFRR)
JANIO ROQUE BARROS DE CASTRO (UFBA)
MARCIA ALVES SOARES DA SILVA (UFMT)
MARIA AUGUSTA MUNDIM VARGAS (UFSE)